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Larva Migrans: diagnóstico clínico, opções terapêuticas e prevenção

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A larva migrans caracteriza-se pelo aparecimento de lesões cutâneas eritematosas em forma de trajeto linear ou serpiginoso, que deslocam-se progressivamente pela pele. Essa condição também é conhecida como “erupção rasteira”.

Ela ocorre, em geral, devido à penetração na pele humana de larvas de ancilostomídeos que normalmente parasitam cães e gatos, como o Ancylostoma braziliense e o Ancylostoma caninum. Outras larvas de parasitas que não têm o ser humano como hospedeiro natural também podem estar envolvidas.

Epidemiologia da Larva Migrans

Os ancilóstomos responsáveis pela larva migrans possuem distribuição global, sendo mais comuns em regiões de clima quente, especialmente nos países tropicais e subtropicais do Sudeste Asiático, África, América do Sul, Caribe e no sudeste dos Estados Unidos.

As larvas são frequentemente encontradas em locais como praias, hortas e caixas de areia. Embora predominem em regiões tropicais, casos autóctones também já foram registrados em zonas temperadas, fenômeno que tem sido associado ao aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas.

Os grupos mais vulneráveis incluem viajantes, crianças, nadadores e trabalhadores que entram em contato direto com solo contaminado. Além disso, a forma HrCLM (human reactive cutaneous larva migrans) é uma das principais causas de manifestações dermatológicas em indivíduos que retornam de viagens a áreas tropicais.

Etiologia da Larva Migrans

A larva migrans é causada por nematódeos transmitidos por animais, como os ancilóstomos Ancylostoma braziliense, Ancylostoma caninum e Uncinaria stenocephala.

Além disso, ancilóstomos que normalmente infectam humanos, como Ancylostoma duodenale e Necator americanus, também podem estar envolvidos no desenvolvimento da enfermidade.

Fisiopatologia da Larva Migrans

Os ancilóstomos adultos habitam o intestino de cães e gatos, onde liberam ovos pelas fezes. Esses ovos, ao serem depositados no solo, eclodem em cerca de um dia e, ao longo da semana seguinte, transformam-se em larvas infectantes. Essas larvas reagem a estímulos como vibrações e elevação da temperatura, movimentando-se de forma semelhante a cobras.

Quando entram em contato com um hospedeiro, penetram a camada córnea da pele com a ajuda de uma enzima chamada hialuronidase. Embora consigam atravessar as camadas superficiais da pele, não conseguem ultrapassar a membrana basal para alcançar os vasos linfáticos. Por isso, não completam seu ciclo de vida, acabam morrendo e não reproduzem-se, o que torna a infecção autolimitada.

Formas clínicas da Larva Migrans

A larva migrans apresenta-se em duas formas clínicas conhecidas: doença cutânea e doença pulmonar.

Doença cutânea

A larva migrans cutânea acomete com maior frequência os membros inferiores. No início, podem surgir pápulas eritematosas e pruriginosas nos locais de penetração das larvas, embora muitos pacientes não identifiquem o ponto exato de entrada. Em casos de contato com solo altamente contaminado, podem aparecer centenas de pápulas intensamente pruriginosas.

Após alguns dias, surgem lesões elevadas, serpiginosas, de coloração marrom-avermelhada, que coçam intensamente. Essas lesões refletem o trajeto de migração das larvas, que deslocam-se a alguns milímetros ou até centímetros por dia. Tais lesões medem cerca de 3 mm de largura e podem atingir de 15 a 20 mm de comprimento, sendo que a larva, geralmente, encontra-se de 1 a 2 cm à frente da extremidade visível da lesão. Em geral, observam-se entre uma e três lesões por paciente.

Fonte: UpToDate, 2025.

As lesões serpiginosas tendem a surgir entre dois e seis dias após a exposição, mas podem manifestar-se semanas ou até meses depois.

Ademais, as lesões podem evoluir para formas vesiculadas, crostosas ou até mesmo infeccionadas secundariamente e o prurido pode ser tão intenso a ponto de interferir no sono.

A foliculite causada por ancilóstomos é uma apresentação atípica da larva migrans cutânea, relatada em menos de 5% dos casos. Ela caracteriza-se por múltiplas pápulas e pústulas foliculares, pruriginosas e eritematosas. Nesses casos, as trilhas serpiginosas podem estar ausentes ou ser discretas.

Doença pulmonar

A disseminação de larvas para os pulmões por via hematogênica é uma complicação incomum da infecção. A apresentação clínica mais comum é uma tosse seca, que costuma surgir aproximadamente uma semana após a penetração cutânea. Em geral, essa tosse persiste por uma a duas semanas, embora, em casos raros, possa durar alguns meses.

Diagnóstico clínico da Larva Migrans

O diagnóstico costuma ser clínico e baseia-se principalmente no histórico de viagens recentes para regiões endêmicas e na presença de uma erupção cutânea serpiginosa característica. Como já mencionado, essa lesão apresenta-se como elevada, extremamente pruriginosa e com progressão lenta.

Exames laboratoriais geralmente não são necessários. A eosinofilia ocorre em menos de 40% dos casos de larva migrans cutânea e, além disso, não é um achado específico.

Por sua vez, a biópsia de pele pode, ocasionalmente, identificar larvas do nematoide em túneis circulares, mas sua sensibilidade é limitada. Embora alterações secundárias e infiltrados inflamatórios possam contribuir para o diagnóstico, a biópsia não é essencial para a confirmação, que é predominantemente clínica.

Na doença pulmonar, um diagnóstico presuntivo é considerado quando surgem sintomas respiratórios em associação com lesões cutâneas características. Nesses casos, a radiografia de tórax pode revelar infiltrados pulmonares transitórios e migratórios, típicos da síndrome de Loeffler. Além disso, é comum observar eosinofilia no sangue periférico, e a análise do lavado broncoalveolar também pode evidenciar a presença de eosinófilos. Todavia, na maioria dos casos, não é necessário realizar exames diagnósticos adicionais.

Por fim, o diagnóstico definitivo da doença pulmonar envolve a identificação de larvas em secreções respiratórias ou no líquido do lavado broncoalveolar, embora esses procedimentos raramente sejam requeridos.

Diagnóstico diferencial da Larva Migrans

Embora a erupção cutânea rastejante e os sinais clínicos geralmente permitam o diagnóstico, outros agentes podem ser confundidos com essas infecções. Entre eles estão a escabiose, loíase, miíase, esquistossomose, tinea corporis e a dermatite de contato, que compartilham algumas semelhanças clínicas, mas não apresentam migração serpiginosa.

Todavia, a condição que mais assemelha-se é a lesão migratória causada pelo Strongyloides stercoralis, conhecida como larva currens. Essa infecção, que também exibe padrão serpiginoso, se distingue pela sua rápida progressão, com deslocamento intermitente que pode atingir vários centímetros por hora. Além disso, sua trajetória é mais aleatória e tende a ocorrer predominantemente na região perianal, coxas ou tronco. Outro parasita que entra no diagnóstico diferencial é o trematódeo Fasciola gigantica, responsável pela fasciolíase.

Ademais, entre as dermatoses não infecciosas que apresentam aspecto linear ou serpiginoso, estão as lesões por picada de água-viva, erupções liquenoides e a fitofotodermatite. Também pode haver casos raros de pelos encravados com aspecto rastejante.

Opções terapêuticas da Larva Migrans

A doença costuma se resolver sozinha. Porém, em casos de infecção localizada, pode-se iniciar o tratamento com tiabendazol tópico a 10% em solução ou 15% em pomada. Aplica-se a medicação de duas a três vezes por dia, durante um período de 5 a 10 dias.

Por outro lado, em situações com várias lesões ou infecção intensa, os tratamentos sistêmicos de escolha são o albendazol e a ivermectina.

Administra-se o albendazol por via oral na dose de 400 mg por dia durante 3 a 5 dias, com eficácia quase total. A ivermectina, também administrada por via oral, é igualmente eficaz e apresenta a vantagem de ser usada em dose única de 12 mg, com resultados de cura próximos a 100%.

Já o mebendazol, embora também seja um anti-helmíntico, apresenta baixa absorção e biodisponibilidade, o que compromete sua eficácia, tornando-o inadequado como primeira escolha. Além disso, outros tratamentos, como corticosteroides tópicos ou orais e antibióticos, também não são eficazes. Apesar dos corticoides sistêmicos ajudarem a aliviar a coceira, seus possíveis efeitos adversos restringem seu uso.

Prevenção da Larva Migrans

Medidas de prevenção incluem evitar andar sem calçados ou ter contato direto da pele com o solo ou a areia. Além disso, recomenda-se que os viajantes utilizem sandálias apropriadas para a praia e coloquem algum tipo de proteção no chão antes de se sentarem ou deitarem.

Prognóstico da Larva Migrans

A condição geralmente se resolve sozinha, sendo mais comum a melhora espontânea do que a necessidade de intervenção. Apesar disso, a migração pode persistir por semanas ou até meses, causando prurido intenso que, muitas vezes, prejudica o sono.

O tratamento, seja por via tópica ou sistêmica, apresenta taxas de cura próximas a 100%. Embora recaídas possam ocorrer, elas são raras e respondem bem à terapia sistêmica, que também é eficaz na prevenção de novos episódios.

Complicações da Larva Migrans

Entre as complicações possíveis da larva migrans, destaca-se a infecção secundária, sendo as bactérias mais frequentemente envolvidas o Staphylococcus aureus e espécies de Streptococcus. A impetiginização secundária pode ocorrer em até 8% dos casos.

Em infecções prolongadas, já foram descritos casos de glomerulonefrite pós-estreptocócica. Além disso, apesar de ser amplamente aceito que as larvas não conseguem atravessar a membrana basal da pele, há relatos raros de acometimento visceral. Nessas situações, as larvas foram detectadas em escarro, em órgãos internos e até mesmo na musculatura esquelética de humanos. Ademais, a reação do hospedeiro à infecção pode, raramente, manifestar-se como eritema multiforme.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • MAXFIELD, L.; CRANE, J. S. Cutaneous Larva Migrans. 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK507706/. Acesso em: 06 abr 2025.
  • WELLER, P. F..; LEDER, K. Hookworm-related cutaneous larva migrans. UpToDate, 2025.

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