Os laços que unem médico e paciente são
estabelecidos por meio de um contexto complexo e multifatorial;
estabelecido primordialmente através da comunicação.
A efetividade da comunicação consiste no ato
de emitir um enunciado, de modo que o receptor possa compreender com clareza. Ao primeiro contato, a comunicação profissional-paciente
é permeada muitas vezes por um ambiente de estresse e ansiedade, por conta do
estado de saúde e expectativas que o paciente e/ou familiares podem apresentar;
como também o conjunto de tensões e emoções vividas pelo médico.
Neste momento, a linguagem não verbal tanto do profissional e paciente podem transmitir distintas informações:
- Afinidade;
- Slegria;
- Irritabilidade;
- Medo.
Diante
deste contexto, é possível construir laços entre médico e paciente?
Sim! O primeiro passo para estabelecer aliança
é personalização da assistência. Cumprimentar pelo nome e dispor-se à percepção
empática quanto ao estado de saúde do paciente na perspectiva clínica e
psicológica são importantes; constituindo-se como escuta qualificada, a
atenção das demandas apresentadas.
Outro aspecto relevante é o tratamento humanizado. Independente do grau de comprometimento de saúde apresentado pelo paciente, a abordagem deve ser ofertada visando a integralidade do sujeito e não apenas o foco na doença.
A efetiva humanização pressupõe a compreensão da subjetividade do outro, assim como interferências culturais e regionais. Além disso, cabe enfatizar que a informação acerca dos possíveis tratamentos deve ser transmitida em linguagem acessível, objetiva, sem excesso de termos técnicos; já que o objetivo final é a plena compreensão do conteúdo transmitido e a autonomia do paciente após a exposição feita.
Este modo de atuação refletirá em um
atendimento com qualidade diferenciada, satisfação do usuário e fidelização
do serviço, principalmente em casos de acompanhamento a doenças crônico-degenerativas.
Nos tratamentos mais longos, faz-se necessário estimular o empoderamento do
paciente e conscientizá-lo da participação ativa na sua qualidade de vida.
Por meio do vínculo estabelecido entre
profissional e paciente, destaca-se uma importante relevância: fundamentada a
confiança do paciente no profissional, aumenta a adesão às propostas
terapêuticas e, consequentemente, a probabilidade de sucesso das
intervenções.
Outro contexto no atendimento ocorre em casos
de urgência e pronto atendimento. A necessidade de uma resposta imediata e
uma grande demanda muitas vezes não permite ao profissional formação de
vínculo e maior diálogo com o paciente, necessitando que a objetividade e
resolutividade prevaleçam. Apesar disso, ainda é possível a personalização no
atendimento – fator que em consciência plena, será recordado o acolhimento,
através da visível valorização do sujeito.
Em síntese, a pedra angular do tratamento na
medicina é a aliança terapêutica entre médico e paciente. Apesar de uma
complexidade multifatorial envolvida, por meio da comunicação efetiva e atenção
às demandas apresentadas, é possível a formação do vínculo e confiança,
otimizando o sucesso no tratamento.
Fabiana Alves Cerqueira, Graduada em Odontologia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Residente em Saúde da Família (SESAB)
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