Juntos contra a hipertensão | Colunistas

  • maio 10, 2021
  • 7 min read
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Juntos contra a hipertensão | Colunistas

Você sabia que a hipertensão arterial é a primeira causa de morte no planeta? E que é responsável por 50% das doenças cardiovasculares? Veja como é possível preveni-la e se unir ao movimento contra a hipertensão.

Definição

A hipertensão arterial, popularmente chamada de “pressão alta”, é uma doença crônica, sem cura porém tratável e que prejudica a vida de inúmeros brasileiros. Consiste na elevação da pressão arterial sistólica a partir de 140 mmHg e a pressão arterial diastólica a partir de 90 mmHg. A pressão se eleva por vários motivos, mas principalmente porque os vasos nos quais o sangue circula se contraem.  

Divide-se a hipertensão em estágios de gravidade, sendo eles:

  • Estágio 1 – pressão sistólica: 140-149 mmHg | pressão diastólica: 90-99 mmHg
  • Estágio 2 – pressão sistólica: 160-179 mmHg | pressão diastólica: 100-109 mmHg
  • Estágio 3 – pressão sistólica: ≥ 180 mmHg | pressão diastólica: ≥ 110 mmHg
  • Estágio 4 (hipertensão sistólica isolada) – pressão sistólica ≥140 mmHg | pressão diastólica: < 90 mmHg

A pressão arterial sistólica menor ou igual a 120 mmHg e diastólica menor ou igual a 80 mmHg são classificadas como normais. Contudo, em 2020 essa faixa de normalidade não é percebida em mais de 38,1 milhões de brasileiros com mais de 18 anos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019).

A doença é silenciosa, isto é, não possui um sintoma característico em sua fase inicial, apresenta sintomas comuns a outras patologias como cefaleia, tontura e cansaço, dificultando o diagnóstico e favorecendo a detecção em estágios avançados que podem ocasionar em doenças cardiovasculares e até mesmo a morte.

Além disso, é um fator de risco para o desenvolvimento de quadros graves de COVID-19 e, quando detectada, exige tratamento para a vida toda.

Fatores de risco

Algumas pessoas estão mais expostas que outras para a possibilidade de desenvolver a doença. Os fatores de risco podem ser classificados em mutáveis e imutáveis.

Os mutáveis são aqueles que estão atrelados a hábitos de vida e podem ser tratados, dentre alguns se destacam:

  • Má alimentação, sobretudo consumir alimentos com excesso de sal (acima de 5 gramas por dia) e com alto teor de gorduras trans. O sal de cozinha (NaCl) contém sódio que em excesso estimula o direcionamento de água para o meio intracelular, aumentando o volume sanguíneo nos vasos, favorecendo a pressão elevada. Já a gordura trans facilmente se acumula nos vasos sanguíneos, exigindo mais do coração para manter seu funcionamento, também aumentando a pressão arterial.
  • Sedentarismo, o Colégio Americano de Medicina do Esporte considera como sedentário o indivíduo que pratica menos de 150 minutos de atividades físicas leves por semana, entre a faixa etária de 18 a 60 anos
  • Tabagismo, aumenta a vasoconstrição que acarreta em hipertensão. É considerado tabagista, para o Ministério da Saúde, o indivíduo que fumou mais de 100 cigarros ou 5 maços de cigarro em toda sua vida e atualmente ainda fuma.

E os imutáveis, que não são possíveis tratar como:

  • Herança familiar, se há casos de familiares com a doença, as chances aumentam
  • Idade, quanto maior a idade, maior a chance de desenvolver hipertensão (a partir dos 50 anos)

Prevenção

O melhor método de cuidado é a prevenção, e isso é possível de ser feito em apenas 7 passos!

  1. Medir sua pressão arterial pelo menos uma vez no ano – A única maneira de detectar a doença é a partir da medição, nela é possível perceber se você está hipertenso ou pré-hipertenso e reverter a situação.
  2. Praticar atividade físicas todos os dias – Tomar pequenas decisões como descer um ponto antes do ônibus, subir escadas ao invés de elevador, caminhar.
  3. Manter o peso ideal para sua altura – Evitar a obesidade que leva ao quadro de hipertensão
  4. Adotar uma alimentação saudável – Evitar frituras, medir bem o uso do sal, consumo de frutas e legumes
  5. Reduzir o consumo de álcool
  6. Abandonar o cigarro
  7. Evitar estresse – Ter tempo para lazer

Juntos contra a hipertensão

Em 2017 o Ministério da Saúde em conjunto ao Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), realizou um estudo de prevalência da hipertensão a nível nacional e o resultado foi que as mulheres possuem maior prevalência de diagnóstico médico da doença sobre os homens. E dentre as capitais com maior prevalência entre as mulheres destacam o Rio de Janeiro e Recife, sendo 34,7% e 30,0% respectivamente. A capital carioca se manteve pelo segundo ano consecutivo como a capital brasileira com maior percentual de hipertensos, uma situação que exige intervenção.

Para efeito, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro possui um projeto de extensão, chamado: Juntos contra a hipertensão, que visa promover a prevenção da hipertensão arterial à população e realiza, em condições de normalidade, eventos para aferição da pressão arterial e orientação em casos de diagnósticos de hipertensão ou pré-hipertensão. Além de propagar informações sobre como manter hábitos saudáveis e de como buscar tratamento. Desse modo, estudantes de medicina podem colaborar com a população para uma mudança no panorama epidemiológico local.

O seu estado precisa de ações como essa? Converse com seu professor e universidade ou participe de ações de prevenção!

Larissa Amaral – Estudante de Medicina

Instagram: @lari_amar


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Ministério da Saúde – https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z-1/h/hipertensao-pressao-alta

Sociedade Brasileira de Hipertensão – https://www.sbh.org.br/sobre-a-hipertensao/

Organização Pan-Americana de Saúde – https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52790/OPASBRANMHNVCOVID-19200016_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Pesquisa Nacional de Saúde – https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/no-brasil-maioria-dos-pacientes-com-hipertensao-e-diabetes-faz-acompanhamento-de-saude-no-sus

UNASUS –  https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/1/unidades_casos_complexos/unidade19/unidade19_ft_has.pdf

Centro de Cardiologia – https://cardiologiahmt.com.br/o-que-sao-fatores-de-risco-para-doencas-cardiovasculares/

Fleury medicina e saúde – https://www.fleury.com.br/medico/artigos-cientificos/qual-o-conceito-atual-de-sedentarismo#:~:text=Do%20ponto%20de%20vista%20de,frente%20da%20televis%C3%A3o%2C%20por%20exemplo.

Juntos contra hipertensão – https://www.instagram.com/p/CGkVC8Sn0cE/

Portaria Ministério da Saúde https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2016/prt0761_21_06_2016.html

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