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Investigação de Abdome Agudo na Urgência|Colunistas

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Entende-se por abdome agudo o processo intra-abdominal gerando dor e que, geralmente, necessita de intervenção cirúrgica a nível emergencial. Tal dor apresenta-se de forma severa ou progressiva com início súbito, em média, em menos de 48 horas. Onde, persistindo por mais de 6 horas, já se torna grande indicativa de enfermidade com característica cirúrgica.

Há inúmeras causas de abdome agudo na emergência, que variam desde ocorrências patológicas mais graves e fatais, a saber, gravidez ectópica rota, isquemia mesentérica, úlcera perfurada. Ou ocasionadas por enfermidades benignas como dispepsia, e diarreia aguda. A maioria das causas de tais patologias se enquadram em aspectos inflamatórios, obstrutivos, vasculares, hemorrágicos, e perfurativos.

Como proceder na busca pela causa do abdome agudo?

A investigação minuciosa da história clínica deve levar em consideração fatores como dimensão da dor, analisando como essa iniciou, tempo de duração, sua frequência, sua localização, se irradia, e sua intensidade, fatores de melhora e de piora, e a possível presença de demais sinais associados. Geralmente, dor de progressão rápida com progressão em foco de uma área específica em tempo de minutos a poucas horas pode significar colecistite aguda, ou pancreatite. Caso a dor se manifeste de modo gradativo e por muitas horas, iniciando de forma leve e vaga, de progressão lenta para dor localizada e constante, denota processo subagudo de processos que geram inflamação do peritônio.

Outro ponto que deve ser somado a essa investigação é a realização do exame físico. Este, realizado de forma organizada/cuidadosa torna-se extremamente relevante para o correto diagnóstico. É orientado que sua realização se inicie de maneira avaliativa ampla e sucinta da característica total do paciente. Observando a intensidade da dor, que costuma demonstrar piora ao exame físico em casos de irritação do peritônio quando este for examinado. Lembrar que o exame físico deve ser direcionado à queixa do paciente investigando-se sinais confirmatórios ou de exclusão de patologias ligadas ao diagnóstico diferencial.

Somados a esses passos iniciais, os testes laboratoriais surgem como mais uma ferramenta auxiliar ao diagnóstico. Pois auxiliam na confirmação de processos inflamatórios e infecciosos, além de possibilitar a exclusão de causas não-cirúrgicas mais habituais. Assim, lança-se mão do hemograma – importante na verificação de provável leucocitose, na observação do hematócrito (detecta alterações no volume plasmático), na presença de anemia e, ainda, sangramento. A proteína C-reativa também pode ser favorável para elevar o grau de confiabilidade no diagnóstico de inflamações agudas. Para se avaliar efeitos da presença de vômitos ou perdas líquidas para o terceiro espaço, pode-se fazer uso da medida de eletrólitos séricos, ureia, e creatinina. Os testes laboratoriais, assim como o exame físico, podem ser direcionados de acordo com a queixa do paciente e com a suspeita da origem do abdome agudo. Dessa forma, em dúvida de distúrbios metabólicos ou endócrino, pode-se medir o nível glicêmico. Em caso de suspeita de dor hepatobiliar, dosar TAP, albumina e bilirrubina – função hepática – AST, ALT, desidrogenase lática – lesão hepatocelular. Fosfatase alcalina, gama-glutamiltransferase, e bilirrubina – fluxo biliar/lesão de vias biliares. Se provável pancreatite aguda, verificar amilase e lípase. Testes urinários, como urinálise, têm importância na confirmação de cistite bacteriana, pielonefrite, e algumas anormalidades endócrinas. Ressalta-se que, pacientes do sexo feminino, em idade fértil, com queixa de abdome agudo orienta-se a realização de β-HCG.

Ainda como ferramenta auxiliar, as técnicas de imagem apresentam-se como importantes métodos diagnósticos de causas de abdome agudo. No entanto, nenhuma dessas técnicas deve se sobrepor à investigação da história clínica do paciente e da realização de um bom exame físico. Um dos exames de imagem mais acessíveis e de baixo custo utilizados na investigação é o raio X. Costumeiramente solicita-o da seguinte forma: raio X do abdome em posição supina e ortostática, e do tórax; em casos de abdome agudo. A tomografia computadorizada, embora costume ser menos acessível que o raio X, também é de grande ajuda em situações específicas. Os exames de imagem, de modo geral, são capazes de confirmar quadros de pneumonia, obstrução intestinal, perfuração intestinal, cálculo (biliar, renal, ureteral), apendicite, pancreatite crônica e/ou aguda, hematoma ou abscesso retroperitoneal, entre outros.

Destacam-se causas comuns de abdome agudo via técnicas de imagem.

É válido mencionar, ainda, que outras técnicas podem ser usadas no diagnóstico. A Laparoscopia, por exemplo, apresenta alta sensibilidade e especificidade, proporcionando menores morbidades e mortalidade no contexto terapêutico. A Lavagem Peritonial, por sua vez, é capaz de fornecer – em casos em que os pacientes se encontram em alta instabilidade e impossibilitados de serem transportados para outros setores – indícios de patologias que necessitem intervenção cirúrgica.

Todas as formas de se diagnosticar as causas de abdome agudo na urgência, aqui mencionadas, buscam minimizar as dificuldades encontradas pelos profissionais em saúde quanto ao correto diagnóstico. Além de possibilitarem a melhor conduta terapêutica para cada caso, mediante ao raciocínio rápido e que seja capaz de levar a melhor prática terapêutica, associando, por exemplo, ações de suporte e técnicas cirúrgicas.

Autor: Luciano Guimarães

@luciano_guifer

Referências

ALENCASTRO, Márcia Cristina de et al. Abdome agudo por obstrução por ileobiliar. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, v. 40, p. 275-280, 2013.

BRUNETTI, Adriano; SCARPELINI, Sandro. Abdômen agudo. Biblioteca Escolar em Revista, v. 40, n. 3, p. 358-367, 2007. MONTEIRO, Alexandra V. Maria; LIMA, Cláudio Márcio; RIBEIRO, Érica. Diagnóstico por imagem no abdome agudo não traumático. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto (TÍTULO NÃO-CORRENTE), v. 8, n. 1, 2009.



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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