O interrogatório sintomatológico (IS) é parte da anamnese. Ele também conhecido como anamnese especial ou revisões de sistemas. E recebe essas denominações porque é um complemento da queixa principal e da história da doença atual.
A anamnese e o interrogatório sintomatológico
A anamnese, juntamente com o exame físico são responsáveis por 80% do diagnóstico do paciente. Eles são de grande importância na prática médica e, por isso, devem ser bem realizados.
A anamnese pode ser dividida em algumas partes:
- Identificação (ID);
- Queixa Principal (QP);
- História da Moléstia Atual (HMA) ou História da Doença Atual (HDA);
- Interrogatório sintomatológico ou interrogatório sistêmico (IS);
- Antecedentes pessoais: antecedentes fisiológicos, patológicos, epidemiológico, imunológicos e outras ações preventivas;
- Antecedentes familiares;
- Hábitos de vida;
- História Psicossocial (HPS).
Assim, como havíamos falado, o interrogatório sintomatológico ou sistêmico (IS) é um componente da anamnese.
O que o interrogatório sintomatológico?
O interrogatório sintomatológioc (IS) é o momento que o médico ou o estudante faz perguntas sobre todos os sistemas do corpo humano do paicente. Deve-se fazer o levantamento de possíveis diagnósticos que não foram relatados na HMA e que podem ter associação com a queixa principal do enfermo.
Assim, deve-se realizar perguntas sobre sintomas possíveis e pertinentes de cada aparelho que constitui o corpo humano. O profissional que está atendendo deve se atentar a não fazer perguntas muito detalhadas no primeiro momento para não interferir no que o paciente tem a dizer.
É importante ressaltar aqui a relevância de que sejam feitas perguntas genéricas. Como exemplos, você pode falar: “e a respiração?”; “algum problema com a alimentação ou com os intestinos?”; “como está a visão?”; “como está seu emocional?”, e assim sucessivamente.
Outra atenção que se deve ter é em relação aos pacientes “poliqueixosos”. Estes, muitas vezes, vão dizer que sente e tem problema que forem questionados. Nesses casos, perguntar quando foi a última vez que a pessoa apresentou o quadro, tentar graduar em relação à dor ou quanto aquele sintoma impacta na vida da pessoa.
Sistematização do interrogatório sintomático
É importante lembrar que na anamnese o médico ou o estudante só documenta aquilo que foi dito pelo paciente. O que se observa é posto em exame físico.
Não é fácil realizar a anamnese especial, visto que existem inúmeros
sistemas e manifestações sintomáticas. Deste modo, é fulcral destrinchar
em situações mais amplas, como:
- Sintomas gerais: como alteração de apetite ou peso, astenia e febre;
- Pele e fâneros: alterações de textura, alterção de cor, presença de lesões, prurido, queda de pêlos, alterações nas unhas;
- Cabeça: cefaleia e tonturas são as principais queixas desse segmento;
- Olhos: acuidade visual, diplopia, prurido, hiperemia, fotofobia, xeroftalmia, edema, sensação de corpo estranho;
- Ouvidos: acuidade auditiva, zumbido, otalgia, otorreia, otorragia, vertigem;
- Nariz: congestão nasal; secreções, prurido, epistaxes, anosmia, hiposmia, dor em seios paranasais;
- Boca e garganta: lesões em lábios, mucosa oral ou gengiva; dor de dente; rouquidão, odinofagia, xerostomia, sialorreia;
- Pescoço: presença de bócio, de nódulos, dor, rigidez;
- Mamas: nódulos, mastalgia, secreção mamilar, alterações da pele que recobre;
- Aparelho Respiratório: tosse, escarro, dispneia, trepopneia, hemoptise, sibilos, dor torácica;
- Aparelho Cardiovascular: dor ou desconforto torácico, palpitações, dispneia, ortopeneia, dispneia paroxística noturna (DPN), edema;
- Ap. Gastrointestinal: alteração no apepite, eructação, dor abdominal, empachamento, regurgitação, pirose, náuseas, vômitos, hematêmese, disfagia, alteração do ritmo intestinal, questionar sobre as fezes, dor anal, tenesmo, sangramento, flatulências excessiva;
- Ap. gênitourinário: disúria, polaciúria, poliúria, nictúria, oligúria, enurese, anúria, alterações na coloração da urina, incontinência urinária, hematúria, dor;
- Sistema osteoarticular: dores musculares, artralgias, dor óssea, rigidez matinal;
- Sistema nervoso: altações da memória e da marcha, presença de alucinações, perda ou alteração na sensibilidade, presença de movimentos involuntários, convulsões, fraqueza;
- Extremidades: edema, sinais de flogose, altaeração de temperatura.
Como caracterizar os sintomas encontrados no interrogatório sintomatólico?
Em caso de o paciente apresentar algum sintoma, é importante que este seja caracterizado da melhor forma possível:
- Há quanto tempo?
- Tem horário preferencial?
- Duração
- Frequência
- Episódios anteriores
- Inicio foi súbito ou gradual?
- Modo de evolução
- Sintomas associados
- Fatores desencadeantes, de melhora, de piora.
Vale salientar que dor é um sintoma presente e de grande incômodo. Sendo assim, sua investigação sempre deve questionar em relação ao:
- Tipo
- Início
- Localização
- Intensidade
- Frequência
- Duração
- Irradiação
- Fatores desencadeantes, de melhora e de piora.
Em relação a presença de secreções, deve-se detalhar o aspecto, bem
como a coloração; viscosidade; intensidade e o período de maior frequência.
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Sugestão de leitura complementar
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- Semiologia genicológica: anamnese e exame físico | Colunistas
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