A Internet das Coisas (IoT), derivado do inglês “internet of things” é uma avanço em tecnologia de última geração que apresenta como princípio a conectividade entre pessoas e máquinas de
forma contínua . As possibilidades de
conexão são amplas e vão desde aparelhos eletrônicos, software, sensores sem
fio e conexão em rede; possibilitando a coleta, troca e armazenamento de informações em ambiente hospitalar ou no
local de moradia do usuário, facilitando a comunicação profissional e o
paciente.
A utilização da IoT nos
serviços de saúde possui amplos
benefícios que vão desde monitoramento
de pacientes em tempo real e assistência
médica remota , e este processo dinâmico
do sistema gera um grande volume de dados. Para um suporte adequado, a IoT está
associada ao armazenamento em nuvem e o
BIG DATA. Este termo descreve grandes volumes de dados em alta
velocidade, complexos e variáveis que requerem técnicas avançadas e tecnologias
para permitir a captura, armazenamento, distribuição, gerenciamento e análise
das informações para uma visão aprimorada e tomada de decisão .
A variedade de dados como texto, imagens, áudio e vídeo gerados em alta
velocidade e em tempo real, são
exemplos de estruturas , que necessitam
da organização estrutural oferecida por máquinas
para análise. Em BIG DATA , os tamanhos
são relatados em terabytes e petabytes.
Serviços e
aplicativos de assistência médica da IoT
Os sistemas de saúde baseados na IoT
permitem ampla aplicabilidade, incluindo atendimento a pacientes portadores de
necessidades especiais e idosos, supervisão de doenças crônicas , monitoramento
do sono e condicionamento físico.
A
aplicação da IoT na saúde fundamenta-se em dois aspectos: serviços e aplicativos,
explorados sinteticamente nesta exposição.
1. Cuidados personalizados em saúde
A
assistência médica personalizada visa tomar decisões individualizadas para cada
usuário, em vez de estratificar em
grupos de tratamento típicos. Um tratamento assertivo auxiliado pela IoT inclui
a captação de dados originados de várias fontes (por exemplo, do pacientes
e ambiente que está inserido). Esta
análise ampla é crucial, pois facilita a
tomada de decisão e prognóstico positivo nos tratamentos. A captação de dados pode ser por tecnologia
vestível ou implantável, a exemplo sensores ou dispositivos de administração de
terapia, detectores de queda, bombas de insulina implantáveis e monitor do
sono.
2.
Autocuidado, mudança de hábito e prevenção
As tecnologias em IoT permitem implementar mudanças significativas,
que abrangem da prevenção ao tratamento. Esta forma de atuação também
fundamenta medicina P4, que
incluem as ações de predizer, prevenir, personalizar
e incentivar ao paciente a participar de forma ativa desde o diagnóstico às melhores
opções terapêuticas.
Os serviços
inteligentes por meio da análise de dados armazenados,fornecem feedbacks úteis
capazes de implementar algoritmos para auxiliar na prevenção doenças . O
registro preciso pode identificar de fatores de risco , que corroboram na elaboração de intervenções para mudanças
de comportamento que favoreçam a saúde.
O manejo de
doenças crônicas é um outro importante serviço em saúde. Por exemplo, ao considerar os cuidados
necessários em casos de obesidade e diabetes, os sistemas são capazes de
fornecer sugestões para educar e capacitar em novos hábitos nutricionais e
elaborar programas de condicionamento físico de acordo ao estado de saúde do
paciente.
3. Rastreamento, relatório e monitoramento simultâneos
O controle de dados em tempo real
pode salvar vidas no momento de uma consulta médica. Emergências como
insuficiência cardíaca, diabetes, crises
de asma através de recursos anexados a um aplicativo para smartphone são
úteis para controlar qualquer ocorrência , uma vez que os dados pode ser direcionados aos médicos ou
responsáveis através de E-mail e / ou alertas através de SMS na situação de
qualquer crise.
Monitoramento da glicose: Um método de
configuração em IoT para detecção não
invasiva de glicose em tempo real é proposto através de sensores vinculados por meio da conectividade
IPv6 aos prestadores de serviços de saúde relevantes. Este dispositivo inclui
um coletor de glicose no sangue, um telefone celular ou computador e um processador em segundo plano.
Como resultado, análise de dados no sangue revela padrões individuais de
alterações na glicemia , auxilia no planejamento de refeições e horários de medicação.
Monitoramento
do eletrocardiograma: A tecnologia em IoT apresenta um sistema de monitoramento
de ECG, composto por um transmissor de aquisição e processador de recebimento sem fio portátil
. O sistema é composto por um método de automação para detectar dados anormais,
de modo que a função cardíaca possa ser identificada em tempo real.
Monitoramento da saturação de
oxigênio: o oxímetro de pulso com a função Bluetooth apresentado pela wearable Wrist OX2 da Nonin ,por meio de sensores conecta-se diretamente à plataforma Monere. Este
dispositivo pode ser utilizado para visualizar continuamente a saúde do
paciente em uma rede IoT.
4. Acessibilidade
A Cadeira
de rodas composta por uma rede de área corporal sem fio (WBANs- Wireless Bory
Area Networks) integradas a
vários sensores, fornece controle de
vibração e pode perceber a condição do usuário através do monitoramento de sinais vitais. É possível também armazenar
dados ambientais, permitindo a classificação da acessibilidade
local.
5. Vida com assistência ambiental
Uma plataforma IoT alimentada por inteligência
artificial que possibilita
cuidados em saúde para indivíduos idosos é chamada de
vida assistida por ambiente. O objetivo desta abordagem é
prolongar a vida independente dos idosos em seu local de moradia, de
maneira conveniente , segura e com maior autonomia. Neste ambiente estão
presentes arquitetura modular para
automação, segurança, controle e comunicação
por meio do 6LoWPAN, utilizado em comunicações ativas e a identificação
por radiofrequência (RFID – Radio-Frequency IDentification). Comunicações de
campo próximo (NFC-Near Field Communication) são
usadas para transmissão de dados de forma passiva.
6. Assistência médica remota
O
sistema de telessaúde ou monitoramento remoto oferecido por meio de aplicativos, pode
evitar que algumas vezes os pacientes não precisem ir à uma sala de emergência
ou hospital. Este recurso minimiza custos e evita o
deslocamento , favorecendo principalmente a portadores de necessidades
especiais.
Desafios
no campo da IoT
Um dos principais desafios para a
implementação da IoT relaciona-se à
comunicação. Embora muitos dispositivos tenham sensores para coletar dados,
geralmente comunicam com o servidor em seu próprio idioma. Cada um dos
fabricantes possui protocolo individual,
o que corresponde a possível não comunicação entre sensores de origens
distintas. Esse ambiente de software fragmentado, alia-se às preocupações com a privacidade . Os recursos da IoT armazenam
e comunicam informações em tempo real. Estas informações podem ser o alvo de
hackers para gerar IDs falsos , atuando na compra medicamentos e aparelhos
clínicos que possam ser vendidos no futuro.
Outro aspecto relevante a ser
considerado é o alto custo da tecnologia e acessibilidade . Esta condição pode
favorecer crescimento do “Turismo Médico”, na qual pessoas doentes em condições crônicas disponibilizam-se até a atravessar
fronteiras em busca dos serviços
proporcionados pela IoT.
Conclusões
As
soluções tecnológicas em IoT corroboram para aprimorar a prestação dos serviços
de saúde, através de inovação e ampla aplicabilidade;no entanto ainda é um
recurso de custo elevado. A transmissão
e recepção de dados em tempo real por meio
de sensores, dispositivos,
aplicativos pode proporcionar uma atuação médica mais precisa e individualizada, favorecer o prognóstico dos
tratamentos e corroborar a qualidade de vida do usuário.
Aliada a tecnologia inovadora , desafios ainda existem na instituição da IoT. A segurança de dados do usuário e os protocolos individuais de cada fabricante ,cria um ambiente de comunicação fragmentado , dificultando troca de dados entre tecnologias distintas.
Autoria: Fabiana Cerqueira