Inteligência artificial na saúde | Colunistas

Em artigo anterior, comentei sobre as aplicações da realidade virtual na Medicina. Então, para permanecer na questão da saúde e as novas tecnologias, comentarei, nesse texto, sobre a Inteligência Artificial (IA) e como as novidades nessa área podem contribuir na aplicação dessa tecnologia no campo da saúde.
A definição da IA engloba a capacidade das máquinas tomarem
decisões inteligentes através de uma série de algoritmos, que adquirem um
conhecimento determinado. O algoritmo pode ser considerado como uma receita
para execução de alguma tarefa ou resolver algum problema.
O campo que estuda a Inteligência Artificial é o machine
learning, que, em tradução livre, significa aprendizagem automática. Esse
pode contribuir, por exemplo, na melhoria do trânsito das cidades, no
desenvolvimento de áreas verdes e, também, no âmbito da saúde. Nesse caso, a
contribuição é realizada no auxílio da melhoria da atenção à saúde e na determinação
de diagnósticos precoces, além de propor soluções a problemas específicos. Tudo
isso surge a partir da habilidade que as máquinas possuem de aprender e
utilizar esse conhecimento de forma funcional.
Isto é, a ideia é que os sistemas podem apresentar dados,
identificar padrões e tomar decisões de forma autônoma, necessitando, apenas,
que um ser humano tenha o ensinado por meio da construção de algoritmos
específicos para cada caso.
Vários fatores estão contribuindo para os avanços dessa tecnologia.
São eles: o aumento da disponibilidade de dados, a melhoria da capacidade
computacional e o surgimento de novos algoritmos para problemas mais complexos.
A tendência é que, cada vez mais, surjam novas tecnologias que estimulem as
habilidades das máquinas em contribuir na saúde.
Utilizando dessa ciência, algumas empresas do mercado
pretendem investir nessa área. A Apple pretende transformar o smartphone
em um prontuário médico digital, facilitando a relação do paciente com sua
saúde. Esse recurso permite que os usuários vejam seus dados médicos
diretamente do Iphone, por meio de uma parceria com hospitais dos
Estados Unidos.
Já a empresa da Google pretende antecipar o
diagnóstico de doenças graves por meio da construção de novos algoritmos.
A Google possui um laboratório especializado em
inteligência artificial, o Google DeepMind, que fez uma parceria com o
Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido para desenvolver técnicas
computacionais capazes de diagnosticar doenças oculares em seus estágios
iniciais. Um exemplo é o combate às cegueiras que podem ser evitadas se
tratadas a tempo. A ideia é que os sistemas sejam treinados de forma que sejam
capazes de identificar olhos normais e alterados através de um simples
escaneamento de retina, utilizando-se de um banco de um milhão de scans
oculares anônimos.
Ademais, no passado, a Verily, subsidiária da Google,
apresentou um sistema que ajuda a indicar risco cardíaco ou propensão a AVC,
com uma acurácia de 70%, utilizando-se do banco de dados de exame de retina de
280 mil pacientes.
Foi realizado um
estudo pela Faculdade de Medicina de Harvard com
o intuito de prever quais seriam os indivíduos com maiores riscos de
desenvolver estresse pós traumático. Ao final, a sensibilidade do estudo foi de
95,6%. Esse contribuiu na detecção dos 10% dos indivíduos com maiores fatores
de risco para afecção supracitada. Isso quer dizer que o algoritmo pode contribuir
ao indicar a primazia dos pacientes, priorizando o atendimento a um paciente
com maiores possibilidades de complicações.
Atualmente, uma ferramenta está sendo testada com o intuito de
detectar sepse precoce, e a plataforma mostrou-se bem eficiente nos testes
iniciais. Um estudo em 13 hospitais participantes, com 55 mil pacientes,
apontou uma redução da mortalidade de 25% e o tempo de internação diminuiu 10%.
Ou seja, é mais um dos inúmeros exemplos de como a IA pode contribuir na
melhoria da qualidade da prestação de serviço à saúde.
Previsões de uma empresa de consultoria de negócios, a
Frost & Sullivan, avaliam que, até 2025, cerca de 65% dos hospitais do
mundo utilizarão mecanismos de IA.
Outros exemplos dessa tecnologia aparecem na utilização de
gadgets, que podem auxiliar no cuidado à saúde, como é o caso do novo
relógio inteligente da Apple, que funciona utilizando-se de
acelerômetros que podem reconhecer uma queda de seus usuários. A funcionalidade
acontece ao acionar um pop up de verificação para que
o usuário responda. Caso não haja resposta em um curto espaço de tempo, a
emergência médica é acionada automaticamente e envia mensagens para contatos
pré-definidos. Um exemplo recente ocorreu em setembro de 2019, quando um ciclista norte-americano
acabou sofrendo um traumatismo cranioencefálico e ficou desacordado e o filho
recebeu uma mensagem que o avisou sobre a detecção de uma queda, juntamente com
sua localização.
É importante ressaltar que a inteligência artificial
funciona através de uma máquina e que, por isso, é passível de erros e em
nenhum momento deve ser construída como uma forma de substituir profissionais
de saúde, mas como um apoio às medidas. O relacionamento interpessoal e a
empatia não devem ser alterados pela relação homem-máquina.
Espera-se que, nos próximos anos, haja o surgimento de
novos algoritmos que possam contribuir com a melhoria da saúde na sua
totalidade, beneficiando tanto o profissional, como o paciente. Grande
parte da inovação tecnológica e seus testes ocorre nos Estados Unidos, enquanto
em países subdesenvolvidos, como o Brasil, esses inventos ainda são
desconhecidos. Dessa forma, é perceptível a disparidade entre as inovações
entre as nações de forma geral, não apenas as citadas acima. É importante,
também, que profissionais da área tenham o mínimo de conhecimento de como
funciona a Inteligência Artificial, pois há grandes chances dessa tecnologia
chegar aos demais países nos próximos anos. Conseguimos imaginar como será a evolução da profissão médica ao poder prever
doenças que algum paciente venha desenvolver e, assim, agir antecipadamente?
Você é especialista em análise de dados? Tem experiência
na área? Tem alguma ideia inovadora, que possa contribuir no campo da saúde?
Faça seu relato nos comentários.
Marcel Aureo