Inteligência artificial na saúde | Colunistas

  • novembro 8, 2019
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Inteligência artificial na saúde | Colunistas

Em artigo anterior, comentei sobre as aplicações da realidade virtual na Medicina. Então, para permanecer na questão da saúde e as novas tecnologias, comentarei, nesse texto, sobre a Inteligência Artificial (IA) e como as novidades nessa área podem contribuir na aplicação dessa tecnologia no campo da saúde.

A definição da IA engloba a capacidade das máquinas tomarem
decisões inteligentes através de uma série de algoritmos, que adquirem um
conhecimento determinado. O algoritmo pode ser considerado como uma receita
para execução de alguma tarefa ou resolver algum problema.

O campo que estuda a Inteligência Artificial é o machine
learning
, que, em tradução livre, significa aprendizagem automática. Esse
pode contribuir, por exemplo, na melhoria do trânsito das cidades, no
desenvolvimento de áreas verdes e, também, no âmbito da saúde. Nesse caso, a
contribuição é realizada no auxílio da melhoria da atenção à saúde e na determinação
de diagnósticos precoces, além de propor soluções a problemas específicos. Tudo
isso surge a partir da habilidade que as máquinas possuem de aprender e
utilizar esse conhecimento de forma funcional.

Isto é, a ideia é que os sistemas podem apresentar dados,
identificar padrões e tomar decisões de forma autônoma, necessitando, apenas,
que um ser humano tenha o ensinado por meio da construção de algoritmos
específicos para cada caso.

Vários fatores estão contribuindo para os avanços dessa tecnologia.
São eles: o aumento da disponibilidade de dados, a melhoria da capacidade
computacional e o surgimento de novos algoritmos para problemas mais complexos.
A tendência é que, cada vez mais, surjam novas tecnologias que estimulem as
habilidades das máquinas em contribuir na saúde.

Utilizando dessa ciência, algumas empresas do mercado
pretendem investir nessa área. A Apple pretende transformar o smartphone
em um prontuário médico digital, facilitando a relação do paciente com sua
saúde. Esse recurso permite que os usuários vejam seus dados médicos
diretamente do Iphone, por meio de uma parceria com hospitais dos
Estados Unidos.

Já a empresa da Google pretende antecipar o
diagnóstico de doenças graves por meio da construção de novos algoritmos.

A Google possui um laboratório especializado em
inteligência artificial, o Google DeepMind, que fez uma parceria com o
Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido para desenvolver técnicas
computacionais capazes de diagnosticar doenças oculares em seus estágios
iniciais. Um exemplo é o combate às cegueiras que podem ser evitadas se
tratadas a tempo. A ideia é que os sistemas sejam treinados de forma que sejam
capazes de identificar olhos normais e alterados através de um simples
escaneamento de retina, utilizando-se de um banco de um milhão de scans
oculares anônimos.

Ademais, no passado, a Verily, subsidiária da Google,
apresentou um sistema que ajuda a indicar risco cardíaco ou propensão a AVC,
com uma acurácia de 70%, utilizando-se do banco de dados de exame de retina de
280 mil pacientes.

Foi realizado um
estudo pela Faculdade de Medicina de Harvard
com
o intuito de prever quais seriam os indivíduos com maiores riscos de
desenvolver estresse pós traumático. Ao final, a sensibilidade do estudo foi de
95,6%. Esse contribuiu na detecção dos 10% dos indivíduos com maiores fatores
de risco para afecção supracitada. Isso quer dizer que o algoritmo pode contribuir
ao indicar a primazia dos pacientes, priorizando o atendimento a um paciente
com maiores possibilidades de complicações.

Atualmente, uma ferramenta está sendo testada com o intuito de
detectar sepse precoce
, e a plataforma mostrou-se bem eficiente nos testes
iniciais. Um estudo em 13 hospitais participantes, com 55 mil pacientes,
apontou uma redução da mortalidade de 25% e o tempo de internação diminuiu 10%.
Ou seja, é mais um dos inúmeros exemplos de como a IA pode contribuir na
melhoria da qualidade da prestação de serviço à saúde.

Previsões de uma empresa de consultoria de negócios, a
Frost & Sullivan
, avaliam que, até 2025, cerca de 65% dos hospitais do
mundo utilizarão mecanismos de IA.

Outros exemplos dessa tecnologia aparecem na utilização de
gadgets, que podem auxiliar no cuidado à saúde, como é o caso do novo
relógio inteligente da Apple, que funciona utilizando-se de
acelerômetros que podem reconhecer uma queda de seus usuários. A funcionalidade
acontece ao acionar um pop up de verificação para que
o usuário responda. Caso não haja resposta em um curto espaço de tempo, a
emergência médica é acionada automaticamente e envia mensagens para contatos
pré-definidos. Um exemplo recente ocorreu em setembro de 2019, quando um ciclista norte-americano
acabou sofrendo um traumatismo cranioencefálico e ficou desacordado e o filho
recebeu uma mensagem que o avisou sobre a detecção de uma queda, juntamente com
sua localização.

É importante ressaltar que a inteligência artificial
funciona através de uma máquina e que, por isso, é passível de erros e em
nenhum momento deve ser construída como uma forma de substituir profissionais
de saúde, mas como um apoio às medidas. O relacionamento interpessoal e a
empatia não devem ser alterados pela relação homem-máquina.

Espera-se que, nos próximos anos, haja o surgimento de
novos algoritmos que possam contribuir com a melhoria da saúde na sua
totalidade, beneficiando tanto o profissional, como o paciente. Grande
parte da inovação tecnológica e seus testes ocorre nos Estados Unidos, enquanto
em países subdesenvolvidos, como o Brasil, esses inventos ainda são
desconhecidos. Dessa forma, é perceptível a disparidade entre as inovações
entre as nações de forma geral, não apenas as citadas acima. É importante,
também, que profissionais da área tenham o mínimo de conhecimento de como
funciona a Inteligência Artificial, pois há grandes chances dessa tecnologia
chegar aos demais países nos próximos anos. Conseguimos imaginar como será a evolução da profissão médica ao poder prever
doenças que algum paciente venha desenvolver e, assim, agir antecipadamente?

Você é especialista em análise de dados? Tem experiência
na área? Tem alguma ideia inovadora, que possa contribuir no campo da saúde?
Faça seu relato nos comentários.

Marcel Aureo

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