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Insônia | Colunistas

insônia-Amanda Miranda

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A insônia é um dos distúrbios do sono mais comuns e associa-se ao aumento da morbimortalidade por doenças cardiovasculares, psiquiátricas e acidentes.

Definição

Trata-se de uma experiência subjetiva de sono inadequado, com dificuldade em iniciar ou na manutenção do sono, despertares precoces e “sono não reparador”.

Esses sintomas devem ocorrer pelo menos 3 vezes por semana por no mínimo 1 mês e devem estar associados a sofrimento e/ou prejuízo no funcionamento social e ocupacional do indivíduo.

Epidemiologia

Estudos estimam uma prevalência de insônia entre 10 e 50% dos pacientes da Atenção Primária à Saúde. Transtornos do humor e de ansiedade estão presentes em 30 a 50% dos pacientes com insônia.

A prevalência das queixas de insônia aumenta com a idade e é maior entre mulheres, divorciados, viúvos e indivíduos com baixo nível socioeconômico e educacional.

A perda crônica de sono, observada na insônia não tratada, é um fator de risco para acidentes de trânsito e de trabalho, perda de emprego, surgimento de problemas sociais e para a redução na saúde global e na qualidade de vida.

Classificação

Pode ser classificada quanto ao tempo em:
– Aguda (menos de 2-3 semanas): geralmente causada por um fator identificável;
– Crônica (várias vezes ao ano por pelo menos 2 anos, tendo cada episódio duração mínima de 3 dias): sua investigação exige abordagem clínica sistematizada.

Também pode ser classificada como leve, moderada ou grave de acordo com a intensidade dos sintomas e com o prejuízo psicossocial a ela associados.

Também pode ser classificada em:
– Primária: não ocorre concomitantemente a outro transtorno do sono ou mental, nem se deve aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou de uma condição médica;
– Secundária: é causada por algum fator identificável, como uma condição médica ou psicológica. Sua prevalência é maior do que a da insônia primária.

Tratamento

NÃO FARMACOLÓGICO

  1. Higiene do sono
    Inclui um conjunto de hábitos comportamentais que facilitam o adormecer e a manutenção do sono.
  2. Terapia cognitivo-comportamental
    É considerada por várias sociedades médicas como o tratamento padrão.
    Tem revelado ter eficácia comparável aos hipnóticos a curto-prazo e ser mais eficaz a longo prazo (> 6 meses).
    Inclui diferentes estratégias em um programa de 4 a 8 sessões, com o objetivo de identificar pensamentos, crenças e atitudes disfuncionais que perpetuam ou precipitam a insônia e substituí-los por comportamentos mais adequados.
    É recomendada como primeira linha de tratamento na insônia sem comorbidades.
  3. Controle de estímulo
    Objetiva auxiliar o indivíduo a associar a cama apenas ao sono e atividade sexual, e não a sentimentos negativos, como o medo de não conseguir dormir, ou a outras atividades que possam interferir no sono.
    Aumenta a qualidade do sono e tem efeitos mantidos a longo prazo.
  4. Restrição do sono
    Alguns indivíduos com insônia permanecem mais tempo na cama para tentarem recuperar o “sono perdido”, o que acarreta em uma maior dificuldade a iniciar o sono na noite seguinte e uma maior necessidade de permanecer na cama nas manhãs seguintes.
    Essa estratégia visa induzir uma privação de sono temporária (não inferior a 5-5,5h), reduzindo voluntariamente o tempo passado na cama até um nível que o paciente não está habituado.
    Essa estratégia está indicada para pacientes com baixa eficiência do sono, isto é, pacientes em que a razão entre o tempo total que passam dormindo e o tempo total que passam na cama é inferior a 85%, ou seja, pessoas que passam muitas horas na cama mas têm tempo total de sono baixo.
    Pode aumentar a sonolência diurna e diminuir o tempo de reação.
  5. Relaxamento
    Técnicas de relaxamento são eficazes para reduzir a excitação fisiológica e psicológica e, assim, promover o sono.
    É mais eficaz para melhorar a fase inicial do sono, devendo ser utilizado durante o dia, antes de deitar e no meio da noite se o paciente não conseguir dormir.
  6. Intenção paradoxal
    Objetiva diminuir a ansiedade associada ao medo de não conseguir adormecer ou não dormir o suficiente.
    O paciente é instruído a tentar não adormecer e manter-se acordado o maior tempo possível, o que faz com que o paciente relaxe e acabe adormecendo.
  7. Exercício físico
    Parece ter um efeito benéfico na qualidade do sono, diminuindo as queixas de insônia e o uso de medicação hipnótica.
    Uma sessão de atividade física de exercício aeróbico moderado (exemplo: caminhada) tem benefícios como: diminuição da latência do sono e da ansiedade prévia a adormecer e aumento da eficiência do sono e do tempo total de sono.
    Prática de exercício regular parece ter melhorias semelhantes às encontradas para os hipnóticos, sendo que a maioria dos estudos se referem ao exercício aeróbico moderado.
    Importante evitar atividade física nas 2 horas antes de deitar!
Fonte: Rev Bras Med Fam Comunidade. Rio de Janeiro, 2016 Jan-Dez; 11(38):1-14

Farmacológico

A farmacoterapia deve ser considerada em situações agudas com necessidade de redução dos sintomas.

  1. Fármacos hipnóticos
    Indicados quando os sintomas assumem caráter patológico, não devendo ser utilizados de rotina no tratamento de insônias leves a moderadas.
    O paciente deve ser informado, antes do início do tratamento, sobre o risco de habituação, síndrome de privação, toxicidade com a ingestão concomitante de álcool e/ou sedativos e risco de quedas.
    Há 2 principais tipos:
    – Agonistas dos receptores das benzodiazepinas: produzem um efeito hipnótico semelhante aos benzodiazepínicos, tendo como exemplo o zolpidem.
    Seu uso está recomendado no tratamento da insônia a curto prazo, especialmente na insônia inicial. Deve ser usado por curtos períodos (< 4 semanas).
    – Benzodiazepínicos: também são recomendados apenas na fase aguda das queixas, na menor dose possível e por 2-4 semanas somente.
    Se a queixa for de insônia inicial, preferir benzodiazepínico de curta ação; já se a queixa dor de dificuldade de manutenção do sono, preferir um benzodiazepínico de ação prolongada.
  2. Antidepressivos
    Não há evidência que sustente sua eficácia na insônia sem comorbidades médicas ou psiquiátricas, mas podem estar indicados como tratamento de primeira linha quando a insônia está associada a sintomas depressivos ou de ansiedade, ou em pacientes que fazem abuso de substâncias.
  3. Antipsicóticos
    Não estão recomendados em pacientes sem psicose, pois não há evidência comprovada de sua eficácia.
  4. Melatonina
    Apresenta efeitos modestos no tratamento da insônia sem comorbidades, diminuindo a latência do sono, aumentando o tempo total de sono e a qualidade do sono. Mas seus efeitos são inferiores aos de outros tratamentos farmacológicos.
    Poderá ser uma escolha de tratamento na perturbação do sono relacionada ao ritmo circadiano.
Fonte: Rev Bras Med Fam Comunidade. Rio de Janeiro, 2016 Jan-Dez; 11(38):1-14

Referências

  1. Rev Bras Med Fam Comunidade. Rio de Janeiro, 2016 Jan-Dez; 11(38):1-14
  1. https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1344951557Diretrizes%20para%20Insonia%20final.pdf
  1. http://jararaca.ufsm.br/websites/lan/download/Consensos/insonia.pdf

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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