Injeção anticoncepcional: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
A injeção anticoncepcional é uma forma contraceptiva de longa duração que vem ganhando popularidade entre mulheres que buscam uma alternativa segura e prática para evitar a gravidez. Este método consiste na aplicação de um hormônio que atua inibindo a ovulação e alterando o ambiente uterino, impedindo a fecundação.
Existem diferentes tipos de injeções anticoncepcionais disponíveis, sendo as mais comuns a injeção mensal e a trimestral.
Mecanismos de ação da injeção anticoncepcional
A injeção anticoncepcional age primariamente por meio da inibição da ovulação, mas também afeta o muco cervical e o endométrio. As injeções mensais geralmente contêm uma combinação de estrogênio e progestagênio, enquanto a injeção trimestral tem como composição exclusivamente o progestagênio. Esses hormônios suprimem a liberação dos hormônios folículo-estimulante (FSH) e luteinizante (LH), responsáveis pelo desenvolvimento do folículo ovariano e pela ovulação, respectivamente.
Além de impedir a ovulação, o progestagênio torna o muco cervical mais espesso, dificultando a passagem dos espermatozoides e, portanto, reduzindo as chances de fecundação. Esse mesmo hormônio também promove a atrofia endometrial, o que impede a implantação de um possível embrião no útero.
Tipos de injeções anticoncepcionais
Injeção mensal
As injeções mensais contêm uma combinação de estrogênio e progestagênio e deve-se aplicá-las a cada 30 dias. Essa combinação hormonal confere a esses contraceptivos um perfil de eficácia elevado, semelhante ao das pílulas anticoncepcionais. A principal vantagem da injeção mensal é o ciclo menstrual mais regular e previsível, o que atrai pacientes que preferem continuar com ciclos regulares.
Injeção trimestral
A injeção trimestral, por outro lado, utiliza apenas o progestagênio, administrada a cada três meses. Indica-se esse método para pacientes que não desejam ou não podem utilizar o estrogênio, como aquelas com histórico de trombose, hipertensão ou enxaqueca.
Contudo, como essa injeção causa amenorreia (ausência de menstruação) em até 50% das usuárias após um ano de uso, pode não ser ideal para pacientes que preferem manter um ciclo menstrual regular.
Eficácia
A eficácia da injeção anticoncepcional é alta, com taxas de falha semelhantes às de outros métodos hormonais de longa duração, como o implante subdérmico e o dispositivo intrauterino hormonal. Em uso perfeito, a taxa de falha é de aproximadamente 0,3%, mas em uso típico – que considera possíveis atrasos na aplicação da próxima dose – essa taxa pode chegar a 6%. A principal causa de falha é o esquecimento ou o atraso nas aplicações, especialmente com a injeção mensal, que exige uma adesão mais frequente ao calendário de aplicação.
Estudos mostram que a eficácia da injeção trimestral é ligeiramente superior à da injeção mensal, pois a administração a cada três meses reduz a chance de esquecimento e mantém níveis hormonais mais consistentes no organismo. Assim, para mulheres que têm dificuldade em aderir a métodos contraceptivos diários ou mensais, a injeção trimestral representa uma opção segura e prática.
Efeitos colaterais e riscos
Os efeitos colaterais mais comuns das injeções anticoncepcionais incluem ganho de peso, alterações no humor, dores de cabeça e irregularidades menstruais. Associa-se frequentemente a injeção trimestral, por exemplo, a sangramentos irregulares nos primeiros meses de uso, mas esses episódios tendem a reduzir com o tempo, podendo evoluir para amenorreia. Essa ausência de menstruação é bem aceita por algumas pacientes, enquanto outras consideram desconfortável.
O ganho de peso é outro efeito colateral comum, especialmente com o uso da injeção trimestral. Embora ocorra um aumento moderado do peso na maioria dos casos, ele ocorre devido à ação do progestagênio no metabolismo e no apetite, fatores que podem desencorajar algumas pacientes.
Riscos à saúde
Assim como outros métodos hormonais, as injeções anticoncepcionais apresentam alguns riscos à saúde. Pacientes com histórico de doenças cardiovasculares, câncer de mama ou outras condições sensíveis a hormônios devem evitar o uso de injeções que contêm estrogênio. Em tais casos, a injeção trimestral, composta apenas por progestagênio, é a opção preferida.
Além disso, mulheres com histórico de fraturas ou osteopenia devem ser avaliadas antes de iniciar a injeção trimestral, pois o uso prolongado de progestagênio pode reduzir a densidade mineral óssea.
Considerações clínicas para o uso
Indicações da injeção anticoncepcional
As injeções anticoncepcionais são indicadas para mulheres que buscam um método eficaz de longo prazo, sem a necessidade de adesão diária. A escolha entre a injeção mensal ou trimestral depende de fatores individuais, como histórico de saúde, preferências quanto ao ciclo menstrual e adesão ao calendário de aplicação. A injeção mensal é geralmente recomendada para mulheres saudáveis que não possuem contraindicações ao estrogênio e preferem um ciclo regular, enquanto a injeção trimestral é ideal para pacientes que desejam evitar o estrogênio e podem aceitar a amenorreia.
Contraindicações
Embora as injeções anticoncepcionais sejam seguras para a maioria das mulheres, existem contraindicações que devem ser avaliadas pelo médico antes da prescrição. Mulheres com histórico de tromboembolismo venoso, câncer de mama, doença hepática grave ou enxaqueca com aura devem evitar a injeção mensal. Em caso de contraindicação ao estrogênio, a injeção trimestral pode ser considerada, embora também deva ser cuidadosamente avaliada.
Além disso, como mencionado, a injeção trimestral está associada a uma redução na densidade óssea. Esse efeito é mais pronunciado em pacientes jovens e pode ter implicações a longo prazo na saúde óssea. Assim, para mulheres adolescentes ou com fatores de risco para osteoporose, é recomendável avaliar cuidadosamente a duração do uso desse método.

Acompanhamento clínico em pacientes que utilizam injeção anticoncepcional
O acompanhamento regular é essencial para pacientes que utilizam a injeção anticoncepcional, pois permite monitorar a resposta ao tratamento e identificar possíveis efeitos colaterais. Durante as consultas de acompanhamento, o médico pode avaliar o peso, pressão arterial e queixas específicas, além de reforçar a importância da adesão ao calendário de aplicação. No caso da injeção trimestral, a densitometria óssea pode ser indicada para monitorar a saúde óssea de usuárias de longo prazo.
Vantagens e desvantagens da injeção anticoncepcional
Dentre as principais vantagens, é possível citar:
- Alta eficácia: as injeções anticoncepcionais apresentam taxas de eficácia elevadas quando aplicadas corretamente, comparáveis a outros métodos contraceptivos hormonais
- Praticidade: por não exigir adesão diária, as injeções são uma opção prática para mulheres com dificuldade em manter o uso diário de pílulas
- Flexibilidade no ciclo menstrual: a injeção mensal oferece um ciclo mais regular, enquanto a trimestral possibilita a amenorreia, o que pode ser uma vantagem para algumas pacientes.
Desvantagens da injeção anticoncepcional
- Efeitos colaterais: o ganho de peso, alterações no humor e irregularidades menstruais são efeitos comuns que podem afetar a experiência da paciente.
- Risco de redução da densidade óssea: no caso da injeção trimestral, o uso prolongado pode reduzir a densidade óssea, especialmente em mulheres jovens.
- Dependência do calendário: a eficácia depende da adesão ao calendário de aplicação, e atrasos podem reduzir a proteção contraceptiva.
Referência bibliográfica
- SOUZA, Cesar Eduardo Fernandes de. Tratado de ginecologia. 2. ed. São Paulo: Roca, 2020.
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A injeção anticoncepcional é uma alternativa eficaz e prática para mulheres que buscam evitar a gravidez sem a necessidade de métodos diários. Com alta taxa de eficácia e opções que permitem flexibilidade no ciclo menstrual, esse método se destaca entre as opções contraceptivas de longo prazo. No entanto, é essencial considerar os efeitos colaterais e contraindicações antes de prescrever a injeção, especialmente no caso da opção trimestral.
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