Mentiras tendem a se espalhar mais rápido que a verdade, e este é um fato conhecido desde os primórdios da humanidade. Por isso que no nosso post de hoje falaremos da infodemia, a pandemia da desinformação que assola o mundo em paralelo à pandemia pelo SARS-CoV-2.
O número de fake news e desinformação que se propagaram durante a pandemia da COVID-19 tomou proporções além do alcance das autoridades.
A luta contra o vírus será fortemente abalada se a luta contra a desinformação não ocorrer também em paralelo, já que as falsas notícias não são inócuas, pois levam a crenças e convicções, que por sua vez geram ações prejudiciais à saúde individual e coletiva.
Há estudos atuais que mostram que a desinformação, quando não contra-atacada imediatamente, irá se tornar impregnada na memória a longo prazo.
Neste post pretendemos trazer o ponto de vista interessantíssimo de pesquisadores que acreditam que a aplicação do modelo epidemiológico de combate à doenças pode ser um meio eficaz de combater a desinformação.
Alguns exemplos de desinformação e fake news
Para citar alguns exemplos de desinformação e fake news que podem ser prejudiciais no combate contra a COVID-19, seguem algumas informações com as quais as autoridades tivem de lidar:
- A pandemia da COVID-19 é uma farsa;
- Os especialistas estão exagerando a gravidade e potencial de disseminação do vírus;
- Máscaras são ineficazes;
- Máscaras aumentam a chance de infecção;
- As vacinas da COVID-19 causam a própria doença;
- As vacinas da COVID-19 alteram o DNA do receptor;
- As vacinas da COVID-19 possuem dispositivos de rastreamento.
Você pode achar que tais informações são pouco danosas, mas estudos mostram, por exemplo, que acreditar em tais informações levam a “menor probabilidade de se envolver em um comportamento preventivo e uma menor vontade de ser vacinado”.
Aplicando o modelo epidemiológico para vencer a desinformação
O modelo epidemiológico de combate às doenças consiste em vigilância em tempo real, diagnóstico preciso e resposta rápida.
Vigilância “infodêmica”
Os métodos para rastrear o aparecimento de novos casos de uma determinada doença podem ser transplantados para o que os pesquisadores chamaram de vigilância “infodêmica”.
Isto é, todas as vezes que a taxa de propagação de uma informação falsa superar um determinado limite, isto deve ser rastreado pelos responsáveis.
Para que isto possa ocorrer, sistemas de vigilância sensíveis devem agir antes que a propagação da falsa notícia se torne “viral”.
O “diagnóstico” da informação falsa
Assim como um dos pontos mais importantes consiste na capacidade de diagnosticar corretamente novas doenças infecciosas, os sistemas de vigilância devem ser capazes de diagnosticar o conteúdo daquela desinformação e saber categorizá-la quanto à sua origem, transmissão, virulência, forma de prevenção e quebra da cadeia de transmissão.
A resposta rápida contra a desinformação
Uma vez identificada a desinformação, esta deve receber a tratativa adequada de acordo com o grau de disseminação tomado. A proporção da disseminação se torna importante pois há um limite a partir do qual deve-se agir rapidamente.
Por outro lado, deve-se tomar cuidado para não agir antes do tempo esperado, e acabar chamando ainda mais atenção para a notícia falsa.
Algumas destas desinformações são previsíveis, como os boatos que surgiram em torno da vacinação, e podem ser prevenidas antes mesmo que ocorram.
Concluindo: é preciso combater a infodemia
O excesso de informação e a propagação de notícias e afirmações falsas são inimigos perigosos que enfrentamos em paralelo ao grande inimigo, o vírus SARS-CoV-2.
Para combatê-los, é preciso antes de tudo não subestimar seu poder de influenciar pessoas, e as estratégias de combate podem seguir as estratégias utilizadas no combate às doenças infecciosas.
Um grande número de pessoas podem ser salvas de condutas errôneas e prejudiciais para si, bem como para a coletividade, se puderem tomar conhecimento da verdade a respeito dos fatos.
É nosso papel, como médicos e profissionais da saúde, tornamo-nos fontes confiáveis de propagação das informações, contribuindo no modelo epidemiológico de combate a infodemia da COVID-19.
Referências
The Covid-19 Infodemic — Applying the Epidemiologic Model to Counter Misinformation – NEJM