Anúncio

Infecção do trato urinário em pediatria | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A Infecção do Trato Urinário, comumente conhecida como infecção urinária, é uma das causas mais comuns de busca a um pediatra. Em vista disso, cabe ao estudante de medicina compreender os mecanismos dessa patologia, bastante frequente entre as crianças e adolescentes, como abordá-la e as formas de prevenção.

Introdução

Na área de Pediatria, a Infecção do Trato Urinário é uma queixa comumente encontrada. Essa doença pode atingir todas as faixas etárias e corresponde a infecção bacteriana no sistema urinário, causando quadro clínico variado a depender de fatores como idade, estado nutricional e presença de infecções anteriores. O diagnóstico precoce é de extrema importância, visto que o indivíduo pode cursar com complicações agudas e crônicas. Uma vez que há tratamento e profilaxia, e considerando a alta demanda nos centros de saúde, convém compreender os possíveis perfis de pacientes acometidos e como tratá-los.

Definição e Epidemiologia

Infecção do Trato Urinário, ou ITU, é um quadro infeccioso no qual ocorre fixação e multiplicação bacteriana no sistema urinário, podendo acometer apenas uma região ou todo o trato urinário (TU). Em casos de infecção localizada no parênquima renal, a ITU é chamada de pielonefrite, e na bexiga, é chamada de cistite ou infecção urinária baixa. Essa patologia representa uma doença bacteriana de elevada morbidade entre os pacientes com até 11 anos de idade, sendo mais comum entre os meninos até o primeiro ano de vida e alternando a maior frequência entre o sexo feminino até os 6 anos de idade. Pode afetar todos os grupos etários, especialmente lactentes. De acordo com o Tratado de Pediatria da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), alguns fatores importantes para a suspeita diagnóstica são: dor à palpação da região abdominal ou suprapúbica, cor branca, história prévia de ITU e urina com mau cheiro.

Fisiopatologia

A ITU em crianças e adolescentes costuma ocorrer através da via ascendente, quando há colonização da região periuretral por germes chamados de uropatogênicos advindos do trato gastrointestinal, onde, por vezes, o colonizam sem causar danos. Em casos de recém-nascidos, vale considerar também a via hematogênica. Esses microrganismos, quando atingem o trato urinário, são capazes de causar alterações e sintomas característicos nos acometidos. Os agentes etiológicos podem ser bactérias gram-positivas ou gram-negativas, sendo a mais comum a Escherichia coli em crianças, presente em aproximadamente 80% dos casos. Além da E. coli, podem ser encontradas Klebsiella, Proteus, Enterobacter, Straphylococcus saprophyticus, Enterococcus e Staphylococcus aureus.

Quadro clínico

A apresentação sintomatológica da ITU pode variar de acordo com a faixa etária e o seguimento do trato urinário acometido. Além disso, o estado nutricional, alterações anatômicas no TU, infecções anteriores e tempo desde o último caso de ITU são fatores que também influenciam no quadro do paciente.

Segundo a SBP, entre os recém-nascidos, é comum haver quadro séptico, baixo ganho de peso, vômitos, irritabilidade, convulsões e dificuldade de sucção, além de bacteremia, uma vez que a via hematogênica de disseminação da infecção é comum nesse grupo etário. Nos lactentes, geralmente ocorre apenas febre, e, mais raramente, pode ocorrer hiporexia, vômitos, dor abdominal e baixo ganho ponderal. Entre os pré-escolares e escolares, ocorre febre e outros sinais mais específicos de pielonefrite aguda ou cistite, como dor abdominal ou nos flancos, e incontinência urinária. Em adolescentes acometidos por ITU, as manifestações podem ser disúria, polaciúria e dor à micção. Salienta-se que em adolescentes do sexo feminino é comum a síndrome de disúria-frequência, cursando com sensação de queimação ao urinar, desconforto suprapúbico e frequência urinária aumentada.

 Diagnóstico

Inicialmente, o diagnóstico clínico deve abranger um exame físico completo, avaliando-se o crescimento ponderal, desenvolvimento neuropsicomotor, sinal de Giordano, hidronefrose, o jato urinário e exame da genitália externa. Como exame complementar, o teste laboratorial de urina é de grande importância, e vale salientar que a coleta realizada de maneira inadequada pode resultar falso-positivos. Neste exame avalia-se a contagem de UFC (Unidades Formadoras de Colônias), presença de piócitos e de bactérias, pH, hematúria microscópica, e outros sinais mais específicos de cada espécie de bactéria.

 Tratamento

Conforme recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, o pediatra deve avaliar os aspectos morfofuncionais do TU para prevenir doença renal progressiva, além de erradicar o agente infeccioso, reconhecer pacientes de alto risco de lesão renal e prevenir recorrências. O tratamento sintomático pode ocorrer com analgésicos, antitérmicos e reidratação oral ou parenteral. O médico atendente deve preocupar-se com sinais de choque séptico ou hipovolêmico quanto mais nova for a criança.

Para eliminação do agente infeccioso, deve haver a coleta de maneira correta e análise do exame laboratorial e a escolha adequada do antibiótico, sendo não nefrotóxico e preferencialmente administrado por via oral. Quanto à necessidade ou não de internação, cabe ao clínico analisar a faixa etária e a gravidade da infecção do paciente, e a via de administração do medicamento escolhido. Tendo como objetivo prevenir possíveis recidivas, a criança deve continuar o tratamento com baixas doses da medicação logo após a conclusão do tratamento erradicador.

Devido à alta associação de anomalias do TU e ITU, é válido realizar uma avaliação morfofuncional, visando identificar possíveis fatores que predisponham o paciente a infecções recidivas, uma vez que o fluxo de urina livre é uma condição de defesa. Para essa análise, é possível solicitar exames ultrassonográficos, cintilográficos, urológicos, radiológicos e urodinâmicos. Logo, o profissional de saúde deve conhecer a fisiologia e anatomia do trato urinário e saber identificar possíveis alterações importantes e como abordá-las.

Conclusão

Infecções do Trato Urinário são comuns não apenas no departamento de urologia, mas também na clínica pediátrica, onde principalmente os recém-nascidos e lactentes necessitam de uma atenção redobrada. Possíveis causas de ITU são anomalias anatomofuncionais, o que torna preciso o entendimento do sistema urinário não apenas sob o ponto de vista clínico, mas sua anatomia e mecanismos fisiológicos. A abordagem de cada paciente deve ser individualizada, considerando-se sua idade, sintomatologia e achados da anamnese. Portanto, cabe ao estudante e ao profissional de saúde reconhecer as diferentes apresentações da ITU, como a diagnosticar e tratar, além de detectar anomalias do TU.

Autora: Maria Jayne Lira de Araújo

Instagram: @mjayne.lira


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

CAUDURO, M.P. J. Pediatria. Porto Alegre: Grupo A, 2017. 9788582714478. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582714478/. Acesso em: 29 Jun 2021.

PEDIATRIA, S.B. D. Tratado de Pediatria, Volume 1. Barueri, SP: Editora Manole, 2017. 9788520455869. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455869/. Acesso em: 29 Jun 2021.


Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀