A infecção do trato urinário (ITU) é a mais frequente infecção bacteriana em pediatria. É definida como a invasão e multiplicação de uma bactéria na via urinária ou no rim, identificada por urocultura.
A epidemiologia da ITU varia conforme a idade e o sexo. No primeiro ano de vida, ocorre mais em meninos com incidência de 3,7%, ficando as meninas com 2%. Em neonatos febris esses dados ficam ainda mais marcantes, com meninas com 5% de incidência e meninos com 20,3%.
Essa estatística muda conforme a criança cresce. Meninas pré-púberes têm incidência de 3%, enquanto meninos ficam com 1%. Estima-se que cerca de 30% das crianças que apresentam um quadro de infecção urinária evolua com recidiva após 6 a 12 meses do primeiro episódio. O pico de incidência da ITU é bimodal, a primeira fase ocorre entre os 3 e 5 anos de idade e a segunda na adolescência.
O diagnóstico precoce de ITU é de fundamental importância para prevenir a formação de cicatriz capaz de evoluir para hipertensão ou insuficiência renal, sobretudo ao acometer neonatos e lactentes.

Imagem: Anatomia do trato urinário. Fonte: Manual MSD, 2019
Infecção do Trato Urinário: agente etiológico e fisiopatologia
O trato urinário é considerado uma parte estéril do organismo. Porém, em neonatos e lactentes, a uretra costuma estar colonizada por Escherichia coli, Enterobacteriaceae e Enterococus sp e, em meninos não circucindados, o prepúcio é colonizado por diversas espécies de Proteus. Se essas bactérias ascenderem para a bexiga, ocorre uma ITU. É esperado que essa colonização não exista após o quinto ano de vida.
A E. coli uropatogênica é a bactéria que mais causa ITU de comunidade, pois apresenta fimbrias que permitem adesão ao epitélio da bexiga e do trato urinário superior, auxiliando na sua ascensão. Elas podem ficar quiescentes no trato urinário, sendo reativadas por mecanismos ainda desconhecidos.
