Infecção no acesso venoso central: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
A infecção é uma complicação comum no acesso venoso central. A sua grande importância está relacionada a aumento do tempo de internação, risco duas vezes maior de morte pós-procedimento, além de ser uma dos principais representantes de infecção hospitalar no Brasil.
De uma forma geral, essa infecção ocorre em aproximadamente 19% dos pacientes em uso desse dispositivo, sendo 7% infecções locais e 12% casos de bacteremia associada ao cateter.
Sintomatologia da infecção no acesso venoso central
Os sinais e sintomas variam bastante a depender do sítio de acesso, localização e gravidade da infecção.
Infecção sistêmica no acesso venoso central
Quando há disseminação hematogênica, o paciente pode apresentar:
- Febre
- Calafrios
- Prostração e instabilidade hemodinâmica
Esses podem ser sinais de bacteremia, sepse, endocardite ou presença de embolia séptica.

Infecção local no acesso venoso central
Ocorre quando somente o sítio de saída do cateter é afetado, sem haver disseminação dos microrganismos pela corrente sanguínea.

Nesse caso, pode-se notar dor local, edema, eritema, hipertermia e secreção purulenta.
Prevenção de infecção
A prevenção da infecção pode ser feita com algumas medidas, são elas:
- Educação e treinamento
- Observar os tipos de cateter e sítio de inserção
- Técnica de inserção
- Cuidado local
- Troca de cateter
Educação e treinamento
É essencial que toda a equipe de saúde, desde os profissionais que inserem o cateter até os que cuidam dele após o procedimento, sejam capacitados acerca da antissepsia, assepsia, técnica de punção e os demais cuidados necessários durante todo período de internamento.
Tipo de cateter e sítio de inserção
A escolha do tipo de cateter e a veia central a ser puncionada deve levar em conta o objetivo do procedimento, bem como a duração prevista e possíveis complicações que possam ocorrer.
Ex. Evitar punção da veia femoral em pacientes obesos
Técnica de inserção
- Usar técnica asséptica (luvas estéreis, campos cirúrgicos, avental cirúrgico…)
- Higienizar as mãos antes do procedimento e quando for necessário manipular os componentes.
- Fazer antissepsia minuciosa da pele, de preferência, com clorexidina alcoólica a 0,5%)
- Não utilizar antibioticoprofilaxia para a punção.
Cuidado local
O local onde está sendo realizado o acesso deve ser foco de sua atenção. Para isso, lembre-se de:
- Usar curativo estéril com gaze para cobrir o sítio de punção
- Monitorar o curativo regularmente, substituindo-o quando estiver úmido, solto ou sujo.
- Não submergir o cateter em água, protegendo-o durante o banho.
Troca do cateter
Se um cateter não for removido, deve ser trocado por um fio ou uma solução de bloqueio instilada. Essas soluções normalmente são um anticoagulante (heparina ou citrato) e/ou altas concentrações de um antibiótico de pequeno volume. Atenção a:
- Remover o cateter assim que cumprir com seu objetivo e não for mais necessário;
- Não trocar o cateter rotineiramente
- Não trocar o cateter por um fio-guia caso suspeite de infecção.
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Referências
- Michael P Young, MDTheodore H Yuo, MD, MSc. Overview of complications of central venous catheters and their prevention. Disponível em: < https://bit.ly/3CbNIL1 >. UpToDate
- Procedimentos em Emergência FMUSP, 2016.
- Betina Luiza Schwan. Acesso Venoso Central. Disponível em: < https://bit.ly/3kgkCUD >.
- Emilli Karine Marcomini. Infecções relacionadas ao uso cateter venoso central: revisão integrativa. Disponível em: < https://bit.ly/3lip3in >.