Introdução
Durante toda a vida você passou por diversas transformações e aprendizados, e, com o passar dos anos, tornou-se cada vez mais independente. No entanto, quando se atinge uma idade mais avançada, aparecem algumas limitações e dificuldades que podem interferir nas atividades cotidianas, gerar dependências para realização de tarefas e causar acidentes domésticos, ou em ambientes públicos. Diante desse cenário, é imprescindível o acompanhamento dos familiares e uma avaliação médica, que pontuará a autonomia do idoso para realizar as atividades necessárias para viver de forma independente na comunidade. Assim, o resultado será avaliado para que se elabore um plano de cuidados específico para o idoso e haja um acompanhamento evolutivo. Esse teste é o índice de Lawton.
O que é o índice de Lawton?
O índice de Lawton e Brody, ou apenas escala de Lawton, é o complexo de questões mais utilizado para avaliar as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), questionará a autonomia do idoso para realizar tarefas do cotidiano necessárias para que ele, ou ela, viva de modo independente na comunidade. Foi desenvolvida avaliando idosos da comunidade em 1969. No teste será interrogado a respeito de afazeres como: utilização do telefone, realização de compras, preparação das refeições, utilização de meios de transporte, manejo da medicação, responsabilidade de assuntos financeiros, entre outros.
Qual o objetivo da escala?
A escala tem como principal objetivo estimar o desempenho funcional da pessoa idosa, que é medido verificando seu empenho em nove funções, atividades instrumentais que possibilitam viver sua vida de maneira independente. A partir do resultado da escala, o paciente será avaliado pela equipe médica, que deverá traçar um plano de cuidados exclusivo para o caso, levando em conta as particularidades de cada idoso. O nível de dependência computado no teste também torna possível acompanhar a evolução do paciente.
Quem realiza o teste?
Está habilitado a aplicar o teste quem tenha sido devidamente treinados e faça parte da equipe técnica multiprofissional da Unidade Básica de Saúde (UBS).
Aplicação do teste
Como é aplicado?
A escala de Lawton é realizada em formato de interrogatório, onde o profissional, se baseando na escala, questiona o paciente, ou seu acompanhante, caso este não esteja apto a responder sobre seu desempenho em algumas atividades rotineiras, avaliando sua independência em total, parcial ou independente. Durante a aplicação, aquele que estiver designado a responder os questionamentos deverá fazê-lo com veracidade. Todas as vezes que o mesmo for aplicado deve ser feito individualmente.
Quem responde?
As perguntas serão direcionadas ao paciente, ou seu acompanhante que preferencialmente deve morar com a pessoa idosa, um familiar ou cuidador, caso o mesmo não esteja apto a responder.
Como são as perguntas?
A escala é composta de situações que avaliarão o nível de independência da pessoa idosa, que abarcam situações cotidianas, atividades instrumentais e essenciais para uma vida independente.
A escala é composta por nove questões. Podem sofrer alterações a fim de se adaptar da melhor forma com a realidade do paciente, como no caso dos homens, incluindo a ela atividades como subir escadas ou cuidar do jardim. Deve ser relevada a incapacidade de uma pessoa realizar tarefas para as quais não tenha habilidade, como cozinhar, por exemplo, prejudicando a análise de sua independência.
Cada pergunta tem respostas padronizadas, em que se deve considerar a mais próxima da realidade da pessoa idosa. Cada uma com um respectivo valor numérico.
Avaliação das atividades instrumentais da vida diária – Escala de Lawton:


Os resultados
Depois de terem sidos respondidos os nove itens, os valores das respostas escolhidas são somados e o valor final é avaliado dentro das seguintes medidas:
Nove pontos – totalmente dependente.
10 a 15 pontos – dependência grave.
16 a 20 pontos – dependência moderada.
21 a 25 pontos – dependência leve.
25 a 27 pontos – independente.
Não confundir!
Por abrangerem uma mesma área e terem algumas semelhanças, você pode ter dificuldades em distinguir a Escala de Lawton da Escala de Katz. Contudo são diferentes, a Escala de Katz permite avaliar a Autonomia do idoso para a realização das atividades básicas e essenciais da vida diária, designada por Atividades Básicas da Vida Diária (ABVD). As tarefas essenciais abordadas nesta segunda escala são como: tomar banho, se vestir, utilizar o sanitário, transferência da cadeira de rodas para a cama, controle de esfíncteres e da alimentação. Enquanto a escala de Lawton e Brody avalia a pessoa idosa para uma vida independente e ativa na comunidade, o idoso deve usar os recursos disponíveis no meio ambiente, que estão relacionadas com a realização de tarefas mais complexas, como arrumar a casa, telefonar, viajar, fazer compras, preparar os alimentos, entre outros.
Conclusão
Portanto, o índice de Lawton é uma forma de avaliação das condições da população idosa, podendo ser de grande utilidade para criação de rotas específicas para cada caso, melhoras nos cuidados, de acompanhar a evolução de cada idoso e atentar aos acompanhantes sobre a situação do paciente, que muitas vezes pode passar despercebida. Assim, a escala contribui na tarefa de zelar pela qualidade de vida e segurança da população idosa, deixando evidente a necessidade de fazer parte da análise dos pacientes, quando idosos, e seu valor como uma avaliação de seguridade.
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno 19 da Atenção Básica: Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Brasília, 2006. – file:///C:/Users/DELL/Downloads/LAWTON%20dez%202015%20(1).pdf
Avaliação geriátrica, Núcleo de estudos de geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (GERMI) – https://www.spmi.pt/docs_nucleos/GERMI_36.pdf
Editoras Elizabete Viana de Freitas e Ligia Py, Tratado de geriatria e gerontologia, 4ª edição, 2017.
Editores Elizabete Viana de Freitas, Kalil Lays Mohallem, e editores, Manual prático da geriatria, 2ª edição, 2017.