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Incontinência Urinária (UI): definição, fisiologia e muito mais!

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Por meio desse artigo, entenda tudo sobre a Incontinência Urinária (IU) – definição, fisiologia e muito mais. Esclareça todas as suas dúvidas aqui.

Boa leitura!

Definição de Incontinência urinária (IU)

Incontinência urinária (IU) é definida como qualquer perda involuntária de urina. Essa perda involuntária de urina pode estar associada com a urgência ou também com esforço, incluindo atividades esportivas, ou em espirros ou tosse. A IU é uma condição que afeta dramaticamente a qualidade de vida, comprometendo o bem-estar físico, emocional, psicológico e social.

A Incontinência urinária (IU) pode acometer indivíduos de todas as idades, com maior prevalência entre os idosos, e de ambos os sexos, porém a incidência dentre as mulheres chega a ser o dobro em relação aos homens.

As mulheres apresentam uma menor capacidade de oclusão uretral, isso se deve ao fato de a uretra funcional feminina ser mais curta e a continência depender não somente do funcionamento esfincteriano adequado, mas também de elementos de sustentação uretral (músculos e ligamentos) e transmissão da pressão abdominal para o colo vesical.

Imagem ilustrativa sobre Anatomia da bexiga e da uretra em homens e mulheres.

Imagem: Anatomia da bexiga e da uretra em homens e mulheres. Fonte: Guyton & Hall, 2017

Estima-se que 200 milhões de pessoas vivam com incontinência ao redor do mundo e que entre 15 e 30 por cento das pessoas acima de 60 anos que vivem em ambiente domiciliar apresentam algum grau de incontinência.

Entretanto, o número exato de pessoas acometidas pode ser muito maior do que as estimativas atuais, visto que muitas pessoas não procuram ajuda por vergonha, acreditando que o problema seria uma consequência normal do envelhecimento, ou ainda, que não existe tratamento.

Fisiologia da micção e os mecanismos de continência urinária

A bexiga funciona como reservatório para armazenamento e eliminação periódica da urina. Para que essas funções ocorram adequadamente, é necessário que a musculatura lisa vesical (detrusor) relaxe e haja aumento coordenado do tônus esfincteriano uretral durante a fase de enchimento da bexiga – e o oposto durante a micção.

A coordenação das atividades da bexiga e do esfíncter uretral envolve complexa interação entre os sistemas nervosos central e periférico e os fatores regulatórios locais, e é mediada por vários neurotransmissores. As propriedades miogênicas e viscoelásticas da bexiga e da uretra também são muito importantes para manutenção da função adequada de reservatório da bexiga.

Anatomia

A bexiga é um órgão muscular oco, revestido internamente por epitélio transicional denominado urotélio. Externamente ao urotélio encontram-se a lâmina própria e as camadas muscular lisa e adventícia. Lâmina própria é uma camada bem desenvolvida, ricamente vascularizada, formada basicamente de tecido conectivo, com abundância de fibras elásticas.

A camada muscular própria da bexiga (músculo detrusor) é constituída por fibras musculares lisas que formam feixes sem orientação definida, ramificam-se e reúnem-se livremente, mudando de orientação e de profundidade na parede da bexiga e entrelaçando-se com outros feixes.

Este arranjo sob a forma de malha complexa, sem formar camadas distintas, permite que o detrusor possa contrair-se harmonicamente, comprimindo a urina em direção a uretra proximal durante a micção.

O detrusor pode ser dividido em duas porções com base nas diferenças regionais de sua inervação simpática: 1) a porção localizada acima dos orifícios ureterais, denominada corpo vesical, que compreende sua maior parte e 2) a base, que incorpora o trígono e o colo vesical.

Inervação

O funcionamento da bexiga é coordenado em diferentes níveis do sistema nervoso central (SNC), localizados na medula, na ponte e nos centros superiores, por meio de influências neurológicas excitatórias e inibitórias que se dirigem aos órgãos do trato urinário inferior (TUI – bexiga, aparelho esfincteriano e uretra) e da aferência sensitiva desses órgãos. Perifericamente, o TUI é inervado por três tipos de fibras: parassimpáticas, simpáticas e somáticas.

Inervação vesical parassimpática

Origina-se de neurônios localizados na coluna intermediolateral dos segmentos S2 a S4 da medula, sendo conduzida através de fibras pré-ganglionares pelo nervo pélvico até os gânglios no plexo pélvico.

Este localiza-se lateralmente ao reto e dá origem às fibras parassimpáticas pós-ganglionares, que se dirigem até a bexiga. Algumas fibras pré-ganglionares passam pelo plexo pélvico diretamente e fazem sinapse com gânglios localizados na parede vesical.

Inervação eferente simpática

Origina-se de núcleos da coluna intermediolateral da substância cinzenta de T10 a L2 (segmento toracolombar da medula) e direciona-se, através da cadeia simpática, ao plexo hipogástrico superior (pré-aórtico).

A subdivisão caudal desse plexo forma o nervo hipogástrico, que contém os eferentes pós-ganglionares simpáticos para a bexiga e a uretra.

Inervação somática

A inervação da musculatura estriada do esfíncter uretral é predominantemente somática. Origina-se no núcleo de Onuf, localizado no corno anterior de um ou mais segmentos da medula espinhal sacral (S2-S4).

Fibras somatomotoras originadas desse núcleo inervam o esfíncter uretral através dos nervos pudendos, sem conexão com gânglios periféricos. Há evidências de que o esfíncter uretral também receba influência simpática e parassimpática a partir de ramos dos nervos hipogástrico e pélvico.

Vias aferentes partindo de receptores localizados na bexiga e na uretra são responsáveis pela transmissão de informações vindas dos referidos órgãos ao SNC. Dirigem-se ao plexo pélvico, de onde partem para a medula, através dos nervos pélvico, hipogástrico e pudendo.

Nervos aferentes são identificados na musculatura detrusora e na lâmina própria. Abaixo do urotélio, os aferentes formam um plexo mais denso no trígono e menos na cúpula vesical, cujos terminais chegam às partes basais do urotélio. A atividade dos centros medulares é controlada por centros superiores através de tratos descendentes cefaloespinhais.

A micção é coordenada no nível do tronco encefálico, especificamente na substância pontinomesencefálica, denominado centro pontino da micção, que é a via final comum para motoneurônios da bexiga, localizados na medula espinhal.

Em circunstâncias normais, a micção depende de um reflexo espino-bulbo-espinal liberado pelo centro pontino da micção, que recebe influências, na maior parte inibitórias, do córtex cerebral, do cerebelo, dos gânglios da base, do tálamo e do hipotálamo (influências suprapontinas).

Enchimento vesical

Durante o enchimento vesical, ocorre a ativação de receptores que mandam sinais aferentes ao cérebro, onde são processados no centro pontino da micção. Isso desencadeia a ativação descendente dos neurônios simpáticos que partem de T10 a L2 e percorrem duas vias, nervos hipogástricos e cadeias simpáticas paravertebrais, para chegar ao plexo pélvico nas bordas laterais do reto, e daí atingem a bexiga e uretra através do trígono e colo vesical, liberam noradrenalina para estimular os receptores beta-adrenérgicos no detrusor, promovendo o relaxamento da musculatura lisa da bexiga.

A noradrenalina também ativa receptores alfa-1-adrenérgicos no colo vesical e uretra, promovendo contração da musculatura lisa e aumento da resistência uretral.

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