Aspectos epidemiológicos
A tuberculose (TB) é uma doença bacteriana infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, conhecida também como bacilo de Koch (BK). É denominada como um agravo de notificação compulsória que deve ser notificada por meio do SINAN (Sistema Informação de Agravos de Notificação). Essa doença é um grande problema de saúde pública no Brasil e seu controle é considerado pelo Ministério da Saúde (MS) como área estratégica da Atenção Básica (AB).
A TB está diretamente associada às condições socioeconômicas, incluindo condições de moradia, acesso aos serviços de saúde e alimentação adequada. Os grupos mais vulneráveis à doença são as pessoas vivendo com HIV/AIDS, pessoas em situação de rua, povos indígenas, profissionais de saúde, e a população privada de liberdade.
Transmissão
O homem é o principal reservatório da doença e a transmissão se dá de um indivíduo bacilífero (aquele cuja baciloscopia de escarro é positiva) para um indivíduo susceptível, principalmente por aerossol. A tosse, fala ou espirro da pessoa com tuberculose pulmonar bacilífera lançam no ar gotículas de tamanhos variados contendo o bacilo.
Dessa forma, as gotículas mais pesadas depositam-se rapidamente no solo, enquanto as mais leves podem permanecer em suspensão por diversas horas aumentando a possibilidade de infecção de um novo indivíduo.
É importante lembrarmos que a doença não é transmitida por meio de pratos, copos e talheres.
E crianças com tuberculose, mesmo na forma pulmonar, são geralmente pouco bacilíferas e raramente transmitem a doença. Além disso, nem todas as pessoas expostas ao bacilo da tuberculose se tornam infectadas e nem todas as pessoas infectadas desenvolvem a doença.
O risco de aparecimento de doença entre os indivíduos infectados pelo bacilo está associado à idade avançada, infecção pelo HIV, diabetes, uso de corticoide ou outros imunossupressores, condições socioeconômicas precárias, alcoolismo, desnutrição, doenças pulmonares crônicas (ex. silicose), neoplasias e uso de drogas ilícitas.
Vigilância e controle da tuberculose
Busca ativa de sintomáticos respiratórios (SR) e diagnóstico precoce da TB
Atenção Básica tem papel fundamental na identificação e busca ativa de indivíduos sintomáticos respiratórios (tosse há mais de 3 semanas), e associados a um diagnóstico precoce têm mais possibilidade de cura e uma redução de novos casos por transmissão horizontal.
O Agente Comunitário de Saúde tem papel importante na identificação e captação do sintomático respiratório (SR) na comunidade. Assim, dentro da Unidade de Saúde, os profissionais da Equipe de Saúde da Família (ESF) devem sempre indagar dos pacientes sobre a presença de tosse e sua duração, independentemente do motivo da procura.
O atendimento do SR deve se dar em local ventilado e, diante da suspeita de TB, deve-se orientar o uso de máscara cirúrgica pelo paciente para minimizar a contaminação do ambiente. Somando-se a isso, deve ser coletada uma amostra de escarro para realização de baciloscopia preferencialmente no momento da consulta, sendo solicitada outra amostra para ser coletada no dia seguinte, ao despertar.
A radiografia de tórax também deve ser solicitada em paciente com suspeita clínica para auxiliar no diagnóstico e para avaliação de condições pulmonares associadas. E, devido à elevada prevalência da coinfecção tuberculose e HIV, deve-se recomendar a realização sorológica anti-HIV em todo paciente com tuberculose. A testagem anti-HIV deve ser preferencialmente por meio do teste rápido, visando a oportunidade do diagnóstico.
Início oportuno do tratamento e o uso da estratégia TDO (tratamento diretamente observado)
Em relação ao tratamento, a OMS e o MS indicam um esquema padronizado que pode ser consultado no Manual de Recomendações para o Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde, com a supervisão da tomada do medicamento (TDO – tratamento diretamente observado) e apoio ao paciente. (https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_controle_tuberculose_brasil_2_ed.pdf )
O monitoramento do tratamento é fundamental e a comunidade precisa ser envolvida e participar na atenção e no controle da TB.
O tratamento deve ser feito, preferencialmente, com o esquema básico, que se inicia com quatro medicamentos (rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E) – RHZE), nos primeiros dois meses, seguido de quatro meses de rifampicina e isoniazida (RH). A observação da tomada desses medicamentos deve ser diária, podendo ser feita na Unidade de Saúde ou no domicílio do paciente.
Os quatro medicamentos da fase inicial e os dois medicamentos da segunda fase são formulados em comprimidos em dose fixa combinada, o que facilita a adesão ao tratamento, uma vez que, devido ao tratamento ser por um tempo prolongado – período de 6 meses –, leva a uma falta de comprometimento do paciente.
Além disso, para aumentar a adesão, entra, mais uma vez, a importância da equipe de saúde em demonstrar cuidado, responsabilidade e solidariedade, que compreenda as necessidades individuais e familiares do paciente e respeite sua autonomia.
Investigação de contatos e tratamento da infecção latente de tuberculose (ILTB)
O controle de contatos de um caso índice é fundamental para interrupção da cadeia de transmissão e deve-se identificar precocemente as pessoas que serão consideradas contatos, além de estabelecer o tipo de convívio (casa, ambiente de trabalho, escola, etc.).
Esta avaliação consiste na realização inicial de anamnese e exame físico visando a identificação de sinais ou sintomas compatíveis com tuberculose. O resultado da avaliação do contato deve ser registrado em prontuário para definir a estratégia a ser usada em cada indivíduo.
Os contatos sintomáticos deverão ter sua investigação diagnóstica ampliada com radiografia de tórax, baciloscopia de escarro e outros exames.
Os contatos assintomáticos deverão realizar prova tuberculínica (PT). Se a PT for negativa, deve-se repeti-la oito semanas mais tarde, pois o indivíduo pode estar ainda na fase de janela imunológica.
Em todo caso, se os contatos não comparecerem à Unidade de Saúde, procede-se à busca ativa dos contatos por meio de visita domiciliar. Diante desse contexto, percebe-se o significado da Atenção Básica de Saúde na promoção, prevenção e reabilitação em saúde no Brasil.
Autora: Paula Mendees, Estudante de Medicina
Instagram: @paulamendees_
