O primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 24 – Sars-Cov-2) foi reportado na China, no início de dezembro de 2019. Depois disso, o número de infectados no mundo cresceu de maneira exponencial, fazendo que com a World Health Organization considerasse uma pandemia e quando foi proposto que cada país adotasse os meios de isolamento social e higiene para combater a disseminação do vírus.
Dentre os diversos problemas físicos causados pelo COVID, há também uma grande preocupação quanto aos problemas psicológicos experienciados pela grande parte da população e por profissionais da área da saúde.
Saúde Mental na pandemia
Em 1 ano, observou-se uma rápida mudança na rotina de diversas famílias, novos costumes de higiene, uso de máscaras de proteção somadas a novas formas de trabalho e comunicação.
Essa drástica mudança, juntamente com as incertezas do novo vírus, acabou gerando uma onde de estresse e preocupação de diversas pessoas, facilitando o aumento de ingestão de bebidas alcoólicas, abuso de medicamentos e drogas, violência doméstica, como também o desenvolvimento de problemas de saúde, tanto físicos quanto mentais.
É fato que cada indivíduo responde de maneira diferente a situações de grande estresse, essa resposta depende de fatores como hábito de vida, formação profissional, condições socioeconômicas, hábitos pessoais e de sua comunidade. O convívio prolongado dentro de casa mudou completamente a dinâmica familiar, isso somado a reduções de renda e o desemprego, piorando ainda mais a tensão familiar.
O aumento dos sintomas psíquicos durante a pandemia se deve por diversas causas, dentre elas podemos citar a ação direta do vírus da Covid-19 no sistema nervoso central, experiências traumáticas relacionadas ao contágio e morte de pessoas próximas, o distanciamento social, mudança nas relações afetivas e na rotina de trabalho. Infelizmente, todas essas causas contribuem para que haja uma maior porcentagem de pessoas que vão adquirir problemas mentais futuramente.
Uma pesquisa feita em 2020, apresentada no artigo Depressão e Ansiedade entre trabalhadores essenciais do Brasil e da Espanha durante a Pandemia de Covid-19: uma pesquisa pela Web (Depression and Anxiety Among Essential Workers From Brazil And Spain During The Covid-19 Pandemic:a websurvey), mostrou que os sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% dos trabalhadores de serviços essenciais, onde mais da metade deles — e 27,4% do total de entrevistados — sofre de ansiedade e depressão ao mesmo tempo.
Além disso, outros resultados da pesquisa apontam que a maior parte dos trabalhadores de serviços essenciais que respondeu à pesquisa no Brasil é de mulheres (72,2%), tem idade média de 39 anos e curso universitário (56,5%) ou mestrado/doutorado (28,5%).
Diante desses fatos, faz-se necessário conhecer os principais sintomas da ansiedade, que são: insônia, dificuldade de relaxar, angústia constante, irritabilidade aumentada e dificuldade em se concentrar. São também comuns sintomas físicos como cefaleia, dores musculares, dores ou queimação no estomago, taquicardia, tontura e sudorese. Por outro lado, os principais sintomas da depressão incluem humor triste, desânimo, apatia e angústia ou ansiedade.
Por isso, é de extrema importância que, principalmente, durante essa difícil fase de pandemia, os familiares fiquem atentos se algum desses sintomas estão presentes de forma persistente em algum indivíduo da família, e, se sim, deve-se procurar um médico ou psicólogo para que eles possam ser tratados e evitar possíveis problemas mentais.
Estratégias para ajudar a manter a saúde mental na pandemia
A ideia de promoção de saúde se aplica muito bem no momento atual em que nós nos encontramos, isso porque é fundamental que as pessoas tenham ferramentas para diminuir o estresse.
Estudos mostram que um estilo de vida pouco saudável esteve associado a uma chance oito vezes maior de um profissional de serviços essenciais ter sintomas de depressão e ansiedade, riscos grandes pelo qual estamos passando nesse momento.
Diante desses fatos, é de extrema importância que todos façam algum tipo de exercícios físico, caminhada, corrida, meditação ou qualquer outra atividade para que a pessoa se mantenha sempre ativa, pois além de ajudar com a saúde mental, reduzindo o estresse e ansiedade, a atividade física ajuda a ter uma melhor saúde cardiovascular e, principalmente, na prevenção de doenças crônicas degenerativas, como obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
Uma outra alternativa para ajudar na pandemia seria manter o máximo de sua rotina diária possível, continue usando o despertador. Estabeleça metas para o seu dia. Se você não consegue manter determinadas rotinas porque não pode sair de casa, tente encontrar alternativas. Se você puder trabalhar de casa, procure manter suas atividades.
Evite ler ou ouvir demais sobre o tema, busque se informar sobre outros assuntos e evite notícias sensacionalistas ou que tragam ansiedade. Use as informações para planejar ações práticas. Faça atividades relaxantes como escutar música, assistir filmes, ler livros, fazer cursos online, isso vai ajudar a distrair e a melhorar o humor.
Conclusão
Desse modo, discutir sobre a saúde mental durante esse momento delicado de pandemia é extremamente necessário para que as pessoas tenham uma boa informação sobre o assunto, ajudando no combate à ansiedade e depressão, além de ter uma visão ampla de como adotar estratégias para auxiliar a ter uma boa convivência pessoal e familiar.
Autora: Gabriela de Godoy
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O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências bibliográficas
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Saúde mental e a pandemia de Covid-19. Disponível em:
A SAÚDE MENTAL EM MEIO À PANDEMIA COVID-19. [S.l.]: , [S.d.]. Disponível em:
Pesquisa analisa o impacto da pandemia na saúde mental de trabalhadores essenciais. Disponível em:
Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia’ traz orientações e dicas para problemas psíquicos e emocionais | Pfizer Brasil. Disponível em: