1) Introdução
Paratireoides
são glândulas endócrinas originadas dos 3º e 4º arcos branquiais, frequentemente
localizadas junto à tireoide, na face posterior1-3. Geralmente, são
4 paratireoides, 2 nos polos superiores e 2 nos polos inferiores2,3.
Essas glândulas secretam o hormônio paratireoideo (PTH), responsável pela
regulação do nível de cálcio e de fosfatos do sangue2-4.
Hiperparatireoidismo
consiste na elevação anormal dos níveis de PTH, com consequente hipercalcemia. Ademais,
hiperparatireoidismo primário (HPTP) ocorre quando há hiperfunção de pelo menos
uma das glândulas paratireoides2,5. As principais causas de HPTP,
respectivamente, são: adenoma (sobretudo, solitário), hiperplasia e carcinoma3,6.
Outrossim, é de grande importância haver o diagnóstico e o tratamento precoces
pois, em estágios avançados, essa doença pode ser fatal3.
2) Adenoma
Presente
em cerca de 90% dos casos de HPTP, mais frequente em adultos, geralmente acima
dos 50 anos e de sexo feminino3. Caracterizado pela proliferação
predominante das células principais formando nódulo tumoral em geral solitário
(acomete apenas 1 glândula)3,5,7.
3) Quadro clínico
Inicialmente
assintomática e apresenta evolução clínica lenta e progressiva3. O
quadro clínico é caracterizado por manifestações variadas, como alterações
ósseas (osteoporose, dor óssea, fraturas osteoporóticas); renais (nefrolitíase,
nefrocalcinose, insuficiência renal); gastrointestinais (doença ulcerosa
péptica, constipação, pancreatite, náuseas, vômitos); neuromusculares (fraqueza
e atrofia muscular); cardiovasculares (hipertensão arterial) e sintomas
inespecíficos (fadiga, depressão, dor e queixas vagas)3,5,7. Vale
ressaltar que essas alterações podem permanecer por meses ou anos sem
diagnóstico ou tratamento3.
Outrossim,
vale salientar que, nas últimas décadas, o diagnóstico é feito principalmente
em pacientes assintomáticos (cerca de 80%) e com sinais mínimos da doença em
países desenvolvidos, como os EUA, e até em alguns países em desenvolvimento,
como o Brasil2,6,8,9. Isso se deve ao aumento da solicitação de
exames laboratoriais, com a mensuração sérica de cálcio nos exames de rotina2,9.
4) Diagnóstico
Diante
da suspeita de HPTP, é necessário dosar o cálcio sérico, com confirmação do
diagnóstico pela demonstração de hipercalcemia (acima de 10,4mg/dL) pelo menos
2 vezes, além da presença de PTH em níveis elevados ou no limite superior
(geralmente, acima de 60 pg/mL)5-7.
As
alterações radiográficas iniciais consistem nas reabsorções ósseas
subperiosteais, as quais são mais evidentes em falanges e porções distais das clavículas.
Com a evolução da doença, as alterações passam a ser mais evidentes, com focos
de reabsorção subperiosteal em ossos longos, além de lesões císticas de
tamanhos variados e solitárias ou múltiplas.
Também pode aparecer o “tumor marrom”, lesão não neoplásica decorrente de focos hemorrágicos que, após a desintegração das hemácias, surgirão acúmulos de hemossiderina permeados por numerosas células gigantes multinucleadas com caracteres de osteoclastos3,6,10.

Ademais, é importante salientar que a nefrolitíase é uma manifestação renal muito frequente nos pacientes portadores de hiperparatireoidismo primário. Além disso, com a evolução da doença, pode ocorrer nefrocalcinose. Ambos podem causar redução da função renal11-13.

5) Tratamento
O
único tratamento definitivo para HPTP é a paratireoidectomia14. Para
pacientes sintomáticos, o tratamento é cirúrgico, por meio da ressecção da
glândula paratireoide com o adenoma. No entanto, para os assintomáticos, é
necessário que o paciente contenha pelo menos 1 destes parâmetros2,5-7:
– Idade < 50 anos
– Nível de cálcio sérico >
1 mg/dL acima do limite
– TFGe < 60 mL/min
– Hipercalciúria grave (>
400 mg/dia)
– Risco aumentado de cálculos
no perfil de risco de cálculos ou evidência de nefrolitíase oculta ou
nefrocalcinose na imagem
– T-score <
-2,5 em qualquer local ou fraturas vertebrais na imagem.
Todavia,
a Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos e a Associação Americana
de Cirurgiões Endócrinos defendem que os portadores assintomáticos sejam
tratados cirurgicamente, de modo que o tratamento clínico com bifosfonatos,
estrogênios e calcimiméticos deve ser apenas considerado nos casos de pacientes
de alto risco para cirurgia5,6.
Autor: Emanoel Albuquerque
Instagram: @emanoel_albuquerque