A histologia do sistema reprodutor feminino é uma área da anatomia que estuda os tecidos e estruturas microscópicas que compõem os órgãos responsáveis pela reprodução nas mulheres.
O sistema reprodutor feminino é complexo e inclui vários órgãos, como os ovários, as tubas uterinas, o útero, a vagina e as glândulas mamárias.
Confira um artigo completo que falamos sobre a Histologia do Sistema Reprodutor Feminino para esclarecer todas as suas dúvidas!
Sistema reprodutor feminino
O sistema reprodutor feminino é constituído pelos órgãos reprodutores internos:
- Ovários
- Tubas uterina
- Útero
- Vagina
- Genitália externa (clitóris, vestíbulo, grandes lábios e pequenos lábios).
A partir do nascimento, os órgãos reprodutores encontram-se incompletamente desenvolvidos e permanecem em estado de repouso até que os hormônios gonadotróficos, secretados pela glândula hipófise, sinalizem o início da puberdade. Tal período tem como marca inicial a menarca, isto é, a primeira menstruação.
Depois disso, o sistema reprodutor sofre modificações cíclicas em sua estrutura e em sua atividade funcional, controladas por mecanismos neurohormonais. A menopausa é um período variável durante o qual as modificações cíclicas tornam-se irregulares e acabam cessando. Após a menopausa, há uma lenta involução do sistema reprodutor.
Desenvolvimento dos ovários
Os estágios iniciais da oocitogênese ocorrem durante a vida fetal, quando as divisões mitóticas aumentam maciçamente o número de ovogônias (células germinativas primordiais) até próximo ao final do 5º mês fetal. Neste período, cada ovário contém cerca de 5 a 7 milhões de ovogônias. Cerca de 1 milhão delas tornam-se envolvidas por células foliculares e sobrevivem até o nascimento.
Do milhão de ovogônias que sobrevivem formando folículos primordiais, cerca de 600.000 tornam-se atrésicas durante a primeira década de vida, e na menarca. Uma mulher jovem possui apenas cerca de 300.000 a 400.000 folículos.
Geralmente, a ovulação ocorre a cada 28 dias durante os próximos 30 a 40 anos, com um ovócito sendo liberado a cada mês, contabilizando um total de cerca de 450 ovócitos liberados durante o período reprodutivo. Os folículos restantes degeneram e morrem.
Folículos primordiais

Os folículos primordiais, os mais primitivos, formados durante a vida fetal, são constituídos por um ovócito primário, circundado por uma única camada de células foliculares achatadas aderidas umas às outras através de desmossomos. Ao nascimento, esses ovócitos encontram-se parados na fase de diplóteno da prófase da meiose I.
O ovócito primário é uma célula esférica que apresenta um núcleo grande e excêntrico com um único nucléolo bem evidente. Contém numerosas mitocôndrias, abundantes aparelhos de Golgi e retículo endoplasmático rugoso contendo poucos ribossomos. A maioria desses folículos se localiza na região cortical, próximo à túnica albugínea. Uma lâmina basal envolve as células foliculares e marca o limite entre o folículo e o estroma conjuntivo adjacente.
Oocitogênese
A oocitogênese é um processo que se baseia em uma meiose. Com isso, vamos fazer uma rápida revisão dos conceitos de divisão celular que abrangem esse processo. A meiose é caracterizada por duas divisões reducionais.
Como os gametas masculino e feminino fundem-se durante a fecundação, é essencial que cada gameta apresente metade dos cromossomos da espécie para garantir que a diplopia da espécie seja reestabelecida. Na primeira meiose, há a produção de duas células-filhas contendo um conjunto haploide completo de cromossomos duplicados, constituídos de duas cromátides-irmãs, o ovócito primário e o primeiro corpúsculo polar.
Já a segunda meiose, é semelhante à mitose e é caracterizada pela formação de quatro células-filhas, dentre elas o ovócito secundário, com metade do número de cromossomos da célula que as originou.
O que ocorre na puberdade?
A partir da puberdade, a cada dia um pequeno grupo de folículos primordiais inicia um processo de crescimento folicular – modificações do ovócito, das células foliculares e dos fibroblastos do estroma que envolve cada um desses folículos. Inicialmente, o ovócito aumenta de tamanho e ocorre proliferação das células foliculares achatadas circundantes, que se tornam cuboides. Neste estágio, o folículo passa a ser identificado como folículo primário.
Dentre a grande população de folículos primordiais, não se sabe como são selecionados os folículos que abandonam seu estado de repouso e entram na fase de crescimento. O crescimento folicular é estimulado pelo FSH secretado pela hipófise.
Histologia dos ovários
Sua superfície é coberta por um epitélio pavimentoso ou cúbico simples, o epitélio germinativo, que corresponde a uma modificação do mesotélio do peritônio. Sob o epitélio germinativo, há uma camada de tecido conjuntivo denso não modelado, pouco vascularizada, a túnica albugínea, responsável pela cor esbranquiçada do ovário.
Abaixo da túnica, há a zona cortical, na qual predominam os folículos ovarianos, e, mais internamente, a zona medular, que contém tecido conjuntivo frouxo fibroelástico com um rico leito vascular. Entre essas zonas não há um limite bem definido.

Ovários: entenda as funções
Os ovários desempenham duas funções interrelacionadas: a gametogênese (produção de gametas) e a produção de hormônios. Os principais hormônios secretados pelos ovários são o:
- Estrogênio
- Progesterona
Os ovários apresentam forma de amêndoas e estão ligados ao ligamento largo do útero por meio de uma prega de peritônio conhecido como mesovário, onde encontramos vasos sanguíneos para a nutrição dos ovários.
Nesse contexto, o polo superior do ovário está fixado à parede pélvica pelo ligamento suspensor do ovário e o polo inferior está fixado ao útero pelo ligamento útero-ovárico (remanescente do cordão fibroso embrionário que fixa a gônada em desenvolvimento ao assoalho da pelve).
O que é o folículo ovariano?
O folículo ovariano é o conjunto do ovócito e das células foliculares que o envolvem, também chamadas de células da granulosa. Os folículos localizam-se no tecido conjuntivo (estroma) da zona cortical, onde há fibroblastos.
A região central do ovário, a medula, é constituída por fibroblastos frouxamente situados em uma matriz rica em colágeno contendo fibras elásticas, além de grandes vasos sanguíneos, vasos linfático e fibras nervosas.
Histologia das tubas uterinas (ou trompas de Falópio)
As tubas uterinas têm a importante função de capturar o óvulo liberado pelo ovário durante a ovulação, fornecer um ambiente adequado para a fertilização e transportar o embrião fertilizado até o útero.
A mucosa das tubas uterinas é revestida por um epitélio ciliado que possui células ciliadas e células secretoras. As células ciliadas têm cílios móveis que batem em direção à cavidade uterina. Esses cílios são responsáveis por criar movimento na tuba uterina, o que ajuda a transportar o óvulo e o embrião fertilizado. As células secretoras produzem muco que fornece um ambiente adequado para a sobrevivência dos espermatozoides e do embrião.
Sob a mucosa, há uma camada muscular (miometrio) na parede das tubas uterinas. Essa camada é composta principalmente por músculo liso. A contração do músculo liso ajuda no transporte do óvulo fertilizado em direção ao útero.
A camada mais externa da parede das tubas uterinas é conhecida como serosa, que é um tipo de tecido conjuntivo que envolve o órgão. A serosa fornece suporte estrutural e proteção às tubas uterinas.
Histologia do sistema reprodutor Feminino: útero
O útero é composto por várias camadas de tecido que se adaptam às diferentes fases do ciclo menstrual e à gravidez:
- Endométrio: a camada mais interna do útero é chamada de endométrio. O endométrio é uma mucosa altamente vascularizada que reveste a cavidade uterina. Durante o ciclo menstrual, essa camada passa por mudanças cíclicas. Se uma gravidez ocorrer, o endométrio é o local onde o embrião se implanta e se desenvolve
- Miométrio: a camada média do útero é composta pelo miométrio, que consiste principalmente em músculo liso. O miométrio é responsável pelas contrações uterinas durante o trabalho de parto e também ajuda a empurrar o embrião em direção ao endométrio após a fertilização
- Perimétrio: a camada mais externa do útero é chamada de perimétrio, que é uma camada de tecido conjuntivo que envolve o órgão, proporcionando suporte estrutural e proteção
Além dessas camadas principais, o endométrio possui várias glândulas mucosas tubulares que secretam muco e nutrientes que são necessários para a sobrevivência do embrião, caso ocorra a fertilização. As glândulas endometriais passam por alterações ao longo do ciclo menstrual, incluindo o espessamento durante a fase secretora do ciclo.
Durante a gravidez, o útero sofre expansão significativa para acomodar o crescimento do feto. O miométrio desempenha um papel importante nessas alterações, uma vez que suas contrações ajudam a posicionar o feto para o parto.
Pratique com questões no SanarFlix!
Você está buscando uma maneira eficaz de se preparar para provas? O SanarFlix é a solução que você precisa para aprimorar seu aprendizado por meio da prática de questões!
Sabemos que a prática constante é a chave para o sucesso em qualquer área de estudo. Com o SanarFlix, você tem acesso a uma vasta coleção de questões de diversas disciplinas.

Confira o vídeo
Posts relacionados à Histologia do Sistema Reprodutor Feminino
- Fisiologia do sistema reprodutor feminino
- Resumo sobre a Vulva: anatomia, histologia, semiologia e mais!
- Medicina Resumida: O que importa no Ciclo Básico
- Abordagem sobre o fim do ciclo reprodutor feminino | Colunistas
- Doença inflamatória pélvica | Colunistas
Referência bibliográfica
- Cunningham F G. Ginecologia de Williams. Porto Alegre: Mc Graw Hill, Artmed, 2011.
- Crispi C. Tratado de Videoendoscopia e Cirurgia Minimamente Invasiva em Ginecologia. Rio de Janeiro: Revinter. 2011.
- Comissões Nacionais Especializadas de Ginecologia e Obstetrícia. Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia –Manual de Orientação: Mastologia, Rio de Janeiro, 2010.