A tireoide é um órgão de grande importância para nosso corpo, uma vez que ela é responsável por produzir hormônios que regulam grande parte do nosso metabolismo. Dessa forma, toda vez que ela falha ou que seu funcionamento é insuficiente, o indivíduo entra em um quadro de hipotireoidismo (HipoT), uma doença cuja prevalência varia de 0,1 a 2% da população mundial, sendo mais comum entre pessoas com mais de 65 anos e do sexo feminino (8:1).
Mas para que a gente possa se apropriar do que é que está acontecendo no corpo de um paciente com HipoT, vamos relembrar alguns tópicos importantes com relação a fisiologia endócrina.
Fisiologia Endócrina: Hipotireoidismo
Os hormônios tireoidianos ficam armazenados e apresentam um sistema de regulação, que é controlado pelo eixo hipotalâmico-hipofisário. Basicamente, o que acontece é o seguinte: o hipotálamo inicia a cadeia através da produção do hormônio liberador de tireotrofina (TRH) e esse, por sua vez, atua sobre a hipófise induzindo a produção de um outro hormônio que é o hormônio estimulador da tireoide ou tireotrópico (TSH).
A partir daí, o que acontece é que esse hormônio cai na circulação sanguínea e segue até os folículos tireoidianos, onde ele vai estimular a produção e a secreção de T3 e T4.
Porém, quem é que vai regular o eixo hipotalâmico-hipofisário dizendo quando que precisa ou não liberar T3 e T4? Os próprios T3 e T4! Mas vamos com calma…
A ideia é a seguinte: T3 e T4 atuam como inibidores de TRH e TSH. Assim, toda vez que eles estiverem altos, o hipotálamo e a hipófise vão ser inibidos e não vai haver estímulos para produção de hormônios tireoidianos. Por outro lado, quando os níveis de T3 e T4 estiverem baixos, é como se essa inibição cessasse e aí vai haver mais produção de TRH e TSH para regular a liberação de T3 e T4.
Para fechar essa revisão, então, uma vez já tendo entendido como os hormônios são liberados, nos resta entender a ação que eles têm sobre o corpo. Pois bem…de maneira prática, o T3 atua controlando o metabolismo geral do corpo, ao passo em que o T4 é um pré-pró-hormônio para T3. Mas, o que isso significa? Significa que ele não tem uma ação muito específica, mas ele é liberado no sangue e aí pode ser convertido em T3 nos tecidos (especialmente os ricamente vascularizados, como rins e fígado).
Quadro clínico do Hipotireoidismo
Quando a gente entende toda essa fisiologia endócrina, fica mais fácil de imaginar como que o paciente se apresentará para a gente. Ora, se a atuação do T3 e do T4 é na realização do metabolismo, quando a pessoa entra em um quadro hipotireoidismo, o que ela vai ter é uma redução metabólica e isso se manifesta através de uma hipoatividade generalizada, associada a um acúmulo de glicosaminoglicanos no interstício dos tecidos. Por isso que vamos investigar todos os sistemas do paciente.

A maioria desses sintomas é de fácil de compreensão, mas existem alguns que é interessante a gente comentar um pouco pra entender como ocorrem ou como deve ser nosso raciocínio nesses casos.
Primeiro, vamos pensar na rouquidão e na HAS Secundária. O que faz um paciente com hipoatividade metabólica se apresentar com essas manifestações? É o acúmulo de glicosaminoglicanos no interstício.
No caso da rouquidão, esse acúmulo ocorre nas cordas vocais, enquanto que para causar HAS é preciso que ele ocorra nos vasos, reduzindo o seu diâmetro, o que leva a um aumento da resistência periférica. Nessa mesma linha de raciocínio entra o mixedema generalizado, que ocorre justamente pelo depósito de mucopolissacarídeo na pele, formando edema sem cacifo.
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