Introdução
O hipotireoidismo subclínico (HSC) é determinado por níveis séricos aumentados do hormônio estimulador da tireoide (TSH) e valores normais dos hormônios tireoidianos, sendo representado principalmente pelo T4 livre.
Epidemiologia
O HSC tem a incidência entre 3 a 15% da população, sendo maior com a progressão da idade, no sexo feminino e de acordo com o perfil de iodo da população (menor a ingesta, maior a chance de HSC).
Quadro clínico
Os sintomas do HSC costumam estar associados aos do hipotireoidismo, porém menos explícito e mais inespecífico. Sintomas como fadiga, fraqueza muscular, ganho de peso, intolerância ao frio e constipação podem estar presentes.
A partir da suspeita de HSC ou da presença de fatores de risco, solicita-se os exames séricos de TSH e T4 livre. Entre os fatores de risco estão mulheres acima de 35 anos, história pessoal ou familiar de tireoidopatias ou doenças autoimunes, cirurgia ou terapias radioativas em região cervical, diabetes mellitus tipo 1, síndrome de Down ou Turner, tratamento com lítio ou amiodarona, depressão, dislipidemia e hiperprolactinemia.
Diagnóstico
O valor de referência do TSH sérico varia de acordo com cada faixa etária, alterando principalmente em crianças, idosos e durante a gravidez. Entre os adultos, o normal 0,4 e 4,5 mU/L. Concentrações elevadas de TSH, valores entre 4,5 mU/L e 20 mU/L, com nível sérico de T4L normal excluindo-se outras causas confirmam o diagnóstico.
Entre as principais causas a serem excluídas tem-se o ajuste recente na dose de levotiroxina, subtratamento com levotiroxina, recuperação de tireoidite aguda, pós‑tratamento para doença de Graves, elevação do TSH fisiológico com o aumento da idade, mutação no receptor de TSH e insuficiência adrenal primária não tratada.
Diante da alteração do TSH, na suspeita de HSC, deve-se repetir o exame após 3 a 6 meses para excluir erro laboratorial ou aumento transitório de TSH, principalmente quando o nível sérico do TSH é ≤ 10 mU/L.
Classificação
De acordo com o nível sérico de TSH, classifica-se o HSC em leve-moderado ou grave, sendo: leve-moderado quando o TSH > 4,5-9,9 mU/L; ou grave com TSH ≥ 10 mU/L. Valores de TSH ≥ 10 mU/L estão relacionados a uma maior chance de progressão para o hipotireoidismo e para doenças arteriais coronarianas.
Tratamento de acordo com a Associação Americana de Tireoide (ATA)
– HSC em indivíduos com TSH>10 mU/L: tratamento deve ser feito pelo maior risco de doenças cardiovasculares.
– HSC em indivíduos com TSH<10 mU/L: propõe-se o tratamento na presença de alterações clínicas, anticorpo antitireoperoxidase (anti-TPO) positivo, aterosclerose cardiovascular ou insuficiência cardíaca.
– Para pacientes não gestantes e menores de 70 anos, aconselha-se como meta o TSH entre 0,5 e 4,5 mU/L; já para maiores de 70 anos os valores são entre 4 a 6 mU/L.
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Referências:
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Sgarbi JA, Teixeira PF, et al. Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. 2013. 57(3), 166-183.