Anúncio

Hipotireoidismo | Colunistas

hipotireoidismo--Gabriel Ribas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Hipotireoidismo é definido como um estado clínico em que a quantidade de hormônios tireoidianos circulantes é insuficiente para suprir uma função orgânica normal. Isso pode ser causado por uma variedade de anormalidades. A forma mais prevalente é a doença primária, que é causada por uma falha da própria glândula. O hipotireoidismo severo é chamado de mixedema. O hipotireoidismo subclínico é caracterizado por um aumento do TSH (thyroid-stimulating hormone – hormônio estimulante da tireoide) e níveis normais de hormônios tireoidianos livres. 

Fisiopatologia

A captação do iodo é uma etapa muito importante na produção dos hormônios tireoidianos. A captação do iodo é mediada pelo NIS (simportador sódio-iodo), que é expresso na membrana basolateral das células foliculares da tireoide. O mecanismo de transporte do iodo é bastante eficiente, permitindo regulações de acordo com as variações do suprimento: baixos níveis de iodo aumentam a quantidade de NIS e altos níveis de iodo diminuem a quantidade de NIS. 

Um outro transportador para o iodo é a pendrina, que realiza o efluxo de iodo para dentro do lúmen. Após penetrar na tireoide o iodo é captado e transportado até a membrana apical das células foliculares, onde é oxidado em uma reação que envolve o TPO (tireoperoxidase) e o peróxido de hidrogênio, e depois é acrescentado a resíduos de tirosil dentro de uma grande proteína dimérica chamada Tg, formando iodotirosinas. Estas são acopladas por uma reação catalisada pela TPO e esta reação pode formar T3 ou T4 a depender do número de átomos de iodo presentes . A falta de iodo leva progressivamente a uma deficiência na produção desses hormônios.

Manifestações Clínicas

Os sinais e sintomas de hipotireoidismo primário são, em geral, discretos e insidiosos. Vários sistemas de órgãos podem ser afetados. 

Manifestações metabólicas: intolerância ao frio, ganho de peso modesto (devido à retenção de líquidos e diminuição do metabolismo), hipotermia

Manifestações neurológicas: esquecimento, parestesias das mãos e dos pés são comuns (em geral associadas à síndrome do túnel do carpo-tarso causada pela deposição de substâncias basais proteicas nos ligamentos ao redor dos punhos e tornozelos); desaceleração da fase de relaxamento dos reflexos tendíneos profundos.

Manifestações psiquiátricas: alterações da personalidade, depressão, expressão facial embotada, demência ou psicose franca (loucura por mixedema)

 Manifestações dermatológicas: edema de face; mixedema; cabelo ressecado e escasso; pele seca, escamosa e espessada; carotenemia, particularmente evidente nas palmas das mãos e plantas dos pés (causada pelo depósito de caroteno nas camadas epidérmicas ricas em lipídios); macroglossia por depósito de substância amiloide na língua

Manifestações oculares: edema periorbital devido à infiltração com ácido hialurônico e sulfato de condroitina mucopolissacarídeos, pálpebras caídas por causa da diminuição do desejo adrenérgico

Manifestações gastrointestinais: constipação

Manifestações ginecológicas: menorragia ou amenorreia secundária.

Epidemiologia

No Brasil, o hipotireoidismo é o agravo mais comum da tireoide, cuja prevalência é de 2% da população geral. Em pessoas com mais de 60 anos, esse valor aumenta para 15%. É muito mais comum em mulheres do que em homens, com uma predileção de 8:1. A deficiência de iodo é a causa mais comum em países em desenvolvimento. Em países desenvolvidos a principal causa é autoimune. 

Diagnóstico

Hormônio estimulador da tireoide (TSH); 

T4 livre;

A medição sérica do hormônio estimulante da tireoide é o exame mais sensível para o diagnóstico do hipotireoidismo. No hipotireoidismo primário, não há inibição por feedback da hipófise e o TSH sérico está sempre elevado, ao passo que o T4 livre é baixo. No hipotireoidismo secundário, as concentrações de T4 livre e TSH são baixas (às vezes, o TSH é normal, mas com bioatividade reduzida). 

Muitos pacientes com hipotireoidismo primário apresentam concentrações circulantes normais de T3, provavelmente em virtude do estímulo mantido do TSH sobre a tireoide deficiente, resultando em síntese preferencial e secreção do hormônio biologicamente ativo T3. Consequentemente, o T3 sérico não é um exame sensível para hipotireoidismo. 

Tratamento

L-tiroxina, ajustada até que as concentrações de TSH estejam de médias a normais. Várias preparações hormonais tireoidianas estão disponíveis para a terapia de reposição, incluindo preparações sintéticas de T4 (L-tiroxina [levotireoxina]), T3 (liotironina), combinações dos 2 hormônios sintéticos e extrato da tireoide dessecada de animais. L-tiroxina é preferível; a dose comum de manutenção é 75 a 150 mcg por via oral uma vez ao dia, dependendo da idade, índice de massa corporal e absorção (para doses pediátricas, ver Hipotireoidismo em recém-nascidos e criança). A dose inicial em pacientes jovens ou de meia idade que do contrário são saudáveis pode ser 100 mcg ou 1,7 mcg/kg por via oral uma vez ao dia.

Entretanto, em pacientes com doença cardíaca, a terapêutica é iniciada com doses baixas, geralmente 25 mcg, uma vez ao dia. A dose é ajustada a cada 6 semanas até a dose de manutenção ser alcançada. A dose de manutenção pode precisar ser aumentada em gestantes. A dose também pode precisar ser aumentada se os fármacos que diminuem a absorção de T4 ou aumentam sua depuração metabólica são administradas concomitantemente. A dose utilizada deverá ser a mais baixa que restaura os níveis de TSH sérico para o intervalo médio/normal (embora esse critério não possa ser usado em pacientes com hipotiroidismo secundário). No hipotireoidismo secundário, a dose de L-tiroxina deve alcançar um T4 livre no intervalo médio/normal. 

Conclusão

O hipotireoidismo é particularmente comum em idosos. Acomete cerca de 10% das mulheres e 6% dos homens com mais de 65 anos. Embora o diagnóstico seja tipicamente fácil em adultos jovens, o hipotireoidismo pode ser sútil e manifestar-se de forma atípica em idosos. 

Pacientes idosos têm significativamente menos sintomas que os adultos jovens e as queixas costumam ser discretas ou vagas. Vários pacientes idosos com hipotireoidismo apresentam síndromes geriátricas não específicas: confusão, anorexia, perda ponderal, quedas, incontinência e diminuição de mobilidade. Sintomas musculoesqueléticos (especialmente artralgias) são frequentes, mas artrite é rara. Dores musculares e fraqueza, geralmente mimetizando polimialgia reumática ou polimiosite, e concentração elevada de creatina quinase (CK) podem ocorrer. Em idosos, o hipotireoidismo pode mimetizar demência ou parkinsonismo.

Autor: Gabriel Lino Ribas Sousa 

Instagram: @gabriel.ribas.17 

Referências:

  1. Filho JO, Mullen MT. Initial assessment and management of acute stroke. UpToDate. 2019. Disponível em: . Acesso em: 6/02/2022. 
  2. GARBER, Jeffrey; et al. Clinical Practice Guidelines for Hypothyroidism in Adults: Cosponsored by the American Association of Clinical Endocrinologists and the American Thyroid Association. Thyroid. Vol. 22. No 12. 2012.
  3. KUMAR, Vinay; et al. Robbins e Contran: Patologia, Bases Patológicas das Doenças. 8ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. 
  4. Torquati A, Lutfi R, Khaitan L, Sharp KW, Richards WO. Heller myotomy vs Heller myotomy plus Dor fundoplication: cost-utility analysis of a randomized trial. Surg Endosc 2006; 20:389-93.
  5. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo; Sociedade Brasileira de Medicina e Família e Comunidade; e Associação Brasileira de Psiquiatria: Hipotireoidismo: Diagnóstico. Diretrizes Clínicas na Saúde Suplementar, 2011

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀