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Boa leitura!
Hiperprolactinemia: Fisiologia do Hipotálamo/Hipófise
Os conhecimentos atuais sobre a neuroendocrinologia reconhece que os neuropeptídios hipotalâmicos são o elo entre o sistema nervoso central (SNC) e a função endócrina. Além disso, estudos mais recentes têm caracterizado os receptores para os peptídios hipotalâmicos e sua distribuição, tanto no SNC quanto em outros tecidos além da hipófise. O controle hipotalâmico, tanto por aferências neurais quanto por fatores humorais, também tem sido objeto de estudos recentes.
O conhecimento da anatomia da unidade hipotálamo-hipofisária, de suas conexões com as estruturas do SNC, das funções e das ações dos peptídios hipotalâmicos, seu controle e a localização de seus receptores é essencial para a compreensão dos mais diferentes acometimentos endocrinológicos, inclusive a hiperprolactinemia.
Hipotálamo
A principal função do hipotálamo é a manutenção da homeostasia corporal, por meio da coordenação das respostas fisiológicas dos diferentes órgãos. Para isso, o hipotálamo integra os sinais provenientes do ambiente, de outras partes do cérebro e do sistema nervoso aferente visceral, elaborando respostas neuroendócrinas adequadas.
Assim, o hipotálamo coordena várias funções corporais, como o controle do peso corporal, da ingestão alimentar, a ingestão de líquidos e o equilíbrio líquido, a temperatura corporal e o sono. A maioria dessas funções é desempenhada por intermédio do controle da função hipofisária pelo hipotálamo.
O controle da função hipofisária pelo hipotálamo se dá por meio dos neuropeptídios hipotalâmicos, sintetizados nos neurônios hipotalâmicos e transportados para a neuro-hipófise pelo trato hipotalâmico-hipofisário e também pela liberação de peptídios que causam a liberação dos hormônios adenohipofisários.
O hipotálamo constitui a parte do diencéfalo localizada abaixo do tálamo e entre os corpos laminares e a lâmina terminal, formando as paredes e o assoalho do terceiro ventrículo. No assoalho do terceiro ventrículo, as duas porções do hipotálamo se fundem e formam a eminência média, local onde as terminações axônicas dos neurônios hipotalâmicos liberam os neuropeptídios que irão controlar a função da adenohipófise. Essa mesma região é cruzada pelos axônios que terminam na neuro-hipófise, considerada, praticamente, uma extensão hipotalâmica.
No hipotálamo, existem grupos de neurônios organizados em núcleos, chamados de núcleos hipotalâmicos. Alguns dos neurônios que compõem estes núcleos são neuro-humorais e sintetizam peptídios que atuam como hormônios. Há dois tipos de neurônios que são importantes na mediação das funções endócrinas: os neurônios magnocelulares e os parvocelulares. Os neurônios magnocelulares localizam-se predominantemente nos núcleos paraventriculares e supraópticos, produzindo ocitocina e arginina vasopressina (AVP), também conhecida como hormônio antidiurético (ADH), e formam o trato hipotalâmico-hipofisário, que termina na neuro-hipófise.
Os axônios dos neurônios parvicelulares terminam na eminência mediana, disponibilizando hormônios de liberação ou de inibição que controlam a função da adenohipófise. Os peptídios hipotalâmicos hipofisiotróficos, que são sintetizados pelos neurônios parvicelulares e acabam por liberar ou inibir a secreção adenohipofisária, são: hormônio liberador de corticotrofina (CRH), hormônio liberador de tireotrofina (TRH), hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH), somatostatina e dopamina.
O suprimento sanguíneo da hipófise é fornecido por ramos da artéria carótida interna. Existem três ramos: as artérias hipofisárias superiores, médias e inferiores. As artérias hipofisárias superiores formam o plexo capilar primário e nutrem a eminência mediana. Os peptídios hipofisiotróficos liberados na eminência mediana penetram nos capilares do plexo capilar primário, sendo transportados pelas veias porto-hipofisárias até a adenohipófise. O suprimento sanguíneo da neurohipófise é garantido especialmente pelas artérias hipofisárias média e inferior. A hipófise recebe sangue de dois grupos de artérias, ambas derivadas da carótida interna, mas independentes do suprimento carotídeo para o hipotálamo. Estes ramos arteriais se comunicam com um enovelado plexo primário de capilares no nível da haste hipofisária. As vênulas desses capilares descem pela haste hipofisária para formar um plexo secundário de capilares. Este arranjo de dois plexos capilares é chamado de sistema portal hipofisário. Em resumo, a adenohipófise é irrigada pela artéria hipofisária anterior, e a neuro-hipófise pelas artérias hipofisárias média e inferior.
Adenohipófise
A hipófise é uma glândula constituída por um lobo anterior e outro posterior, que diferem na sua origem embriológica, na sua estrutura e em suas funções. O lobo anterior é também conhecido como adenohipófise, é maior e consiste em uma parte anterior e uma parte intermediária ou lobo intermediário, separados por uma estreita fenda, o remanescente da bolsa de Rathke. A parte intermediária é de pouca importância na fisiologia humana.
A adenohipófise desempenha papel fundamental na função endócrina, por meio da produção hormonal ativa, sob o comando do hipotálamo, por intermédio dos neuropeptídios que este libera na eminência mediana. É uma estrutura densamente vascularizada, constituída por células epiteliais derivadas do revestimento ectodérmico do palato durante o desenvolvimento embrionário, e produz hormônios trópicos, liberando-os na circulação sistêmica: o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), o hormônio tireoestimulante (TSH), o hormônio do crescimento (GH), a prolactina e as gonadotrofinas – o hormônio luteinizante (LH) e o hormônio foliculoestimulante (FSH).
Estes hormônios são produzidos por diferentes células na adenohipófise, com distribuição específica: os gonadotrofos (que produzem LH e FSH) e os somatotrofos (que produzem GH) são mais numerosos na região posterolateral da adenohipófise, enquanto os corticotrofos (que produzem ACTH) e os tireotrofos (que produzem TSH) localizam-se predominantemente na região anteromedial. Os lactotrofos (que produzem prolactina) estão dispersos em toda a adenohipófise.
A resposta da hipófise aos efeitos estimulatórios ou inibitórios pode ser modificada por diversos fatores, como os níveis hormonais, por retroalimentação negativa ou positiva e pelos ritmos circadianos.
A maioria dos ritmos circadianos é sincronizada por um relógio biológico localizado no núcleo supraquiasmático do hipotálamo que é regulado por fatores externos, como a luz e a escuridão, e tanto o sono quanto os efeitos circadianos interagem para produzir o padrão rítmico global de liberação dos hormônios hipofisários. Alguns dos ritmos hormonais de 24 horas estão relacionados com o sono (GH, TSH e prolactina), enquanto outros são influenciados pelos ritmos circadianos (ACTH, cortisol e melatonina). Devido a essa influência, vemos a secreção do GH ser maior durante a fase de ondas lentas no início da noite e a secreção de prolactina ter um pico durante a fase mais profunda do sono. Além disso, vemos o cortisol apresentar um pico maior de secreção no início da manhã e outro menor a tarde (influência do ritmo circadiano). Estes padrões cíclicos são fundamentais para a secreção hormonal adequada e, portanto, para a manutenção da homeostasia.