A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma das patologias mais comuns nos homens a partir da quinta década de vida, podendo associar-se a sintomas do trato urinário inferior (STUI ou LUTS).
A doença costuma interferir nas atividades diárias e no padrão do sono dos pacientes e, quando não tratada, pode levar a retenção urinária, hidronefrose e insuficiência renal.
Epidemiologia da Hiperplasia Prostática Benigna
O processo hiperplásico começa frequentemente na terceira década de vida; em torno dos 80 anos de idade, 85% dos homens apresentam Hiperplasia Prostática Benigna. A prevalência da HPB, que aumenta com o passar dos anos em necropsias, é notavelmente semelhante entre homens de diferentes etnias.
O envelhecimento e os testículos funcionantes constituem os principais fatores de risco. O aparecimento de manifestações clínicas de Hiperplasia Prostática Benigna antes dos 65 anos de idade em um parente de primeiro grau também constitui um fator de risco.
A prevalência das manifestações clínicas é incerta, devido a uma falta de consenso na definição dos sintomas atribuíveis à hiperplasia. Entretanto, nos Estados Unidos, cerca de um terço dos homens norte-americanos na faixa dos 40 aos 79 anos de idade apresenta sintomas moderados a graves do trato urinário inferior, cuja maioria é atribuível à HPB.
Sinais e Sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna
O quadro clínico é variável, podendo apresentar sintomas intermitentes ou progressivos. Alguns pacientes apresentam STUI mesmo sem crescimento expressivo da próstata, da mesma forma que algumas pessoas com aumento prostático significativo podem permanecer oligossintomáticas.
Os sintomas são divididos em três grupos:
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Sintomas de Armazenamento: aumento da frequência urinária (polaciúria), noctúria, urgência/incontinência urinária e enurese noturna.
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Sintomas de Esvaziamento: jato fraco, bífido ou intermitente, hesitação, esforço miccional e gotejamento terminal.
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Sintomas Pós-miccionais: tenesmo vesical (sensação de esvaziamento incompleto) e gotejamento pós-miccional.
Na avaliação inicial recomenda-se utilizar escores de sintomas para avaliar seguimento e manejo do paciente. O I-PSS (Escore Internacional de Sintomas Prostáticos) é um escore amplamente utilizado e validado para uso no Brasil. Apresenta sete perguntas, autoaplicadas pelo paciente, que avaliam a gravidade dos sintomas prostáticos. Além disso, é importante avaliar se os sintomas prejudicam a qualidade de vida do paciente, sendo este um fator norteador para otimizar o tratamento.
Por vezes, essa avaliação é auxiliada por meio de um diário miccional, no qual o paciente deve registrar os sintomas, horário e volume das micções, durante três dias e noites.