A hiperglicemia assintomática acontece quando os níveis de glicemia estão maiores ou entre 250mg/L no limite de 600mg/L, sem outros sintomas associados, como a acidose e a hiperosomolaridade, normalmente com um diagnóstico prévio de diabetes mellitus tipo 2. Como não há sintomatologia, o manejo é diferente de uma situação de emergência ou urgência.
Nesses casos, a avaliação acontece com o acomodamento do paciente, verificação de glicemia capilar e outros sinais vitais, como a pressão arterial, saturação de oxigênio e frequência cardíaca. Além disso, vale salientar que durante a anamnese, sempre devemos questionar qual a glicemia usual desse paciente, abordando possíveis fatores de risco que possam precipitar uma descompensação.
Epidemiologia
A prevalência do diabetes em todo mundo se dá por diversos fatores, são eles: socioeconômicos, demográficos, ambientais e até mesmo genéticos. O brasil ocupa o 5º lugar de incidência da doença no mundo, com a estimativa de 16,8 milhões de adultos entre 20 a 79 anos. Estudos pelo Atlas do Diabetes da Federação Internacional de Diabetes (IDF) revelam que até 2030 a doença atinja 21,5 milhões de pessoas.
Trata-se de uma séria questão de saúde pública brasileira e mundial, porque a urbanização tem crescido cada vez mais, influenciando diretamente na prevalência de modo global, encontrando-se 10,8% em áreas urbanas, contra 7,2% em áreas rurais.
Fisiopatologia
A causa que leva ao DM2 é a resistência à insulina secretadas pelas células β das ilhas de Langerhans pancreáticas. Isso ocorre pela diminuição no processo de apoptose (morte celular programada) dessas células, conferindo resistência à ação das incretinas como o péptido 1 semelhante ao glucagon (GLP-1), que, consequentemente estimula a produção de glucagon, levando o paciente a um quadro de hiperglucagonemia relativa. Essa alta sensibilização, gera o aumento da gliconeogênese (produção da glicose) e aumento da demanda de insulina, que pode ser representada como acantose.
Outro fator agravante é a lipotoxicidade pelos ácidos graxos livres circulantes (FFA), que são os adipócitos que sofreram lipólise e estão em níveis séricos. Esse efeito tóxico se dá sobre as células β, interferindo diretamente na secreção da insulina. Consequentemente, há um aumento da reabsorção renal pelos cotransportadores, levando ao crescimento do limiar renal de glicose, desse modo, acontece um aumento dos níveis de glicemia.
Diagnóstico de DM2
Para fins diagnósticos, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), referenciaram os seguintes critérios laboratoriais para o diagnóstico do DM2 e estratificação do pré-diabético:

Os critérios citados são levados em consideração principalmente em pacientes assintomáticos, porque ainda não há lesão de órgão-alvo. Nesse caso, apenas os exames laboratoriais podem confirmar o diagnóstico. Abaixo, seguem os critérios de rastreio desses pacientes, a fim de investigar os possíveis fatores desencadeantes:

Todo diagnóstico de DM2 deve ser investigado e estratificado, por isso no quadro acima, seguem os pontos mais importantes a serem levados em consideração. O fator idade, sobrepeso e sedentarismo lideram como fatores de risco, mas não se pode descartar outras associações.
Tratamento de DM2 assintomático
A escolha do fármaco no DM2 depende do resultado dos exames laboratoriais para confirmação diagnóstica, desde que não exista complicações cardiovasculares. Por isso, em pacientes assintomáticos, a metformina é o fármaco de escolha, ela possui alta segurança e eficácia, além da baixa incidência de eventos adversos, como a hipoglicemia. Além disso, a associação com insulina em pacientes assintomáticos deve ser sempre considerada. No entanto, de modo geral, o tratamento inicial leva em consideração os seguintes critérios:
O esquema acima é definido pela diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes destinado àqueles que possuem diagnóstico confirmado de diabetes mellitus tipo 2 e qual conduta farmacológica seguir, conforme os índices da hemoglobina glicosilada (HbA1c).
Vale lembrar que as mudanças no estilo de vida são imprescindíveis no DM2, além da perda de peso, alimentação saudável. A atividade física deve ser recomendada posteriormente ao rastreio de risco do paciente, para avaliar frequência e intensidade do exercício recomendado.
O quadro acima se refere aos pacientes assintomáticos ou aqueles que não possuem restrições, como complicações microvasculares. Todo caso dependerá da estratificação de risco do paciente.
Referências Bibliográficas
Hiperglicemia assintomática. Planejamento terapêutico. Acesso em: 04 de maio de 2022.https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/diabetes-mellitus-tipo-2-(DM2)-no-adulto/unidade-de-atencao-primaria/dm2-aguda/hiperglicemia/assintomatica/#pills-manejo-inicial
Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz 2022. Tratamento farmacológico da hiperglicemia no DM2. Acesso em: 04 de maio de 2022.https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-da-hiperglicemia-no-dm2/#notas-importantes-e3e8a50b-8417-489d-bc7c-14be799bfbff
Sociedade Brasileira de Diabetes. Atividade física e exercício no pré-diabetes e DM2-Novo. Acesso em: 04 de maio de 2022. https://diretriz.diabetes.org.br/atividade-fisica-e-exercicio-no-pre-diabetes-e-dm2/
Biblioteca Virtual em Saúde, Ministério da Saúde. 26/06 – Dia Nacional do Diabetes. Acesso em: 04 de maio de 2022. https://bvsms.saude.gov.br/26-6-dia-nacional-do-diabetes-4/#:~:text=Segundo%20o%20Atlas%2C%20a%20crescente,tipo%202%20em%20n%C3%ADvel%20social.
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