O termo hidrocefalia é derivado do grego e significa “água na cabeça”. Tradicionalmente, a hidrocefalia tem sido definida como um acúmulo inadequado de líquido cefalorraquidiano (LCR) no espaço intracraniano, o que ocasiona um amento do sistema ventricular (ventriculomegalia) e hipertensão intracraniana.
Porém, vale lembrar que a hipertensão intracraniana pode ocorrer mesmo sem a dilatação ventricular, como na hidrocefalia de volume normal, e a ventriculomegalia pode se desenvolver com pressão intracraniana normal ou até mesmo negativa, como na hidrocefalia de pressão negativa.
Logo, a melhor definição para hidrocefalia é – quantidade inapropriada de LCR dentro do espaço intracraniano, gerando uma pressão intracraniana inapropriada e consequentes manifestações clínicas.
SE LIGA! Hidrocefalia não é uma doença específica, mas representa um grupo diverso de afecções que resultam em comprometimento da circulação e absorção do LCR.
Epidemiologia da Hidrocefalia
A hidrocefalia primária sem espinha bífida acomete 1 em cada 2500 nascidos vivos. Nos últimos 25 anos, houve uma redução significativa na incidência da hidrocefalia, passando de 54% para 5%. Ademais, quanto a redução da capacidade cognitiva, associada com casos crônicos de hidrocefalia, houve uma redução de 62% para 30%.
Segundo o Hospital Albert Einstein, no Brasil há aproximadamente 11 mil novos casos por ano de hidrocefalia em adultos. Acometendo, igualmente, homens e mulheres, principalmente a partir dos 65 anos de idade. Porém, considerando a subnotificação dessa doença, acredita-se que este número seja maior.
Fisiopatologia, anatomia e etiologia da Hidrocefalia
O LCR é um filtrado do plasma produzido, em sua maior parte, por meio do transporte ativo de água e solutos através das células epiteliais do plexo coroide dos ventrículos, especialmente dos ventrículos laterais – que seguem para o 3ª ventrículo através do forame de Monro. O LCR produzido circula pelo sistema ventricular (do 3ª ventrículo segue para o 4ª ventrículo através do aqueduto de Sylvius), deixando-o através dos forames de Luschka e Magendie, atingindo as cisternas cerebelo-bulbar e magna e daí ganhando o espaço subaracnóideo espinhal e cortical, finalmente chegando às vilosidades aracnóideas, projeções do espaço subaracnóideo no interior dos seios venosos durais, onde o LCR será absorvido pelas granulações aracnoides.