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Hepatites virais: definição e quadro clínico da doença

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Existem 5 vírus principais relacionados com as hepatites virais, sendo eles essencialmente hepatotrópicos. São estes os vírus A, B, C, D e E.

Entretanto, outros vírus podem cursar com hepatite como uma de suas manifestações sistêmicas, a exemplo do citomegalovírus, herpes vírus, Epstein-Barr, varicela, dentre outros.

De maneira geral, devido a importância epidemiológica dos vírus A, B, C, D e E; bem como a importância etiológica destes na hepatite virais, quando falamos – e por “falamos”, quero dizer: profissionais de saúde, pesquisadores, e a comunidade científica no geral – em hepatites virais, geralmente estamos nos referindo a estes 5 vírus.

Definição de Hepatites Virais

A hepatite viral é uma infecção que gera necroinflamação do fígado, com manifestações clínicas e laboratoriais relacionadas com a lesão hepática inflamatória.

As hepatites virais representam a maior causa de hepatopatia aguda e crônica em nosso meio, tornando importante o domínio do médico generalista sobre o assunto na prática clínica.

Veremos, primeiramente, a apresentação das hepatites virais agudas e, em seguida, abordaremos cada um dos cinco tipos de hepatite viral, incluindo as formas crônicas.

As hepatites virais agudas constituem um problema relevante de saúde pública no Brasil. São infecções autolimitadas ou estágios da infecção que precedem a sua cronificação.

Nesse contexto, veremos que podem ser causadas por cinco principais tipos de vírus, mas que as manifestações clínicas não são patognomônicas dessa enfermidade e que a distinção entre os cinco tipos de vírus é impossível de ser feita com base nos sinais e sintomas clínicos, embora alguns dados possam favorecer a suspeita de um ou outro tipo.

Quadro clínico das hepatites virais

O quadro clínico das hepatites virais agudas é muito variável em sua intensidade e gravidade, podendo ser desde oligossintomáticos a quadros fulminantes requerendo transplante hepático.

Por outro lado, considerando os cinco principais tipos de vírus mais precisamente identificados até agora como agentes causadores, não dá para distinguir clinicamente os cinco tipos de vírus, tornando difícil a identificação etiológica sem recorrer a exames laboratoriais.

A hepatite viral aguda pode ter apresentação assintomática ou sintomática, anictérica ou ictérica ou, ainda, como formas colestáticas.

Temos, primeiramente, a fase pré-ictérica. Os sintomas são inespecíficos, tais como mal-estar, astenia, febre, cefaleia, mialgia, diarreia ou obstipação, fadiga, náuseas, anorexia e leve dor em quadrante superior direito do abdome.

Pode ainda incluir tosse, rinorreia e artralgia. Ou seja, dá para entender que este período possui sintomas que não nos dizem lá muita coisa e são altamente inespecíficos.

Esse período pré-ictérico dura geralmente uma semana, podendo estender-se até três semanas. Algumas manifestações podem falar a favor de uma etiologia, como artralgia/artrite, urticária, glomerulonefrite, doença do soro e exantema sendo mais comuns na hepatite B.

Além disso, a doença tende a apresentar-se de forma mais aguda na hepatite A e de forma mais insidiosa na hepatite C. No entanto, lembre-se que são apenas tendências.

Os anticorpos específicos tendem a aparecer nessa fase pré-ictérica, os títulos virais são geralmente mais altos e as aminotransferases começam a se elevar.

SE LIGA! É importante ressaltar que essa fase pré-ictérica pode acabar durando por todo o curso da infecção aguda, em formas subclínicas ou anictéricas de hepatite aguda. A forma anictérica é muito frequente, então é importante que a gente não se limite a desconfiar de hepatite viral apenas quando o quadro evolui para icterícia, ok?

A presença de urina com coloração escura marca o início da fase ictérica. Nessa fase, a icterícia surge e as náuseas e fadiga se agravam. As fezes podem ficar esbranquiçadas nos casos de icterícia grave e pode haver prurido. Anorexia, disgeusia e perda ponderal podem estar presentes.

Ao exame físico, geralmente, há icterícia e dor a palpação de hipocôndrio direito, bem como a hepatomegalia e esplenomegalia podem estar presentes nos casos mais graves. Exames laboratoriais mostram hiperbilirrubinemia às custas de bilirrubina conjugada e as aminotransferases estão elevadas em mais de dez vezes o limite superior da normalidade (LSN). Nessa fase, os níveis virais começam a decair no sangue e no fígado.

A duração dessa fase pode variar, bem como sua intensidade. Alguns dias até uma semana é geralmente o período de duração, podendo estender-se por quatro a oito semanas.

Deve-se atentar para sinais de gravidade, como mudança no comportamento e no ritmo de sono e prolongação do tempo de protrombina, que podem sugerir insuficiência hepática aguda e sinalizam evolução para forma fulminante.

Na fase de convalescência, a recuperação geralmente dá os primeiros sinais com o retorno do apetite, normalização sérica de bilirrubinas e aminotransferases e depuração viral. A maioria dos pacientes evolui para cura, em particular nas hepatites A e E. Porém, 55% a 80% dos casos de hepatite C e 2% a 10% dos adultos com hepatite B irão evoluir para forma crônica. Além disso, no caso da hepatite B, 95% dos recém-nascidos e 20% das crianças irão evoluir para forma crônica.

Complicações da infecção aguda são cronificação, insuficiência hepática fulminante, hepatite recorrente ou colestática e síndromes extra-hepáticas. A forma fulminante ocorre em 1% a 2% dos casos, mais frequentemente nas formas B e D e menos frequentemente na C. Denomina-se fulminante quando desenvolve-se encefalopatia hepática, por isso deve-se ficar atento aos padrões de comportamento e do sono. Quando icterícia e prurido intenso estão presentes, podem indicar padrão colestático, que geralmente regride com o tempo.

O fator prognóstico mais confiável é o grau de prolongamento do tempo de protrombina. Outros sinais que indicam mau prognóstico incluem a progressão persistente da icterícia, ascite e diminuição do tamanho do fígado. Aminotransferases e carga viral têm pouco valor prognóstico.

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