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Hematúria: o que é e como é classificada a doença?

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Hematúria ou existência de células sanguíneas na urina é sinal comum em mais de uma centena de doenças ou de condições sistêmicas, sendo muito frequente na população geral.

Em muitos casos, é o primeiro sinal clínico. As principais etiologias variam com a idade e as mais comuns são litíases, infecções e inflamações da bexiga ou da próstata.

Quando ocorre em crianças, de forma isolada, geralmente é transitória e sem grandes consequências. Em adultos, principalmente acima de 50 anos de idade, há mais risco de estar relacionada a patologias malignas.

Origem glomerular
Origem não glomerular
Glomerulonefrite primária
Causas que afetam parênquima renal
Nefropatia IgA (doença de Berger)
Alterações vasculares (malformação arteriovenosa, infarto e trombose de veia renal)
Glomerulonefrite pós-infecciosa
Tumores renais (carcinoma de células renais, angiomiolipoma e oncocitoma)
Glomerulonefrite membranoproliferativa
Alteração metabólica (hiperuricosúria e hipercalciúria)
Esclerose focal glomerular
Causa familiar (doença policística e rim esponja medular)
Glomerulonefrite rapidamente progressiva
Infecção (pielonefrite, tuberculose, leptospirose, citomegalovírus e mononucleose)
Glomerulonefrite secundária
Necrose papilar
Nefrite lúpica
Causas extrarrenais
Síndrome de Henoch-Schonlein
Tumor (pélvis, ureter e bexiga e próstata)
Vasculites (poliarterite nodosa e granulomatose Wegener)
Hiperplasia prostática benigna
Síndrome hemolítico-urêmica
Litíase via urinária
Púrpura trombocitopênica
Infecções (cistite, prostatite e tuberculose)
Nefrite por medicamentos (analgésicos)
Coagulopatias sistêmicas e anemia falciforme
Familiar (doença genética de membrana basal)
Radiação
Síndrome de Alport
Medicamentos (heparina e ciclofosfamida)
Doença de membrana basal fina
Hipertensão maligna
Familiar (doença de Fabri)
Endometriose e fístula vésico-uterina
Exercício físico
Congênitas (refluxo vésico-ureteral e obstrução junção uretero-piélica)

Classificação da Hematúria

Em função do quadro clínico, pode ser classificada de acordo com aspecto da hematúria; da sintomatologia; e da temporalidade.

Aspecto

Pode ser classificada como sendo hematúria microscópica, quando as hemácias são detectadas somente por sedimentoscopia urinária, ou hematúria macroscópica, quando a coloração da urina sugere existência de sangue.

Por definição, considera-se hematúria microscópica o achado de mais de três eritrócitos por campo de grande aumento (400x) em sedimento de centrifugado de urina em, pelo menos, duas amostras distintas coletadas com intervalo de duas a quatro semanas.

Já a hematúria macroscópica é definida quando há alteração grosseira de coloração urinária. No exame de urina I observa-se presença de hemoglobina em três cruzes (+++).

SE LIGA! O exame de fita na investigação de urina I pode vir falso-positivo para hemoglobina em situações de mioglobinúria ou até mesmo em situações de colúria. 

Sintomatologia

Pode ser classificada, de acordo com a presença ou não de sintomas associados, em hematúria sintomática ou hematúria assintomática, respectivamente.

Temporalidade

Quanto a temporalidade, a hematúria pode ser episódica (ou isolada), contínua ou intermitente, quando durante o dia apresenta micções com coloração normal.

A hematúria pode ser classificada também em persistente ou transitória, quando permanece por período superior ou inferior a três meses. Ela será considerada recorrente quando há intervalos de meses ou de anos entre as remissões.

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