Anúncio

Guia prático de cricotireoidostomia cirúrgica | Colunistas

capa_Guia_prático_de_cricotireoidostomia_cirúrgica

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A cricotireoidostomia cirúrgica consiste no estabelecimento de uma abertura através da membrana cricotireóidea e a colocação de um tubo de traqueostomia ou tubo endotraqueal (TET) com balonete na traqueia. O procedimento faz parte do que se chama de via aérea (VA) avançada ou VA definitiva, que define-se como um tubo endotraqueal com o balão insuflado abaixo das cordas vocais. Na emergência, a cricotireoidostomia é empregada principalmente nos casos de via aérea falha por não consigo oxigenar.

E você, sabe como realizar esse procedimento? Se não sabe ou quer relembrar, preparamos um guia prático de cricotireoidostomia cirúrgica para você.

Quando a cricotireoidostomia é indicada?

Indica-se a cricotireoidostomia cirúrgica quando há incapacidade de realizar intubação oro ou nasotraqueal (Ex.: trauma extenso de face, sangramento profuso, edema de laringe, obstrução.) e o paciente não pode ser adequadamente oxigenado apesar das tentativas ideais com ventilação com bolsa-válvula-máscara (VBVM) ou dispositivo extraglótico (DEG).

Quando estiver decidindo sobre a indicação do procedimento, pergunte-se:

  1. A incisão ao nível da membrana cricotireóidea irá desviar da obstrução e resolver o problema? Se sim, prossiga; se não, avalie outro método.
  2. A anatomia do paciente ou o processo patológico tornam a cricotireoidostomia difícil? Se sim, considerar via alternativa.

A mnemônica SMART pode ser utilizada para ajudar a identificar cricotireoidostomia difícil:

  • S – Cirurgia (surgery) recente ou remota: considerar distorções, fibrose, edema, sangramento;
  • M – Massa: pode dificultar tecnicamente o procedimento.
  • A – Acesso/Anatomia: obesidade, enfisema subcutâneo, infecção de tecidos moles ou edema, paciente com pescoço curto, além de dispositivos externos, como colar de imobilização cervical ou halo torácico podem dificultar o acesso.
  • R – Radiação (e outra deformidade ou fibrose): A radioterapia prévia pode causar distorção e fibrose dos tecidos, dificultando o procedimento.
  • T – Tumor: pode apresentar dificuldade para o acesso e em relação a sangramentos.

Contraindicações e complicações da cricotireoidostomia

As principais contraindicações do procedimento são:

  • Crianças menores de 10 – 12 anos. Nesses pacientes, preferir cricotireoidostomia por punção;
  • Fratura da laringe ou dano significativo à cartilagem cricóidea (contraindicação relativa);
  • Intubação endotraqueal que pode ser realizada de forma fácil e rápida (contraindicação relativa);
  • Diátese hemorrágica (contraindicação relativa);
  • Edema maciço do pescoço (contraindicação relativa);
  • Falta de experiência do operador (contraindicação relativa).

Além de saber indicar e contraindicar, é indispensável ao médico (e ao acadêmico) conhecer sobre as complicações do procedimento. Podemos dividir as complicações em precoces e tardias:

  • Precoces
  • Comuns: sangramento, infecção, hematoma, colocação incorreta/malsucedida do tubo, enfisema subcutâneo;
  • Incomuns: perfuração esofágica, perfuração mediastinal, pneumotórax, pneumomediastino, lesão das pregas vocais;
  • Tardias
  • Comuns: disfonia, estoma persistente;
  • Incomuns: estenose glótica ou subglótica, fístula traqueoesofágica, traqueomalacia.

Passo a passo da cricotireoidostomia cirúrgica

Agora que sabemos as indicações, contraindicações e complicações da cricotireotomia, chegou a hora de aprendermos sobre a técnica do procedimento.

Mas antes disso, você sabe quais materiais são utilizados?

Materiais

O ideal é que ao realizarmos o procedimento tenhamos disponível:

  • EPIs estéreis;
  • Campo cirúrgico;
  • Pinça kelly;
  • Gaze;
  • Degermante e antisséptico;
  • Lidocaína 2%;
  • Agulha e seringa para anestesia;
  • Bisturi com lâmina 11;
  • Bougie/guia;
  • Tubo;
  • Seringa para insuflar o cuff;
  • Material para fixar;
  • AMBU.

Além disso, é importante chamar mais alguém para ajudar!

Técnica

Agora que vimos quais materiais utilizar, hora de aprender ou relembrar o passo a passo da cricotireoidostomia cirúrgica.

Primeiramente, necessita-se explicar o procedimento ao paciente e obter seu consentimento, caso esteja consciente. Em seguida, prepara-se o pescoço por meio de antissepsia, colocação dos campos cirúrgicos, se houver tempo, e administração de anestesia, caso o paciente esteja consciente. Durante o procedimento, identifica-se as estruturas relevantes, como as cartilagens tireoide e cricoide, assim como a membrana cricotireóidea, utilizando a mão não dominante para garantir precisão e segurança.

FIGURA 1 – Anatomia da laringe. Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.   

Imobilização

Em seguida, imobiliza-se a laringe colocando o polegar e o dedo médio da mão não dominante em lados opostos dos cornos laríngeos superiores e o dedo indicador deve ser usado para localizar e identificar novamente a membrana cricotireóidea a qualquer momento durante o procedimento.

FIGURA 2 – O polegar e o dedo médio imobilizam os cornos superiores da laringe; o dedo indicador é usado para palpar a membrana cricotireóidea.  Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.  

Com a mão dominante, realiza-se uma incisão vertical de 2 cm na linha média da pele.

FIGURA 3 – Com o dedo médio movido para o lado, mas com imobilização firme continuada da laringe, é feita uma incisão cutânea vertical na linha média, até a profundidade das estruturas laríngeas.  Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.  

Identificação

Identifique novamente a membrana cricotireóidea e mantenha o dedo indicador na borda inferior da cartilagem tireoide, fornecendo assim uma indicação clara da extensão superior da membrana cricotireóidea

Realize a incisão na membrana em sentindo horizontal com cerca de 1cm, preferencialmente na porção mais inferior da membrana para “desviar” das artériasFIGURA 4 – É feita uma incisão horizontal na membrana, próximo à borda inferior da membrana cricotireóidea. O dedo indicador pode ir para o lado ou permanecer na incisão, palpando a borda inferior da cartilagem tireóidea, para guiar o bisturi até a membrana. Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.    

Gira-se o bisturi 90º e mantenha-o pressionando para não “perder” o local do tubo.

Gancho pressionando a parede lateral para não “perder” o local do tubo. Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.   

Insere-se o tubo endotraqueal ou de traqueostomia com balonete (se tiver bougie. Assim, insira-o antes até a carina e depois coloque o tubo “por cima”.

FIGURA 6 – O tubo de traqueostomia passa dentro da incisão à medida que o bisturi estabiliza as cartilagens. Fonte: Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência, 2019.  

Após retirar o guia/bougie, confirma-se o local do tubo por meio de capnografia ou método auscultatório, seguindo a sequência: hipogástrio, base esquerda, base direita, ápice esquerdo e ápice direito. Fixa-se o tubo adequadamente e solicita-se uma radiografia de tórax para confirmar sua posição. Em seguida, conecta-se o paciente à ventilação mecânica e realiza-se a sedoanalgesia conforme necessário.

Cuidados pós-procedimento

Os cuidados pós-procedimento após uma traqueostomia são essenciais para garantir a recuperação adequada do paciente e prevenir complicações. Isto inclui a monitorização contínua dos sinais vitais, especialmente a saturação de oxigênio e a frequência respiratória.

Além disso, deve-se manter a área da traqueostomia limpa e seca, trocando os curativos conforme necessário e observando sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço ou drenagem purulenta. Ajusta-se a posição do paciente regularmente para prevenir a formação de úlceras por pressão. Deve-se garantir uma higiene oral adequada para prevenir infecções respiratórias.

Deve-se monitorar o paciente de perto quanto à presença de secreções traqueais e aspirações regulares necessárias para manter as vias aéreas desobstruídas. Além disso, é importante educar o paciente e os cuidadores sobre os sinais de complicações e orientar sobre o manejo adequado em caso de emergência. Um acompanhamento médico regular é crucial para avaliar a cicatrização da traqueostomia e ajustar o plano de cuidados conforme necessário.

Veja também:

Referências bibliográficas

  • AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS – Advanced Trauma Life Support for Doctors. 10. ed. Chicago: Committee on Trauma, 2018, 9 p.
  • BROWN III, C. A.; SAKLES, J. C.; MICK, N. W. Manual de Walls para o Manejo da Via Aérea na Emergência. [S.l.]: [s.n.], 2019.
  • MAYEAUX, E. J. et al. Guia Ilustrado de Procedimentos Médicos. Porto Alegre: Artmed, 2012.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.

Sugestão de leitura complementar

Esses artigos podem ser do seu interesse:

Estude com o SanarFlix

Está buscando uma forma prática e eficiente de estudar para suas provas ou aprimorar seus conhecimentos práticos? Conheça o SanarFlix!

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀