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Guia prático de anticoncepção na adolescência | Ligas

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Diante do cenário atual em que há diminuição das taxas de fecundidade de forma global, em parte pelo avanço e facilidade de uso dos métodos contraceptivos e pela inserção cada vez maior da mulher no mercado de trabalho, há uma controvérsia: As taxas de gestações na adolescência continuam alarmantes, com mais de meio milhão de crianças nascidas de mãe entre 10 e 19 anos, conforme dados do Ministério da saúde.

Com o objetivo de ofertar estratégias de prevenção à gravidez na adolescência e sobretudo de mitigar o preconceito dos próprios profissionais de saúde sobre essa temática, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou um guia prático de atualização sobre anticoncepção na adolescência.

Abordagem ética na anticoncepção

O (a) adolescente tem direito:

  1. Privacidade na consulta.
  2. Confidencialidade – Quebra de sigilo apenas na suspeita de violência sexual, teste positivo para HIV e gestação em menores de idade.
  3. Educação sexual e contracepção.

Ressalta-se que em menores de 14 anos que solicitam prescrição de anticoncepcionais, o profissional de saúde deve afastar a possibilidade de violência sexual. Se descartada, pode-se tomar as providências para o cuidado da saúde da paciente.

Início da prática sexual na adolescência

O início da vida sexual geralmente tende a ocorrer na fase da adolescência, seja pela puberdade antecipada, seja pelos estímulos sexuais inerentes a essa fase da vida. É justamente nesse período que surge a autodescoberta e as curiosidades, despertando o desejo de explorar o desconhecido e isso inclui a prática da atividade sexual.

Dessa forma, os jovens são inseridos nos mais variados contextos sociais, como vulnerabilidades às IST e HIV/ Aids, gestação não planejada e aborto, além de transtornos depressivos, tornando-se de grande importância o reforço e ampliação do autocuidado, a resiliência, e as informações adequadas sobre a saúde e a sexualidade desse público.

Ainda deve-se lembrar que a adoção de comportamentos sexuais desprotegidos ainda é bastante comum nessa faixa etária devido a diversos fatores, como a falta de acesso à anticoncepção, o receio de que os anticoncepcionais prejudicam a fecundidade, abuso sexual, vínculo familiar fragilizado e dificuldade em assumir a sexualidade.

Gravidez na Adolescência

A gravidez precoce – entre meninas entre 10 e 19 anos – pode acarretar uma série de situações inoportunas e de grande vulnerabilidade para a mãe e para filho, como maiores chances de infecções puerperais, risco aumentado de eclâmpsia e parto prematuro.

Porém, deve-se tomar cuidado com as generalizações e preconceitos, pois algumas adolescentes têm o desejo de ser mãe e esse pode ser o seu único projeto de vida, seja por questões sociais, seja por questões religiosas. Nesses casos, é importante aconselhar sobre toda responsabilidade e riscos de uma maternidade precoce.

Tipos de contraceptivos

Contracepção não hormonal

Incluem os métodos comportamentais e de barreira, os quais podem ser os únicos recursos disponíveis no início da atividade sexual na adolescência. Para a utilização desses métodos, faz-se necessária a educação da adolescente sobre seu ciclo reprodutor, a técnica correta para a utilização dos preservativos e seu uso regular nas práticas sexuais.

Fonte: elaborada pelo autor com conteúdo da SBP.

Métodos hormonais

Incluem os anticonceptivos hormonais combinados – os quais contem estrogênio e progestogênio – e os anticoncepcionais orais apenas com progestogênio. Para escolher a melhor opção para a paciente, faz-se necessária a avaliação anterior observando a data da última menstruação, ciclo menstrual, presença de tensão pré-menstrual e/ou dismenorreia primária. Além disso, observar as contraindicações absolutas para o uso de estrogênio como hepatopatias graves, tireoideopatias, doenças tromboembólicas, gestação confirmada ou suspeita e cefaleia com aura, devendo nesses casos priorizar os anticoncepcionais orais apenas com progestina ou outras opções de anticoncepção.

Fonte: Elaborada pelo autor com conteúdo da SBP

Métodos mecânicos

O DIU, o implante subdérmico e o SIU-LNG estão inclusos no grupo dos Long Acting Reversible Contraception (LARC). Esse tipo de método nem sempre é bem aceito entre as adolescentes, mas podem ser uma boa opção para jovens no início da vida sexual, que costumam não ter disciplina no uso regular de medicação oral.

Os LARC têm indicação para adolescentes obesas, nuligestas, primigestas, diabéticas, hipertensas, com risco de trombo, hepatopatas, doença cardíacas e HIV positivo.  Não afetam o ganho de massa óssea, mas podem associar-se a acne. Sempre é importante lembrar que a utilização desses métodos deve ser feita em conjunto com os preservativos a fim de evitar as infecções sexualmente transmissíveis.

Fonte: Elaborada pelo autor com conteúdo da SBP

Métodos Cirúrgicos Permanentes (vasectomia e laqueadura tubária)

O uso desses métodos só se justifica em condições clínicas ou genéticas nas quais seja mandatório evitar a gravidez permanentemente. A lei do Planejamento Familiar não permite a contracepção permanente em menores de 25 anos com menos de dois filhos.

Anticoncepção de emergência

Indicação de uso:

  • Após uma relação sexual desprotegida, falha de algum método contraceptivo ou nas vítimas de violência sexual.

 Intervalo de tempo adequado para utilização:

  • Deve-se usar até 72h, porém pode ser utilizada até o quinto dia após o evento causal, lembrando que o uso precoce aumenta a eficácia.   

Drogas utilizadas:

  • Levonorgestrel ou comprimidos contendo EE acrescido de levonorgestrel. O levonorgestrel pode ser utilizada em dose única de 1,5mg ou em apresentação de duas doses de 0,75mg de 12/12h. Em caso de vômitos de uma a três horas após a tomada, oferecer antieméticos e repetir a dosagem.

Mecanismo de ação:

  • Se for tomada na primeira fase do ciclo à impede a ovulação.
  • Se for tomada na segunda fase -à ocorre o espessamento do muco cervical

Atenção: Não há evidência de teratogenicidade ou interferência na implantação e alteração no endométrio.

Considerações Finais

Os adolescentes estão suscetíveis aos mais diversos riscos ao iniciar a atividade sexual. Por isso, se faz extremamente necessária a promoção da saúde sexual e reprodutiva.  Deve-se, portanto, sempre lembrar dos direitos desses pacientes para que a consulta seja confortável e proveitosa, estimulando a confiança e compartilhamento de informações com o profissional de saúde. Além disso, o método de anticoncepção deve ser debatido e ofertado respeitando a escolha da paciente, mas toda a assistência deve ser prestada para que haja adesão às práticas sexuais seguras com dupla proteção.

Autores, revisores e orientadores:

Autor(a) : Natália Carolina Medeiros do Nascimento Rodrigues

Co-autor(a): Ívina Ribeiro Araújo

Revisor(a): Maria Cibele Lima Pontes

Orientador(a): Maria de Fátima César Xavier 

O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

GUIA prático de atualização: Anticoncepção na adolescência. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Guia prático de atualização: Anticoncepção na adolescência. [S. l.]: SBP, 7 fev. 2018. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/20290c-GPA_-_Anticoncepcao_na_Adolescencia.pdf. Acesso em: 7 maio 2021.

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