Confira neste artigo tudo que você precisa saber para se preparar para passar nas provas de patologia na faculdade de medicina!
Toda doença conhecida possui, no mínimo, uma causa – mesmo que desconhecida pois não há nada em medicina que exista a partir do acaso. Nesse contexto, múltiplas alterações moleculares e/ou morfológicas ocorrem diante da exposição à essa causa.
O estudo dessas causas por trás das doenças é chamado de etiologia e esse é apenas um dos aspectos que a patologia, a ciência que estuda as doenças, se ocupa em esclarecer.
O objetivo deste artigo é compreender o que é a patologia, o que ela estuda e como é imperativo que todo médico e estudante de medicina conheça essa ciência que norteia a compreensão das doenças.
O que é patologia médica e qual a importância dela para faculdade de medicina?
A patologia é uma ciência que estuda a causa e os mecanismos que produzem as doenças, considerando principalmente os aspectos morfológicos, funcionais e moleculares envolvidos nesse processo.
Por meio do conhecimento proporcionado pela patologia é esperado que o estudante seja capaz de entender a doença num contexto geral de suas implicações, bem como auxilia a compreensão sobre as manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e prognóstico.
Esse é um campo de conhecimento que dialoga intimamente com conhecimentos da imunologia, da fisiologia, da microbiologia e outras disciplinas que estão presentes no currículo médico desde o início da formação.
Pela sua abrangência e por nos permitir entender como as doenças ocorrem, a patologia é indispensável para conseguir reconhecer o que é o normal e o que é anômalo.
As alterações morfológicas e funcionais que as doenças provocam são estudadas na patologia a partir de dois ramos: a patologia geral e a patologia especial.
A patologia geral compreende os mecanismos patológicos em comum entre todos os cursos das áreas de saúde e das ciências biológicas, enquanto a patologia especial se ocupa das doenças de um sistema específico.
Dentro do que chamamos como patologia especial, está a patologia médica.
O que a patologia clínica estuda?
A patologia estuda uma série de elementos envolvidos no processo da doença. São eles:
- Anatomia patológica – as alterações morfológicas dos tecidos diante de uma doença;
- Fisiopatologia – as alterações funcionais de sistemas e órgãos afetados por uma doença;
- Etiologia – o estudo das causas das doenças;
- Patogênese – o estudo dos mecanismos que provocam as doenças.
Microbiologia clínica
A patologia e a microbiologia clínica são disciplinas distintas, contudo, são extremamente complementares na prática clínica.
Enquanto a microbiologia se ocupa de identificar os agentes biológicos envolvidos em processos infecciosos por meio de testes e culturas, a patologia promove a interpretação dos resultados ao analisar as lesões provocadas por esses entes.
As alterações de órgãos e tecidos provocadas pela ação de agentes microbianos são também analisadas pela patologia visando não apenas o diagnóstico, mas também a progressão e prognóstico dessas condições.
Hematopatologia
A hematopatologia é uma especialidade dentro da patologia que vista o estudo referente às doenças e distúrbios de ordem hematológica.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia, essa subespecialidade se ocupa das patologias do timo, do baço, da medula óssea, linfomas, leucemias, linfadenopatias e outras que envolvam as células sanguíneas.
Imunopatologia
A imunopatologia esclarece os mecanismos das doenças associados às repercussões que elas provocam no sistema imune, seja por meio da resposta adaptativa ou da resposta adquirida e seus elementos.
Além disso, o sistema imune é formado por uma série de estruturas nas quais estão inclusas a medula óssea, os linfonodos, o timo, o baço e os tecidos linfoides. Dessa maneira, por meio da imunopatologia passamos a compreender alguns fenômenos:
- Como as células reconhecem as agressões?
- As respostas às agressões são estruturadas?
- Como conter o agente da agressão?
- Como as lesões desenvolvidas podem ser reparadas?
As respostas para essas perguntam culminam no esclarecimento do mecanismo de defesa que o corpo desenvolve para se proteger. Isso torna a imunopatologia tão necessária para a compreensão das doenças.
Patologia química
A patologia química, também chamada de química clínica, é um ramo de conhecimento intermediário entre a química e a patologia que tem como finalidade utilizar suas intervenções para auxílio no processo diagnóstico de doenças.
Assim, esse ramo engloba saberes que podem ser aplicados no diagnóstico de patologias em todos os sistemas e órgãos, sendo um recurso auxiliar muito interessante.
Patologia molecular e genética
As técnicas da patologia molecular consistem na análise de DNA e RNA, expandindo a atuação da patologia a esse campo, já que antes apenas o estudo morfológico era mais considerado.
Além disso, o avanço na patologia molecular possibilitou também o conhecimento de alterações genéticas que são marcadores diagnósticos importantes.
Certamente a incorporação tecnológica na patologia promoveu uma ampliação nas possibilidades de aplicação do conhecimento dessa ciência.
Tipos de exames em patologia clínica
Os métodos de estudo em patologia consistem em recursos tecnológicos utilizados para fazer a análise macroscópica e microscópia em busca do estabelecimento de diagnósticos.
Esses estudos se organizam conforme as amostras que são colhidas e qual o objetivo delas na compreensão de uma doença.
Os estudos morfológicos utilizam de testes como os exames citológicos ou anatomopatológicos de biópsias, peças cirúrgicas e necrópsias.
Para que os testes sejam realizados, são utilizadas colorações conforme suas capacidades em corar estruturas específicas para posteriormente a lâmina ser avaliada.
A imuno-histoquímica é uma outra técnica utilizada como teste que usa anticorpos como reagentes para detectar antígenos presentes em tecidos ou células, seja no contexto normal ou patológico.
Algumas técnicas da imuno-histoquímica são: imunofluorescência e técnica imunoenzimática. Elas podem ser úteis na definição de neoplasias conforme a histogênese; avaliação de metástases e determinar fatores prognósticos e preditivos.
A cultura celular é uma outra técnica de teste que visa obter informações sobre as propriedades e comportamento biológico das células vivas in vitro.
Como estudar para uma prova de patologia clínica?
Para conseguir mandar bem nas provas, é preciso que alguns conceitos da patologia geral estejam muito fixados e familiarizados por você. Alguns dos principais que você precisa conhecer são:
- Agressão;
- Lesão;
- Defesa;
- Adaptação;
- Inflamação aguda e crônica;
- Morte celular;
- Reparo;
- Fibrose;
- Cicatrização;
- Regeneração.
Esses conceitos são indispensáveis para que você consiga prosseguir com seus estudos na patologia, pois os estímulos ao organismo ocorrem o tempo inteiro e esses termos são usados para compreender como as doenças são deflagradas e progridem.
É comum que o estudo da patologia esteja temporariamente direcionado a um órgão ou sistema específico, especialmente quando ainda se está no ciclo básico da faculdade.
À medida que o curso progride, os conhecimentos que antes pareciam fragmentados começam a fazer maior sentido e compreendemos a relevância do que tem sido estudado.
Contudo, o bom estudo da patologia depende de uma boa base de conceitos da:
- Biologia celular e molecular
- Fisiologia
- Imunologia
- Histologia
- Anatomia e de uma série de outras disciplinas porque a patologia é, basicamente, integrativa.
Dentro de cada sistema, existem patologias que tem maior destaque no estudo devido sua prevalência ou incidência, por exemplo. Dessa forma, identificar quais são essas patologias se torna muito importante para nortear seus estudos.
A patologia enquanto disciplina se torna ainda mais atrativa quando o objetivo é compreender ao invés de decorar como as doenças ocorrem. Porém, para isso, uma estratégia importante é manter um cronograma de revisão.
Quais são os assuntos mais cobrados na prova desta disciplina?
Os assuntos que serão cobrados dependem muito como a patologia está organizada no contexto da sua faculdade.
Na fase inicial de contato com a Patologia Geral, os conceitos abordados possuem uma importância para a compreensão e internalização.
No estudo das lesões, por exemplo, é esperado que você saiba qual a etiopatogênese de uma lesão e suas repercussões. Conceitos como hipóxia e anóxia, radicais livres e lesões reversíveis e irreversíveis constantemente aparecem em provas.
Saber reconhecer os agentes não só físicos, como também químicos e biológicos envolvidos em uma doença também possível encontrar em provas.
No contexto de sistemas e órgãos específicos, as principais patologias devem ter estudos e aprendizados em alguns contextos, como vemos na lista abaixo:
- Sistema cardiovascular: insuficiência cardíaca, cardiopatias congênitas e cardiopatias adquiridas;
- Sistema respiratório: infecções, doenças pleurais, neoplasias pulmonares e alterações vasculares e circulatórias;
- Nervoso: hipertensão intracraniana e suas complicações, hidrocefalia, neoplasias, doenças desmielinizante, distúrbios motores e distúrbios isquêmicos.
- Sistema endócrino: funcionamento do hipotálamo, hipófise, doenças nutricionais e neoplasias;
- Fígado e vias biliares: cirrose hepática, hepatites, insuficiência hepática, colestase e icterícia;
- Sistema urinário: glomerulopatias, síndrome nefrítica, síndrome nefrótica e insuficiência renal aguda e crônica.
Esses são apenas alguns dos inúmeros exemplos que poderíamos citar. Como explicamos, os assuntos mais cobrados dependem de qual sistema você está estudando e qual a fase do curso você está atualmente.
Exemplos de questões de patologia que podem aparecer em sua prova!
Para te ajudar em seus estudos, trouxemos algumas questões de patologia que podem cair em provas. Entender a dinâmica dessas questões pode, sem dúvida, nortear seu estudo, especialmente as repercussões clínicas a partir dos mecanismos fisiopatológicos.
Confira com a gente!
Questões
Questão 1: [KUMAR; KLATT, 2010] Uma mulher de 90 anos de idade foi diagnosticada com pneumonia por Staphylococcus aureus e foi tratada com antibioticoterapia. Após 2 semanas, a paciente não mais apresentava tosse produtiva, mas sua temperatura ainda estava em 38,1ºC. Uma radiografia do tórax revelou a existência de uma densidade arredondada medindo 3 cm, localizada no lobo pulmonar inferior direito, cujo conteúdo liquefeito formava uma região central de ar-líquido. Não havia infiltrações circundantes. Qual dos seguintes termos melhor descreve o resultado da pneumonia nessa paciente?
- (A) Resolução completa
- (B) Regeneração
- (C) Progressão para inflamação crônica
- (D) Formação de abscesso
Questão 2: Qual dos processos abaixo está envolvido na base patogênica das doenças vasculares periféricas, cerebrais e coronariana?
- (A) Aterosclerose
- (B) Vasculite
- (C) Teleangiectasia
- (D) Veias varicosas
Questão 3: Diante de um quadro de pancreatite aguda, o aumento de qual dos marcadores abaixo é mais específico para essa patologia?
- (A) Amilase
- (B) Proteína C Reativa
- (C) Lipase
- (D) Bilirrubina direita
Gabaritos
Gabarito da questão 1: Letra D. Uma das complicações de infecções por Staphylococcus aureus que apresenta conteúdo liquefeito e com as descrições vistas na questão é o abcesso. Isso ocorre porque esse é um agente com maior propensão de ser piogênico. Quando temos a resolução completa, não existem alterações do parênquima pulmonar. A alternativa B estaria incorreta porque não existe regeneração do tecido pulmonar. A maior parte das pneumonias bacterianas se resolvem e não evoluem para a inflamação crônica.
Gabarito da questão 2: Letra A. A aterosclerose está obrigatoriamente presente nas doenças vasculares periféricas, cerebrais e coronarianas por ser uma resposta crônica, inflamatória e de reparo diante de uma lesão do endotélio. A vasculite é apenas um termo que se refere a inflamação das paredes de vasos. A teleangiectasia é uma dilatação de pequenos vasos que foram uma lesão discretamente avermelhada na pele ou nas membranas de mucosa. As veias varicosas ocorrem diante da pressão intraluminal prolongada e aumentada.
Questão 3: Letra C. A lipase é o marcados mais específico para pancreatite, embora possa estar aumentada em outras condições.
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Referências bibliográficas
- Brasileiro Filho, G. Bogliolo Patologia, 10ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. 1592 p.
- Robbins et al. Patologia básica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
- ABBAS, Abul K.; PILLAI, Shiv; LICHTMAN, Andrew H. Imunologia:Celular e Molecular. 9 ed. Rio De Janeiro: Editora Elsevier Ltda, 2019.
- KUMAR, E.; KLATT, V. Robbins & Cotran: perguntas e respostas em patologia. 3 ed. Elsevier, 2010. 464p.
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