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Glutamina: o que é, como funciona, quando e como indicar o uso

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Entenda o que é a glutamina, o objetivo dessa suplementação e quando indicá-la para o consumo pelos seus pacientes. Bons estudos!

A glutamina tem se tornado uma suplementação cada vez mais discutida na atualidade. Considerando seus benefícios, é importante que o médico esteja familiarizado com os benefícios e indicações desse suplemento para o bem-estar do seu paciente.

O que é glutamina?

Trata-se de um aminoácido de grande abundância no organismo humano, podendo ser sintetizado por ele e, por isso, um aminoácido não-essencial.

Esse aminoácido está diretamente envolvido em diversas funções, como a proliferação e desenvolvimento de células. Ainda, devido à sua relação com o sistema imunológico e à recuperação muscular, a glutamina tem tomado espaço no universo da atividade física.

Por esse motivo, entender quando ela está indicada é de suma importância. Em indivíduos de 70kg, a glutamina se apresenta em cerca de 70-80g, distribuída por diversos tecidos corporais.

Tecidos considerados consumidores de glutaminase costumam ser o sistema imune, rins e intestino. Assim, o tecido com maior atividade de sua síntese é o tecido muscular esquelético.

Para que serve a glutamina?

A glutamina, como comentamos, está envolvida em diversas atividades orgânicas.

Ela possui atuação no aumento da reserva de glicogênio muscular, o que favorece a manutenção da massa muscular e geração de energia. Ainda, é observada uma redução na taxa de oxidação do aminoácido L-leucina, favorecendo a síntese muscular.

Somado à isso, ela ainda evita a produção excessiva de amônia (NH3). Esse composto está diretamente associado à fadiga. Ainda, evitam uma resposta inflamatória exacerbada à exercícios físicos prolongados.

Aspectos moleculares: o que temos de evidências científicas?

A síntese de glutamina é feita a partir do glutamato, com ação das enzimas sintetase e a glutaminase.

Por meio da catálise de conversão de glutamato em glutamina, é utilizada como fonte de nitrogênio a amônia (NH3). Esse é um processo que exige consumo de ATP, a fim de regular o metabolismo celular do nitrogênio.

A regulação da atividade da glutamina sintetase é feita por diversos fatores. Dentre eles, glicocorticoides, hormônios tireoidionos, homônio do crescimento e insulina.

glutamina
Fonte: Cruzat et al., 2009.

A quem indicar o consumo de glutamina?

Como vimos, a suplementação desse aminoácido é capaz de melhorar diversas atividades orgânicas.

Pensando nisso, pacientes com problemas intestinais podem se beneficiar grandemente com essa suplementação. Isso porque se trata de um ótima fonte energética para a microbiota intestinal. Como consequência, tem-se o alívio de prisão de ventre e diarreia.

Pacientes com ritmo atlético de treino costumam consumir esse aminoácido como estratégia de recuperação muscular. Como comentamos, o potencial de recuperação muscular é intrínseco ao consumo da glutamina. Assim, associado à resposta inflamatória controlada também favorece o desempenho do atleta.

Embora a glutamina não seja recomendada para pacientes enfermos graves, as evidências quanto à outros grupos é feita.

Em ambiente hospitalar, pacientes com queimaduras graves, além dos que sofreram uma perda de massa muscular importante, merecem a indicação de glutamina. Ainda, a fim de diminuir o REMIT, pacientes pós-cirúrgicos também recebem indicação.

Como consumir a glutamina?

O horário de consumo da glutamina pode favorecer efeitos orgânicos distintos. Pensando em atletas, o consumo da glutamina antes do treino pode prevenir a fadiga e ainda aumentar o desempenho. Por outro lado, se ela for consumida após o treino, a recuperação muscular poderá ser otimizada.

A suplementação desse aminoácido varia de acordo com a necessidade nutricional e prática de atividade física do indivíduo. Assim, a recomendação geral é de 8-15g diárias, juntamente com água.

Apesar disso, a sua suplementação não é recomendada no contexto de pacientes internados. Alguns estudos relatam até mesmo aumento de dano potencial, podendo levar à encefalopatia.

É importante ressaltar que o uso da glutamina deve ser mediado pela recomendação de um especialista nutricionista ou nutrólogo.

Quais são os benefícios da glutamina sintetase?

A ação não apenas da glutamina, mas da glutamina sintetase são relevantes para a homeostase orgânica.

No cérebro, essa enzima é utilizada como um agente na redução de concentração de amônia. Como consequência dessa ação, ocorre a desintoxicação e síntese de glutamina para uma nova síntese de glutamato.

No pulmão, a concentração de glutamina plasmática se regula, sendo essencial em situações patológicas ou de estresse. Ainda, nos rins a a enzima é fundamental no metabolismo do nitrogênio e manutenção do pH no organismo.

Possíveis efeitos colaterais do uso excessivo desse aminoácido

Como o consumo de qualquer substância exógena em excesso, o consumo prolongado do aminoácido gera efeitos colaterais.

Assim, com um uso excessivo e a longo prazo, é possível levar a alterações no transporte de aminoácidos. Embora a sua via de síntese seja própria, ela também compartilha com transportadores com outros aminoácidos.

Com isso, a ingestão aumentada pode prejudicar a distribuição de aminoácidos entre tecidos e sua absorção no intestino e rins. Devido a suplementação excessiva, o aumento da produção de glutamato e amônia pode prejudicar o metabolismo endógeno.

Aprenda a prescrever a glutamina ao seu paciente

A glutamina vem sendo um suplemento alimentar bastante indicado nos últimos meses. Contudo, é necessário que o médico tenha aptidão para saber prescrever essa su´plementação.

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Perguntas frequentes

  1. O que é a glutamina?
    É aminoácido não essencial mais abundante no corpo humano. Por meio dele, diversos processos e funções orgânicas são possíveis.
  2. Quando suplementar esse aminoácido?
    No caso de atletas, além de pessoas com problemas intestinais, a suplementação pode ter grande benefício.
  3. Quais são os possíveis efeitos colaterais do excesso dessa suplementação?
    Alterações na síntese endógena da glutamina pode ser alterada devido

Referências

  1. Nutrition support in critically ill patients: Enteral nutrition. David Seres, MD. UpToDate
  2. Glutamina: Aspectos Bioquímicos, Metabólicos, Moleculares e Suplementação. Vinicius Fernandes Cruza. Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.

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