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Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva | Colunistas

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Os rins são estruturas complexas que desenvolvem uma série de funções importantes no organismo: excreção de metabólicos, regulação de água e sais, manutenção do equilíbrio ácido e secreção de uma variedade de hormônios e prostaglandinas. Por esse motivo, é importante reconhecer as patologias que atingem esse órgão.

Nesse texto falaremos sobre Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva (GNRP), definida por uma síndrome clínica e não uma forma etiológica específica de Glomerulonefrite (GN).

Anatomia e histologia

Os rins estão localizados no espaço retroperitoneal da parede abdominal posterior, ao lado da coluna vertebral e na altura da 12ª vértebra torácica à terceira vértebra lombar. O rim direito é ligeiramente inferior por causa da posição do fígado.

Figura 1: Relação dos rins no retroperitônio.
Fonte: Gray’s Anatomia.

O rim é envolvido por uma cápsula fibrótica e pode ser dividido em zona cortical e zona medular. Ele é composto por muitos túbulos uriníferos, e cada túbulo consiste em duas partes embriologicamente distintas: o néfron e o ducto coletor. O túbulo coletor conecta o túbulo contorcido distal aos segmentos corticais ou medulares dos ductos coletores.

Em cada rim há cerca de 600 a 800 mil néfrons, que, por sua vez, são formados pelo corpúsculo renal, túbulo contorcido proximal, partes delgado e espessa da alça de Henle e túbulo contorcido distal.

Figura 2: Esquema mostrando as estruturas contidas na região cortical e medular.
Fonte: Histologia Básica.

Os corpúsculos renais são compostos por um glomérulo e uma cápsula glomerular (de Bowman).

O glomérulo é uma coleção de vasos sanguíneos capilares contorcidos, unidos por uma matriz mesangial e suprido por uma arteríola aferente.

A cápsula de Bowman possui uma parede externa (parietal) e uma interna (visceral), que é composta por podócitos especializados, entre as duas paredes há o espaço de bowman.

A membrana basal glomerular dos capilares é continua com a da cápsula de Bowman, e ela é coberta externamente pelos podócitos e o seu interior é preenchido por capilares e matriz mesangial.

A principal barreira para a passagem de fluido da luz capilar para o espaço urinário é a lamina basal glomerular, o endotélio fenestrado e a lamina basal do podócito.

Figura 3: Fotomicrografia de corte histológico do rim, mostrando um glomérulo com uma rede de capilares (C), o mesângio (M), a membrana basal glomerular (MBG), o espaço de Bowman (EB) e a cápsula de Bowman (CB).
Fonte: Gray’s Anatomia.

Glomerulonefrite

A glomerulonefrite rapidamente progressiva é uma síndrome caracterizada por perda súbita da função renal, associada a achados laboratoriais típicos de síndrome nefrítica e, frequentemente, oligúria grave. Se não tratada leva à morte por insuficiência renal dentro de um período de semanas a meses.

O achado histopatológico característico da glomerulonefrite rapidamente progressiva é a presença de crescentes.

É comumente associada à lesão glomerular grave com necrose e destruição da membrana basal glomerular e subseqüente proliferação de epitélios parietal.

Figura 4: Glomerulonefrite com crescentes. Áreas de necrose com ruptura das alças capilares nas setas.
Fonte: Robbins Patologia Básica.

Curso clínico

– Manifesta-se por hematúria, células vermelhas dismórficas e cilindros hemáticos no sedimento urinário, e proteinúria discreta a moderada.
– Semelhante ao da síndrome nefrítica, exceto pela oligúria e azotemia mais pronunciadas.

Classificação

Pode ser classificada em três tipos:
– Tipo I, com doença por anticorpo anti-MBG (por exemplo, a síndrome de Goodpasture)
– Tipo II, com deposição de imunocomplexos (por exemplo, Lúpus eritematoso sistêmico e glomerulonefrite pós-estreptocóccia)
– Tipo III, sem depósitos imunes nem anticorpos anti-MBG, denominado pauci-imune.

A pauci-imune é a forma mais comum, representando mais de 80% dos casos.

Glomerulonefrite com Crescentes mediada por Anticorpos Antimembrana Basal Glomerular (anti-MBG)
– Caracterizada por depósitos lineares de IgG e, em muitos casos, de C3 na membrana basal glomerular. O que desencadeia uma resposta inflamatória, provoca a rotura da membrana basal glomerular e ocasiona o desenvolvimento de glomerulonefrite proliferativa crescêntica.
– Pode ser idiopática, no qual há o envolvimento renal ocorre na ausência da doença pulmonar.
– Em alguns casos, os anticorpos também se ligam a membrana basal dos capilares alveolares dos pulmões, produzindo hemorragias pulmonares associadas a insuficiência renal. Isso é denominado Síndrome de Goodpasture.

Figura 5: Micrografia de imunofluorescência de uma porção de uma glomérulo acometido pela glomerulonefrite por anticorpos anti-MBG.
Fonte: Cecil Medicina Interna.

Síndrome de Goodpasture:
– Apresenta dois picos de incidência: terceira década de vida nos homens e partir dos 60 anos em mulheres.
– Pacientes podem apresentar: quadro nefrítico, hemoptise, dispnéia e infiltrado alveolar difuso.
– Tratamento: se for instituído antes da instalação da insuficiência renal grave a maioria dos pacientes recupera um grau considerável da função renal.

Glomerulonefrite com Crescentes Mediada por Imunocomplexos
– Pode ocorrer devido a glomerulonefrite pós-estreptocócica, lúpus eritematoso sistêmico, nefropatia por IgA e púrpura de Heonch-Schonlein.
– Na imunofluorescência há presença de um padrão granular característico dos doenças mediadas por imunocomplexos.
– O microscópio eletrônico demonstra depósitos discretos.
– O tratamento deve ser direcionado a doença precursora da glomerulonefrite rapidamente progressiva.

Glomerulonefrite Pauci-imune com Crescentes
– Definida pela falta de anticorpos anti-MGB ou pela deposição significativa de imunocomplexos.
– Anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA) geralmente são encontrados no soro.
– Pode ser limitada ao rim, chamada de idiopática, ou ser um componente de uma vasculite sistêmica, como na poliangiite microscópica ou granulomatose de Wegener.
– Imunofluorescência para imunoglobulina e o complemento são negativos ou quase negativos.
– Depósitos não são detectáveis por microscopia eletrônica.

Tratamento:

– Troca do plasma sanguíneo nos pacientes com glomerulonefrite por anticorpos anti-MBG e doença de Goodpastures, e em alguns pacientes, com glomerulonefrite pauci-imune com crescentes associada a anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCA).
– Em alguns casos, há necessidade de diálise ou transplante.

Prognóstico:

– Relacionado com a fração de glomérulos envolvidos: pacientes com crescentes presentes em menos de 80% dos glomérulos tem melhor prognóstico.

Autora: Larissa Ramos.

Instagram: @laarissaramos


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. Cecil Medicina Interna. 23. ed. Rio de Janeiro:Elsevier Editora Ltda, 2010.

HERRERA-AÑASZO, P.; et al. Glomerulonefrite rapidamente progressiva ANCA-Positiva pauci-imune em paciente com lúpus eritematoso sistêmico. Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.) 2017;39(4):454-457. Disponível em: .

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

KUMAR, V.; ABBAS, A.K.; ASTES, J.C. Robbins Patologia Básica. 9ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2013.

STANDRING, S. Gray’s anatomia: a base anatômica da prática clínica. 40. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

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