Anúncio

Global.health: o banco de dados covid-19 financiado pelo Google | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Coleta de dados no início da pandemia

Quando um surto ocorre, dados confiáveis são de extrema importância para que os responsáveis pela saúde pública consigam tomar decisões políticas, médicas e alocar recursos para poder reduzir ao máximo os efeitos da moléstia. No caso de uma epidemia emergente, informações atualizadas em tempo real permitem monitorar e prever o grau de propagação da doença. Então, a partir do momento da identificação dos primeiros casos de COVID-19 em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, pesquisadores começaram a reunir informações para ajudar epidemiologistas a modelar a trajetória do SARS-CoV-2.

Com o contínuo aumento de número de casos e propagação mundial de COVID-19, alguns voluntários da Universidade de Oxford e um time do Boston Children’s Hospital passaram a publicar manualmente, em planilhas, informações revisadas por pares para gerar referências confiáveis para a comunidade global. No entanto, o documento ficou sobrecarregado, ao ultrapassar a marca de 100.000 casos.

Mudança feita pelo Google

O Google e o Google.org, além de conceder 1,25 milhão de dólares, criaram, em parceria com pesquisadores de instituições acadêmicas dos EUA e Europa, uma forma de automatizar diariamente os dados de coronavírus de vários países, com algoritmo capaz de juntar informações dispersas e deletar registros duplicados de um mesmo caso. Para a construção do banco de dados, os arquitetos do projeto consultaram especialistas em questões éticas e legais para garantir o manejo e divulgação segura dos dados, os quais são resguardados por agências governamentais, universidades e hospitais, porque apesar de muitos países coletarem dados minuciosos durante surtos, eles, muitas vezes, não podem ser compartilhados abertamente devido a questões de privacidade. Dessa forma, as informações disponíveis no repositório são contínua e rigorosamente checadas para garantir o anonimato.

Atualmente, o Global.health possui informação de mais de 24 milhões de casos de 150 países, contabilizando em torno de 8 gigabytes de informação anonimizada individual proveniente de autoridades de saúde pública. Para cada indivíduo, existem até 40 variáveis associadas à história clínica, uma vez que dados individuais são extremamente importantes para os epidemiologistas poderem determinar a velocidade de propagação da doença entre diferentes grupos e, na situação atual, são também essenciais para monitorar as variantes e a vacinação, por exemplo, já que informações sobre o status da vacinação e infeção de uma pessoa com uma determinada variante do coronavírus pode ajudar a responder questões científicas sobre a resposta imune em relação às vacinas.

Figura 1. O clássico mapa mostrando a distribuição dos casos de COVID-19 é um dos vários recursos disponíveis no Global.health
Fonte:https://global.health

Inovação e acessibilidade 

            Durante o decorrer da pandemia, houve a invenção de inúmeros mecanismos de rastreamento da doença, com constantes atualizações sobre a quantidade de novos casos e óbitos, como foi o caso do Global COVID-19 Dashboard, criado pela Universidade Johns Hopkins. No entanto, o Global.health é o primeiro banco de dados com informações-chave de casos de uma doença infecciosa, bem como suas variáveis associadas, como a data dos primeiros sintomas, o dia da confirmação por teste laboratorial, histórico de hospitalizações, comorbidades e viagens do paciente, representando uma gigante inovação para a área da medicina.

A utilização da plataforma é permitida a qualquer pessoa que disponha de um e-mail e acesso à internet, o que torna mais fácil para pesquisadores de localidades com relativamente poucos recursos poderem visualizar os dados e dar continuidade às pesquisas e aos avanços na área da saúde, propiciando uma cooperação e integração ágil entre vários grupos de pesquisa e governos. Um repositório aberto é necessário inclusive para a superação de barreiras geográficas, organizacionais e econômicas existentes no acesso à informação e, assim, promover o empoderamento de cientistas locais e, também, uma maior democratização da saúde pública.

As informações regionais disponíveis também são de extrema importância para autoridades de saúde pública locais, porque a integração e disseminação de dados de alta qualidade em tempo mínimo é vital para possibilitar a agilidade da criação de uma resposta de saúde pública para conter o avanço da doença.

O futuro da saúde mundial 

A infraestrutura arquitetada tem potencial para não só ajudar na batalha contra a COVID-19, mas também pode ser adaptada para pesquisa de outras doenças e, então, acelerar respostas em futuras pandemias, sendo um mecanismo essencial para o rastreamento e prevenção, porque, com a tecnologia disponível anteriormente, não era possível monitorar, em tempo real, dados tão detalhados de diversas partes do mundo. Se a plataforma tivesse sido criada antes, epidemiologistas poderiam ter sido capazes de verificar a gravidade da disseminação da doença na China, mesmo antes de a Organização Mundial da Saúde confirmar a existência de uma pandemia em 11 de março de 2020.

O Global.health é um marco importante para a criação de um sistema global de vigilância de doenças mais integrado, acessível e prontamente atualizado, capaz de reunir informações importantes para diversas áreas da saúde, o que, no contexto de uma pandemia, é essencial para permitir o entendimento da doença. Com isso, espera-se que pessoas de diversos países possam se beneficiar com dados anonimizados de livre acesso de uma forma aberta e colaborativa, ensejando maiores avanços científicos e o melhor manejo possível de uma futura pandemia.  

Autora: Natália Migliore


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Massive Google-funded COVID database will track variants and immunity –  https://www.nature.com/articles/d41586-021-00490-5

How anonymized data helps fight against disease – https://blog.google/outreach-initiatives/google-org/how-anonymized-data-helps-fight-against-disease/

New Google.org COVID-19 database could hold key to disease’s mysteries – https://abcnews.go.com/Health/google-covid-19-database-hold-key-diseases-mysteries/story?id=76211711

Data curation during a pandemic and lessons learned from COVID-19 – https://www.nature.com/articles/s43588-020-00015-6

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀