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Glicemia alterada: o que significa e como controlar?

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Descubra o que é glicemia alterada, quais são os sintomas, causas e como manter os níveis de glicose dentro da normalidade. Leia mais!

A glicemia refere-se à concentração de glicose no sangue. A glicose, por sua vez, é um carboidrato simples e que constitui-se como fonte de energia para todos os organismos.

Devido à sua grande importância na manutenção da homeostase, a produção de glicose no organismo é regulada por diversos hormônios, com várias fontes que contribuem para essa produção, entre elas a alimentação e processos metabólicos como a gliconeogênese.

Mecanismos de regulação da glicemia

Diversos hormônios estão envolvidos na regulação da glicose no corpo. Portanto, compreender o funcionamento de cada um deles é fundamental.

Alguns hormônios, como a insulina e a somatostatina diminuem os níveis de glicose, enquanto outros têm o efeito oposto, aumentando os níveis de glicose.

Insulina

Diminui a glicose sanguínea ao aumentar a expressão do transportador de glicose GLUT4, estimular a atividade da glicogênio sintase, inibir a fosforilase quinase (o que reduz a gliconeogênese) e diminuir a expressão de enzimas-chave envolvidas na gliconeogênese.

Glucagon

Eleva os níveis de glicose no sangue estimulando a glicogenólise e a gliconeogênese.

Somatostatina

Reduz a glicose sanguínea ao suprimir a liberação local de glucagon, além de suprimir a gastrina e os hormônios da hipófise. Embora também diminua a liberação de insulina, seu efeito global é a redução dos níveis de glicose.

Cortisol

Aumenta a glicose no sangue ao promover a gliconeogênese e antagonizar a ação da insulina.

Epinefrina

Eleva os níveis de glicose por meio da glicogenólise (liberação de glicose armazenada) e ao estimular a liberação de ácidos graxos dos tecidos adiposos, que podem ser usados ​​na gliconeogênese.

Tiroxina

Aumenta os níveis de glicose no sangue ao estimular a glicogenólise e melhorar a absorção de glicose no intestino.

Hormônio do crescimento

Estimula a gliconeogênese, reduz a captação de glicose pelo fígado, ativa os hormônios tireoidianos e inibe a insulina.

Hormônio adrenocorticotrófico (ACTH)

Estimula a liberação de cortisol pelas glândulas suprarrenais e promove a liberação de ácidos graxos dos adipócitos, o que favorece a gliconeogênese.

Principais exames para realização da medida de glicemia

Os principais exames para realização da medida de glicemia incluem:

  • Glicemia em jejum.
  • Glicemia aleatória.
  • Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG);

Glicemia em Jejum

Utiliza-se esse exame para medir os níveis de glicose no sangue após um período de jejum de pelo menos 8 horas. Portanto, coleta-se uma amostra antes do café da manhã para garantir que o jejum seja respeitado.

Realiza-se uma análise por meio de ensaios enzimáticos ou dispositivos automatizados de laboratório para determinar a quantidade de glicose no plasma ou soro. Os valores normais de glicose no sangue em jejum variam entre 70 e 100 mg/dL.

Glicemia aleatória

Utiliza-se esse teste para medir os níveis de glicose no sangue em qualquer momento, sem a necessidade de jejum ou preparação prévia.

Uma amostra é analisada com o uso de um glicosímetro ou testes laboratoriais, fornecendo uma leitura instantânea dos níveis de glicose. Diferente do teste de glicemia em jejum ou do teste de tolerância à glicose oral, ele oferece um panorama imediato da glicose sanguínea, permitindo decisões clínicas rápidas.

Em indivíduos sem diabetes, os níveis normais de glicose variam entre 70 e 140 mg/dL, podendo variar de acordo com o laboratório e as condições do paciente.

Teste Oral de Tolerância à Glicose

Esse exame é importante para avaliar como o corpo processa a glicose, ajudando a identificar diabetes e pré-diabetes.

Ele envolve a ingestão de 75 g de glicose após um jejum noturno, com a coleta de amostras de sangue em intervalos específicos (normalmente 0, 30, 60, 90 e 120 minutos após a ingestão). Dessa forma, ajuda a avaliar a capacidade do corpo de metabolizar a glicose.

  • Resposta Normal – Em indivíduos com metabolismo de glicose normal, os níveis de glicose aumentam após a ingestão de glicose, mas voltam aos níveis de jejum após 2 horas. Portanto, os resultados normais indicam uma boa capacidade de captação de glicose e secreção adequada de insulina.
  • Tolerância à glicose prejudicada – Nessa condição, os níveis de glicose no sangue elevam-se mais do que o normal durante o teste, mas não alcançam os valores diagnósticos para diabetes. Dessa forma, representa um estágio intermediário de alteração do metabolismo da glicose, com risco de diabetes e complicações cardiovasculares.
  • Diabetes Mellitus – O diagnóstico de diabetes ocorre quando o teste de tolerância à glicose oral apresenta hiperglicemia persistente, com glicemia em jejum ≥126 mg/dL ou níveis de glicose após 2 horas ≥200 mg/dL em duas medições diferentes. Além disso, esse teste também é importante para diagnosticar o diabetes mellitus gestacional, que ocorre durante a gravidez.

O que significa ter a glicemia alterada

As alterações nos níveis de glicose no sangue podem ocasionar patologias tanto quando esses níveis são elevados quanto quando estes encontram-se muito baixos. A seguir, veremos um resumo dos quadros patológicos mais comuns relacionados a essas variações e os mecanismos fisiopatológicos envolvidos.

Hiperglicemia

A hiperglicemia, ou seja, aumento da concentração de glicose do sangue, pode causar danos tanto em situações agudas quanto crônicas.

Doenças como o diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 caracterizam-se por níveis persistentemente elevados de glicose, as quais, se não forem controladas especificamente ao longo do tempo, podem resultar em morbidade importante.

Em ambos os tipos de diabetes, a etiologia é multifatorial: o tipo 1 está fortemente ligado a fatores genéticos, ambientais e imunológicos e é mais frequente em crianças, enquanto o tipo 2 está associado, além dos fatores genéticos, a condições comórbidas como a obesidade, manifestando-se predominantemente na idade adulta.

Especificamente, o diabetes tipo 1 é causado pela destruição autoimune das células β pancreáticas, ocasionando deficiência de insulina. O tipo 2, por sua vez, caracteriza-se pela resistência periférica à insulina decorrente de disfunções metabólicas, comumente ligadas ao excesso de peso.

Em ambas as situações, os níveis elevados de glicose desencadeiam diversos mecanismos patológicos, tais como:

  • Dano osmótico – Devido à sua atividade osmótica, a glicose pode prejudicar os nervos periféricos.
  • Estresse oxidativo – A participação da glicose em reações que geram subprodutos oxidativos pode contribuir para o dano celular.
  • Glicação não enzimática – A interação da glicose com resíduos de lisina em proteínas pode formar produtos finais de glicação que comprometem a estrutura e a função proteica.

Esses mecanismos estão na base de diversas complicações clínicas, tanto microvasculares quanto macrovasculares, como neuropatias periféricas, má cicatrização ou presença de feridas crônicas, retinopatia, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral e doença renal crônica.

Hipoglicemia

Por outro lado, a hipoglicemia refere-se à níveis baixos de glicose no sangue, sendo frequentemente observada como uma complicação iatrogênica em pacientes diabéticos que utilizam medicamentos hipoglicemiantes. Isso ocorre principalmente em ambientes hospitalares, onde há uma interrupção repentina da dieta habitual.

Embora os sintomas não sejam específicos, a associação com períodos de jejum ou atividade física e a melhora rápida após a administração de glicose ajudam na suspeita dessa condição.

Ademais, os sintomas de hipoglicemia classificam-se em duas categorias:

  • Sintomas neuroglicopênicos – Resultam do efeito direto da baixa glicose no sistema nervoso central e incluem fadiga, alterações comportamentais, convulsões, coma e, em casos graves, morte.
  • Sintomas neurogênicos – Decorrentes da ativação do sistema simpatoadrenérgico, podem ser divididos em:
    • Adrenérgicos, como ansiedade, tremores e palpitações.
    • Colinérgicos, incluindo parestesias, sudorese e sensação de fome.

Complicações associadas à glicemia alterada

Níveis extremamente elevados de glicose podem provocar um quadro agudo, observado com maior frequência em pacientes com diabetes tipo 2, denominado estado hiperglicêmico hiperosmolar. Nesta condição, a glicose em excesso aumenta significativamente a osmolalidade plasmática, o que induz uma diurese osmótica, levando à micção excessiva e à desidratação.

Além disso, essa alteração pode desencadear diversos sintomas, como alterações no estado mental, anormalidades motoras, disfunções focais ou globais do sistema nervoso central, náusea, vômito, dor abdominal e hipotensão ortostática.

Por outro lado, níveis baixos de glicose podem levar aos sintomas neuroglicopênicos, já abordados nesse texto, que podem incluir desde alterações comportamentais, até convulsões e morte.

Como controlar a glicemia alterada

Como já mencionado, a glicemia pode alcançar níveis mais altos ou mais baixos. Nos próximos blocos, veremos como realizar a abordagem de uma glicemia alterada, seja ela para mais ou para menos.

Hiperglicemia

Alterações nos hábitos de vida são fundamentais para a redução dos níveis glicêmicos, contribuindo para a prevenção e o controle do diabetes. Portanto, as principais modificações incluem:

  • Alimentação saudável.
  • Redução do peso corporal.
  • Cessação do tabagismo.
  • Atividade física.
  • Diminuição da ingesta de bebidas alcoólicas.
  • Gerenciamento do estresse.

Embora as mudanças no estilo de vida sejam essenciais, o uso de medicamentos é frequentemente necessário para garantir um controle glicêmico adequado. Portanto, indica-se a farmacoterapia quando as alterações de estilo de vida não são suficientes para controlar a glicemia, especialmente em pacientes com DM2.

O tratamento inclui as seguintes classes de medicamentos:

  • Biguanidas, como Metformina.
  • Sulfonilureias, como Glibenclamida e Gliclazida.
  • Insulinas, como Insulina NPH e Insulina Regular.
  • Inibidores do SGLT2, como Dapagliflozina.

Hipoglicemia

O manejo da hipoglicemia, por sua vez, envolve a administração de 15 gramas de carboidrato simples – ou cerca de 0,3 gramas por quilo de peso em crianças. Além disso, após a correção inicial da glicemia, recomenda-se aguardar 15 minutos e então realizar uma nova verificação. Caso os níveis de glicose permaneçam baixos, o procedimento deve ser repetido.

É fundamental que o tratamento utilize apenas carboidratos simples isolados, sem a adição de fibras, proteínas ou gorduras, pois esses componentes podem retardar o esvaziamento gástrico e, consequentemente, a normalização dos níveis de glicose.

Entre os carboidratos simples mais indicados para o tratamento estão o açúcar, as balas moles, o mel, sucos de frutas concentrados e os refrigerantes não dietéticos. Portanto, é importante que o paciente mantenha esses alimentos sempre disponíveis para uma rápida correção em caso de hipoglicemia.

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Sugestão de leitura recomendada

Referências

  • HANZIDIAMANTIS, P. J.; AWOSIKA, A. O.; LAPPIN, S. L. Fisiologia, Glicose. StatPearls Publishing, 2025.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito tipo 2. Portaria SCTIE/MS, nº54. de 11 de novembro de 2020.
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Hipoglicemia: como tratar e evitar?. 2023. Disponível em: https://diabetes.org.br/hipoglicemia-como-tratar-e-evitar/. Acesso em: 08 fev 2025.

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