Giardia duodenalis
A Giardíase é uma infecção cuasada pelo protozoário flagelado chamado Giardia lamblia (Giardia duodenalis, Giardia intestinalis). A infecção pode ser assintomática ou provocar sintomas que variam de flatulência intermitente a má absorção crónica.
Morfologia
A Giardia duodenalis, também conhecida como Giardia lamblia, tem forma de corneta, largo em sua parte anterior e afiado em sua parte posterior. Possui 8 flagelos reunidos em 4 pares. Tamanho de 10-21 µm de comprimento, 5-12 µm de largura e 2-4 µm de espessura.

Fonte: https://aia1317.fandom.com/pt-br/wiki/Giard%C3%ADase_-_Giardia
Mecanismo de transmissão
A transmissão da Giárdia é fecal-oral, ou seja, ocorre pela ingestão dos cistos de Giardia que saem nas fezes de humanos ou outros mamíferos que contaminam os alimentos e a água. A contaminação pode ocorrer também pelo sexo anal.
Ciclo biológico
A Giardia possui duas formas morfológicas: cistos e trofozoítas.
Os cistos são as formas do parasita liberadas pelas fezes dos pacientes infectados, podendo sobreviver por muito tempo no ambiente se houver umidade.
O trofozoítos também pode estar presente nas fezes do paciente contaminado, mas não sobrevivem no meio ambiente.
Podemos dizer que os cistos funcionam como ovos e os trofozoítas são os filhotes que saem desses cistos.
- Após a ingestão do cisto presente em alimentos e água contaminada, a Giardia, no intestino delgado, se transforma na forma trofozoíta, tornando-se organismos flagelados que medem apenas 15 micrômetros (0,015 milímetros).
- Os trofozoítas são a forma capaz de se reproduzir, multiplicando-se dentro do intestino delgado do paciente contaminado, aderindo a sua parede e alimentando-se da comida que passa.
- Quando o parasita chega ao intestino grosso, ele volta à forma de cisto, pois este é o único meio de sobreviver no meio ambiente após a sua eliminação nas fezes, e todo o ciclo se repete.
O cisto presente nas fezes está no estagio infectante da Giardia, mas também está no estágio de diagnostico, pois é possível encontra-lo durante os exames laboratoriais. Já o trofozíto presente nas fezes do paciente contaminado está no estagio de diagnóstico, pois a forma trofozoítica não é a forma infectante.

Fonte: https://docplayer.com.br/59968195-Giardiase-giardia-lamblia.html
Quadro clínico
A maioria das pessoas contaminadas é assintomática.
Os sintomas da giardíase, quando se manifestam, consistem normalmente em:
- Diarreia (mais comum)
- Cólicas abdominais
- Mal-estar
- Flatulência
- Náuseas e vômitos
- Emagrecimento
Um dos principais problemas da giardíase é a síndrome de má absorção (má absorção de água e nutriente), que se manifesta clinicamente pela perda de peso e esteatorréia (presença de gordura nas fezes). Alguns pacientes chegam a desenvolver intolerância à lactose.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é realizado pelo exame parasitológico de fezes, por meio da identificação do parasita nas fezes frescas ou no líquido duodenal. Há também como diagnosticar pela análise do antígeno de Giardia nas fezes.
O tratamento é feito com metronidazol, tinidazol ou nitazoxanida. Em gestantes o tratamento é feito com a paromomicina.
O esquema de tratamento para adultos consiste em:
- Tinidazol 2000 mg em dose única.
- Secnidazol 2000 mg em única.
- Metronidazol 500 mg – 2 vezes por dia por 5 dias.
- Nitazoxanida 500 mg – 2 vezes por dia por 3 dias.
- Albendazol 400 mg – 1 vez por dia por 5 dias.
- Mebendazol 300 mg – 3 vezes por dia por 5 dias.
Já o esquema terapêutico para grávidas é outro, e consiste em:
- Paromomicina – 10 mg/kg por via oral – 3 vezes por dia por 5 a 10 dias.
Prevenção
Quanto piores forem as condições de saneamento de um local, maior o risco de epidemias de giardíase. Portanto é necessário garantir a comunidade saneamento básico adequado e de qualidade. Além disso, devem-se lavar bem os alimentos para que se possa evitar a contaminação.
Trichomonas vaginalis
Trichomonas vaginalis é um parasita de distribuição mundial causador de doença sexualmente transmissível (DST). Por ser um parasita que não é um causador de grandes sequelas muitos clínicos a consideram mais como um incômodo do que como um problema de saúde. Mas é importante saber que o T. vaginalis tem se destacado como um dos principais patógenos do homem e da mulher e está associado a sérias complicações de saúde. Esse parasita predispõe mulheres a doença inflamatória pélvica atípica, câncer cervical e infertilidade.
Morfologia
O T. vaginalis é uma célula tipicamente elipsóide, piriforme ou oval em preparações fixadas e coradas. As condições físico-químicas (pH, temperatura, tensão de oxigênio, força iônica) afetam o aspecto dos organismos
Ele não possui a forma cística, somente a forma trofozoítica. Mede de 10 µm a 30 µm de comprimento por 5 µm a 12 µm de largura.
Possui quatro flagelos anteriores, desiguais em tamanho, e uma membrana ondulante que se adere ao corpo pela costa. O axóstilo é uma estrutura rígida e hialina, formada por microtúbulos, que se projeta através do centro do organismo, prolongando-se até a extremidade posterior. O núcleo é elipsóide, próximo à extremidade anterior. Esse protozoário é desprovido de mitocôndrias, mas apresenta hidrogenossomos, que são grânulos densos que podem ser vistos ao microscópio óptico.

Fonte: https://ibapcursos.com.br/tricomoniase-trichomonas-vaginalis-conheca-os-sintomas-tratamento-profilaxia/
O T. vaginalis é um organismo que cresce perfeitamente bem na ausência de oxigênio, sendo considerado um anaeróbio facultativo, cresce na faixa de pH compreendida entre 5 e 7,5 e em temperaturas entre 20°C e 40°C.
Esse parasita utiliza como fonte de energia, a glicose, a maltose, a galactose.
Os hidrogenossomos são portadores de uma enzima piruvato (ferredoxina oxidorredutase), que é capaz de transformar o piruvato em acetato pela oxidação fermentativa e liberar adenosina trifosfato (ATP) e hidrogênio molecular.
O T. vaginalis é capaz de manter o glicogênio em reserva como forma de energia. Isso é importante para o parasito, pois o ambiente vaginal é constantemente modificado por variações de pH, hormônios, menstruação e fornecimento de nutrientes.
Os carboidratos são a principal fonte de nutrientes para esse parasita, no entanto, nas situações em que tais compostos são limitados, a utilização de aminoácidos torna-se vital. Ele consome especialmente arginina, treonina e leucina.
Mecanismo de transmissão
O mecanismo de transmissão ocorre por contato sexual ou por contato íntimo com secreções de uma pessoa contaminada.
Ciclo biológico
O trofozoíto presente nas secreções vaginais, prostáticas ou na urina se divide por fusão binária. O trofozoíto que antecede a divisão está na fase de diagnostico, e ele que aparece nos exames realizados a partir da coleta da amostra. Já o trofozoíto formado após a divisão binária fica alojado na vagina e na uretra estando assim no estágio infeccioso.

Fonte: http://hassyla.blogspot.com/2011/04/tricomoniase.html
Quadro clínico
Os sintomas aparecem quando os pacientes são sintomáticos. Normalmente se tem início de 5 a 28 após a exposição ao parasita.
Na mulher
Os sintomas aparecem normalmente alguns dias após a menstruação. Consistem em:
- Vaginite (corrimento amarelado ou esverdeado, de aspecto purulento)
- Coceira constante, tipo um comichão
- Odor desagradável (tipo peixe podre)
- Dor ao ato sexual
- Dificuldade ao urinar (se assemelha à ardência)
- Insônia
- Irritabilidade
No homem
A maioria dos homens são assintomáticos. Os que possuem sintomas, apresentam:
- Inflamação na uretra, ou seja, ao urinar sentem intensa dor (uretrite)
- Secreção uretral clara ou mucopurulenta
- Dor ou uma queimação após o ato sexual
- Inflamação prostática
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito a partir do exame clínico, com a consulta e avaliação dos sintomas e logo em seguida do exame laboratorial conhecido como Papanicolau, que consiste na coleta de uma amostra da secreção vaginal (células cervicais) a partir do útero. Durante o exame é possível observar uma vagina inflamada e com pequenas úlceras o que já é indicativo de tricomoníase. No caso do homem a coleta é feita a partir de secreção uretral ou prostática.
O tratamento mais indicado atualmente é o metronidazol (antimicrobiano) e o tinidazol (antifúngico), com uma taxa de cura de superior a 90%.
O esquema indicado é:
- Metronidazol 2 g VO (dose única)
- Secnidazol 2 g VO
- Tinidazol 2 g VO (dose única)
Prevenção
A prevenção é feita a partir do tratamento e controle dos pacientes contaminados, mas principalmente com o uso de preservativo durante a relação sexual.
Autora: Pâmella Lopes
Instagram: @farmapamlopes
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
CANESE, Arquímedes. CANESE, Andrés. Manual de Microbiología y Parasitología Médica. 7ªed, Assunción, Paraguay, 2012.
Giardia lamblia (giardíase): sintomas e tratamento.
https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/parasitoses/giardiase/
Aspectos clínico, patogênese e diagnóstico de Trichomona vaginalis. https://www.scielo.br/j/jbpml/a/gHZ9jDPgyCCn9YwssMTLzwm/?lang=pt
Tricomoníase vaginal: o que se passa? http://ppga.sites.uff.br/wp-content/uploads/sites/303/2018/02/r22-2-2010-4-Tricomoniase.pdf
Exame de Papanicolau: uma busca ativa em relação as mulheres que não realizam o procedimento, assistidas na ESF Chapadinha. file:///C:/Users/Loja/Downloads/1005-3429-1-PB.pdf
Tricomoníase (Trichomonas vaginalis). https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/dst/tricomoniase-sintomas/#Sintomas
Doença causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/biologia/tricomoniase
Tricomoníase (Trichomonas vaginalis): conheça os síntomas, tratamento, profilaxia e muito mais. https://ibapcursos.com.br/tricomoniase-trichomonas-vaginalis-conheca-os-sintomas-tratamento-profilaxia/