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Técnicas para gerenciar as principais lesões em ginastas olímpicas: estratégias e manejo

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As olímpiadas de Paris 2024 acabaram, mas deixou um legado de superação de lesões em ginastas olímpicas! Por exemplo, a maior medalhista da edição Rebeca Andrade superou três cirurgias no Ligamento Cruzado Anterior do joelho direito antes de subir ao pódio.

Portanto, o surgimento das lesões em ginastas olímpicas advém da natureza exigente do esporte, que combina força, flexibilidade, equilíbrio e coordenação para criar as apresentações acrobáticas impressionantes.

A ginástica artística feminina abrange quatro eventos principais: salto sobre o cavalo, barras assimétricas, trave de equilíbrio e solo. Cada aparelho possui suas particularidades, o que resulta em diferentes tipos e frequências de lesões.

Contudo, a ocorrência dessas lesões depende das características próprias de cada aparelho e do tipo de trabalho realizado neles. Além disso, fatores como preparação, orientação e proteção dos ginastas, que podem incluir assistência manual ou mecânica.

Segundo estudos, a taxa de lesões entre ginastas olímpicos é alarmante, com uma incidência significativa durante treinamentos e competições. Pesquisas indicam que a taxa de lesões em ginastas olímpicas pode variar de 9 a 12 lesões por 1.000 horas de exposição ao treinamento e competição, dependendo da disciplina e do nível de habilidade do atleta.

Com isso, aproximadamento 70% das ginastas ofrerão pelo menos uma lesão significativa ao longo de suas carreiras

Assim, os locais anatômicos que mais frequentemente sofrem lesões em ginastas olímpicas, são o joelho, o tornozelo e a região lombar. Apesar de muitas lesões serem de menor gravidade, a seriedade das lesões é geralmente elevada, especialmente entre ginastas de nível avançado.

Principais lesões em ginastas olímpicas

As ginastas olímpicas enfrentam uma variedade de lesões devido à repetição dos movimentos e ao impacto constante. A apresentação no solo é o mecanismo de maior incidência de lesão em ginastas olímpicas. As lesões no joelho, ombro, fraturas de estresse, lesões no tornozelo e no punho são as mais comuns.

Assim, as lesões de joelho frequentemente envolvem rupturas no Ligamento Cruzado Anterior (LCA), que são comuns devido aos movimentos de pivô, aterrissagens e saltos. A falta de estabilidade do joelho pode comprometer significativamente a carreira do atleta. Bem como, as lesões meniscais também são frequentes, ocorrendo devido a movimentos de torção e flexão, comuns em exercícios de solo e aparelhos.

No ombro, as ginastas sofrem frequentemente de lesões no manguito rotador devido ao uso excessivo e aos movimentos repetitivos do braço durante exercícios nas barras assimétricas. Assim, luxações do ombro são frequentes devido à pressão excessiva e às quedas durante execuções acrobáticas.

Por outro lado, as fraturas de estresse são comuns na coluna vertebral e nos membros inferiores. Sendo que na coluna vertebral, as fraturas por estresse nas vértebras lombares resultam do impacto repetitivo e da hiperextensão durante exercícios como o salto no cavalo. Nos membros inferiores, fraturas de estresse no fêmur e na tíbia ocorrem frequentemente devido ao impacto repetitivo nas aterrissagens.

Assim, lesões no tornozelo incluem entorses, que são frequentes em aterrissagens incorretas e movimentos bruscos, podendo causar danos aos ligamentos. Bem como, fraturas do tornozelo ocorrem em quedas e aterragens descontroladas, exigindo intervenção cirúrgica em casos graves.

Contudo, no punho, fraturas de escafóide são comuns em ginastas devido ao suporte de peso nas mãos durante exercícios como barras paralelas e cavalo com alças.

Sinais e sintomas das lesões em ginastas olímpicas

Identificar lesões precocemente é crucial para um tratamento eficaz e retorno seguro ao esporte. Contudo pode ser desafiadora, uma vez que os sinais e sintomas variam conforme a lesão:

Lesões de joelho, como as lesões do Ligamento Cruzado Anterior: Os sintomas incluem dor intensa, estalido doloroso, sensação de falseio no joelho, inchaço significativo e dificuldade em realizar movimentos de rotação.

Traumas meniscais: Cursam com dor localizada, inchaço, bloqueio articular e sensação de estalo durante a movimentação.

Lesões de ombro:  Lesões no manguito rotador causam dor ao levantar o braço, fraqueza, inchaço e possível crepitação.

Luxações do ombro: Resultam em dor aguda, deformidade visível e incapacidade de mover o braço.

Fraturas de estresse na coluna vertebral: Apresentam dor localizada na região lombar, que piora com a atividade e alivia com o repouso.

Nos membros inferiores, a dor aumenta com o impacto e diminui com o repouso.

Lesões no tornozelo, como entorses: Causam dor, inchaço, hematomas e dificuldade para caminhar ou suportar peso.

Fraturas do tornozelo: Resultam em dor intensa, inchaço significativo, deformidade e incapacidade de suportar peso.

No punho: Fraturas de escafóide causam dor ao movimentar o punho, inchaço e sensibilidade ao toque no local da fratura.

Diagnóstico das lesões em ginastas olímpicas

Ao estar diante de uma lesão em ginastas olímpicas, é essencial que o diagnóstico seja estabelecido de forma precoce, para que o tratamento e a recuperação sejam eficazes. Assim, as técnicas de diagnóstico incluem anamnese com história cllínica, exame físico e complementares se necessário, como ressonância magnética (RM), radiografias, ultrassonografia e tomografia computadorizada (TC).

Na anamnese o questionamento deve ser direcionado para o mecanismo da lesão, estresse físico da atividade, lesões anteriores, tempo do início da dor, extensão e duração durante e depois da atividade. Também, deve-se perguntar aos pacientes sobre exposição a antibióticos do grupo das quinolonas, que podem predispor à ruptura do tendão.

As imagens por ressonância magnética (RM) são ideais para avaliar lesões de ligamentos, tendões e cartilagens, e detectar fraturas de estresse, especialmente na coluna e nos membros inferiores. Assim, as radiografias são úteis para identificar fraturas, desalinhamentos e outras alterações ósseas.

Contudo, a ultrassonografia avalia lesões de tecidos moles, como musculares e tendíneas, além de detectar a presença de fluido em articulações. A tomografia computadorizada (TC) fornece imagens detalhadas de ossos, sendo útil para fraturas complexas e planejamento cirúrgico.

Tratamento das lesões em ginastas olímpicas

O tratamento varia conforme a lesão, mas geralmente inclui uma combinação de repouso e imobilização, fisioterapia, medicação, cirurgia e reabilitação funcional.

O protocolo RICE é a base do tratamento para maioria das lesões em ginastas olímpicas:

  • R: REPOUSO
  • I: ICE / GELO
  • C: COMPRESSÃO
  • E: ELEVAÇÃO

Assim, o protocolo é utilizado para reduzir a inflamação e dor inicialmente, além de talas, órteses ou gesso para estabilizar a área lesionada.

Em paralelo, a atuação da fisioterapia diante das lesões em ginastas olímpicas é essencial e oferece reabilitação personalizada com programas de exercícios específicos. Tendo em vista, a restauração da força, flexibilidade e função, além de terapias adjuvantes como terapia manual, ultrassom terapêutico e eletroterapia para promover a cicatrização.

Bem como, a utilização de medicações para o tratamento das lesões deve está alinhada com o objetivo adequado, incluindo a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios para controlar a dor e a inflamação, permitindo maior participação na reabilitação.

Contudo, em casos graves, a cirurgia é necessária. Por exemplo, na reconstrução do ligamento cruzado anterior, utilizando-se de enxertos para reparar ligamentos rompidos, na reparação de menisco com cirurgia artroscópica para corrigir lágrimas meniscais e para a fixação de fraturas com parafusos, placas e hastes para estabilizar fraturas graves.

Assim, a reabilitação funcional prepara os ginastas para as demandas físicas do esporte com exercícios específicos e monitoramento contínuo, incluindo avaliações regulares para garantir a recuperação adequada e evitar recidivas.

Prevenção das lesões em ginastas olímpicas

Prevenir lesões é tão importante quanto tratá-la, assim as estratégias de prevenção incluem treinamento adequado, condicionamento físico, programas de aquecimento e alongamento, uso de equipamentos de proteção, monitoramento e avaliação contínua.

Treinamento adequado

A utilização das técnicas corretas para realizar os movimentos, minimizam o risco de lesões nas ginastas olímpicas, sendo realizadas sempre com a supervisão de treinadores experientes para corrigir as técnicas e monitorar a carga de treinamento.

Condicionamento físico

Bem como, o condicionamento físico envolve programas de fortalecimento muscular para suportar as exigências do esporte e o trabalho de flexibilidade com alongamentos e exercícios de mobilidade para manter a amplitude de movimento e prevenir lesões.

Programas de aquecimento e alongamento

A preparação das ginastas olímpicas se inicia antes das acrobacias e saltos, com a realização dos programas de aquecimento e alongamento. Assim, preparam os músculos e articulações para a atividade intensa, com aquecimento adequado para aumentar a temperatura muscular e a circulação sanguínea.

Assim, o uso de equipamentos de proteção, como tape e órteses, estabiliza articulações vulneráveis durante os treinos e competições, enquanto a escolha de calçados e aparelhos adequados reduz o impacto e melhora o desempenho.

Monitoramento e avaliação contínua

Itens obrigatórios e inclusos nos check-ups frequentes para identificar sinais precoces de lesão e ajustar os programas de treinamento conforme necessário, além de feedback dos atletas para relatar desconfortos e lesões imediatamente para intervenção precoce.

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Sugestão de leitura complementar

Referências bibliográficas

  • Caine, D., et al. (2016). Epidemiology of injury in gymnastics. Injury Epidemiology, 3(1), 1-9.
  • UpToDate. (2024). Management of common sports injuries.
  • Clarsen, B., et al. (2017). Development and validation of a new method for the registration of overuse injuries in sports injury epidemiology: The Oslo Sports Trauma Research Center (OSTRC) Overuse Injury Questionnaire. British Journal of Sports Medicine, 47(8), 495-502.
  • Meeusen, R., et al. (2013). Prevention of sport injuries: A systematic review of the literature. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 23(5), 373-385.
  • Kibler, W. B., et al. (2013). Clinical implications of scapular dyskinesis in shoulder injury. Orthopedic Clinics of North America, 44(1), 143-158.

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