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Gastrostomia: o que é, principais indicações e orientação de manuseio

Gastrostomia

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Gastrostomia: tudo o que você precisa saber para sua prática médica!

A gastrostomia é um procedimento cirúrgico essencial para muitos pacientes que não conseguem se alimentar de maneira adequada pela boca. 

Portanto, realiza-se esse procedimento frequentemente em pacientes idosos, particularmente aqueles com condições neurológicas degenerativas, como a doença de Parkinson ou o acidente vascular cerebral. A prevalência de condições crônicas e o aumento da fragilidade física tornam esse grupo etário mais propenso a necessitar de um tubo de alimentação.

O que é a gastrostomia?

A gastrostomia envolve a criação de uma abertura direta no estômago, através da parede abdominal, para inserir um tubo de alimentação. 

Este tubo permite a administração de nutrientes, líquidos e medicamentos diretamente no estômago, bypassando a necessidade de ingestão oral. Dessa forma, recomenda-se a gastrostomia como uma solução permanente, dependendo da condição médica do paciente, ou como uma medida temporária, como no caso de recuperação pós-cirúrgica do sistema digestivo. Este procedimento deve ser indicado e realizado por um gastroenterologista. 

Fonte: UpToDate, 2024.

Tipos de gastrostomia

Pode-se realizar a gastrostomia por diversas maneiras, dependendo das necessidades e da condição do paciente. 

Gastrostomia endoscópica percutânea (PEG)

O tipo mais comum é a gastrostomia endoscópica percutânea (PEG), um procedimento minimamente invasivo. Nesse método, insere-se um endoscópio, um tubo flexível com uma câmera, pela boca até o estômago, permitindo a visualização no interior do estômago e além disso, a inserção do tubo de alimentação através da pele e da parede abdominal. 

A PEG é frequentemente escolhida por sua simplicidade e menor tempo de recuperação.

Gastrostomia cirúrgica

Outro método consiste na a gastrostomia cirúrgica, realizada por meio de uma cirurgia aberta tradicional ou por laparoscopia. Neste procedimento, faz-se uma pequena incisão na parede abdominal para inserir diretamente o tubo de alimentação no estômago. Necessita-se utilizar esse método quando o PEG torna-se inviável devido a razões anatômicas ou outras contraindicações. A gastrostomia cirúrgica é geralmente mais invasiva e requer um tempo de recuperação mais longo, mas é uma alternativa eficaz quando outros métodos não são adequados.

Gastrostomia radiológica

A gastrostomia radiológica consiste em uma outra opção, onde guia-se a colocação do tubo por imagens radiológicas, assim como a fluoroscopia. Neste procedimento, um radiologista intervencionista usa técnicas de imagem para guiar a inserção do tubo de alimentação no estômago. 

Dessa forma, pode-se usar essa abordagem quando os métodos endoscópico e cirúrgico não são possíveis ou apropriados. Cada um desses métodos tem suas indicações específicas, e deve-se fazer a escolha do procedimento adequado com base na avaliação médica detalhada do paciente.

Indicação da gastrostomia

Recomenda-se esse procedimento em diversas situações médicas onde a alimentação oral é inadequada ou impossível. Veja abaixo as principais indicações para a gastrostomia.

Distúrbios neurológicos

Pacientes com condições neurológicas graves, como esclerose lateral amiotrófica (ELA), acidente vascular cerebral (AVC), paralisia cerebral, esclerose múltipla e doença de Parkinson avançada, muitas vezes têm dificuldade para engolir. 

Assim, a gastrostomia proporciona uma via alternativa segura para alimentação, evitando complicações como a aspiração e a desnutrição.

Câncer de cabeça e pescoço

Em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, o tumor ou seu tratamento (cirurgia, radioterapia, quimioterapia) pode comprometer a capacidade de deglutição. 

Portanto, a gastrostomia é indicada para garantir que esses pacientes recebam nutrição adequada durante o tratamento e recuperação, melhorando a qualidade de vida e os resultados do tratamento.

Obstruções esofágicas

Pacientes com estenose ou obstruções no esôfago, muitas vezes devido a câncer esofágico, precisam de uma alternativa à alimentação oral. 

Condições crônicas e degenerativas

Doenças crônicas e degenerativas que afetam a deglutição, como a fibrose cística em estágio avança bem como distrofias musculares, também podem necessitar de gastrostomia. 

Pós-cirurgia do aparelho digestivo

Pacientes que passaram por cirurgias significativas do aparelho digestivo podem precisar de gastrostomia temporária para permitir a recuperação do trato digestivo. 

Portanto, durante esse período, a gastrostomia assegura que o paciente receba a nutrição necessária sem sobrecarregar o sistema digestivo em recuperação.

Como é feita a alimentação através da sonda?

Antes de manusear a sonda, deve-se orientar o paciente a lavar bem as mãos com água e sabão para prevenir infecções, bem como garantir que todos os equipamentos utilizados, como seringas e conexões, estejam limpos e esterilizados.

Além disso, antes de iniciar a alimentação, deve-se verificar se a sonda está corretamente posicionada e se não há sinais de deslocamento, obstrução ou infecção no local do estoma. 

 A alimentação pode ser administrada de duas maneiras principais: por gravidade ou com o uso de uma bomba de infusão.

  • Por gravidade: conecta-se o saco de alimentação à sonda e eleve-o acima do nível do estômago do paciente. Deve-se administrar gradualmente a fórmula nutricional pela força da gravidade. Portanto, a altura do saco deve ser ajustada para controlar a velocidade de infusão.
  • Com bomba de infusão: pode-se programar uma bomba de infusão para fornecer a fórmula nutricional a uma taxa constante e controlada, sendo especialmente útil para alimentações contínuas ou para pacientes que necessitam de uma administração precisa da nutrição.

Após a administração da fórmula nutricional, o paciente deve lavar o tubo com água morna para evitar obstruções. A quantidade de água utilizada para lavar o tubo é de geralmente 30 a 60 ml.

Cuidados pós-operatório

O cuidado pós-operatório após uma gastrostomia torna-se essencial para uma recuperação adequada e prevenção de complicações. Portanto, inicialmente, deve-se monitorar regularmente os sinais vitais do paciente e observar o local da inserção da sonda para detectar sinais de sangramento, inchaço, vermelhidão ou secreção anormal. 

Deve-se gerenciar a dor pós-operatória com analgésicos prescritos e posicionamento adequado do paciente para conforto. Nas primeiras 24 a 48 horas, pode-se realizar a hidratação via intravenosa.

Além disso, deve-se limpar o estoma diariamente com água morna e sabão neutro, bem como inspecionar a área ao redor para observar sinais de infecção, notificando o médico se houver suspeitas. Dessa forma, orienta-se o paciente a lavar o tubo com água morna antes e após cada alimentação ou administração de medicamentos para evitar obstruções.

Complicações da gastrostomia

Apesar de ser um procedimento relativamente seguro, a gastrostomia pode apresentar algumas complicações. Entre elas estão:

  • Infecção no local da incisão
  • Deslocamento ou obstrução da sonda
  • Vazamento ao redor do estoma
  • Peritonite: se houver ruptura ou perfuração do estômago durante o procedimento de inserção da sonda, pode ocorrer peritonite.

Referência bibliográfica 

  1. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO-SP. PARECER COREN-SP 045/2012 – CT. Troca de sonda de Gastrostomia, Jejunostomia. Respaldo legal e competência do Enfermeiro. Disponível em: <http://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_coren_sp_2012_45_1.pdf>. Acesso em: 21 out. 2014.
  2. VILARINHO, R.S.C.; ROGENSKI, N.M.B.; ROGENKI, K.E., Gastrostomia: como cuidar. In: CESARETTI, I.U.R.; PAULA, M.A.B.; PAULA, P.R. (Org.). Estomaterapia: temas básicos em estomas. Taubaté: Cabral Editora e Livraria Universitária, 2006, p.243-250.

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