Anúncio

Gastrite erosiva: causas, sintomas e opções de tratamento

Índice

Mês do Consumidor Sanar Pós

Faça parte da Lista VIP e tenha benefícios no Mês do Consumidor

*Consulte condições

Dias
Horas
Min

A gastrite erosiva é uma condição que caracteriza-se por inflamação e erosão superficial da mucosa gástrica, resultante de um desequilíbrio entre os fatores agressivos e os mecanismos de defesa do estômago.

A gastrite erosiva pode manifestar-se de forma aguda, com início súbito e sintomas como dor epigástrica e sangramento, ou evoluir de modo crônico, com queixas mais leves e persistentes.

O diagnóstico é estabelecido principalmente por endoscopia digestiva alta, e o tratamento baseia-se na eliminação dos fatores desencadeantes, no uso de terapia supressora de ácido e, em casos específicos, na profilaxia com inibidores da secreção gástrica, especialmente em pacientes hospitalizados sob risco aumentado, como aqueles internados em unidades de terapia intensiva.

Causas principais da gastrite erosiva

A gastrite erosiva caracteriza-se por uma inflamação da mucosa gástrica acompanhada de lesões superficiais e erosões, que podem evoluir para hemorragia. Essa condição resulta de uma agressão direta ou indireta ao epitélio gástrico, geralmente provocada pela exposição a agentes tóxicos, medicamentos, isquemia ou situações de estresse fisiológico severo, que comprometem os mecanismos de defesa da mucosa estomacal.

Agentes tóxicos e medicamentos

Entre as causas mais relevantes, destacam-se as substâncias químicas irritantes, como o álcool, que exerce efeito citotóxico sobre as células epiteliais, aumenta a secreção ácida e a permeabilidade da mucosa, além de reduzir a motilidade gástrica.

Além disso, os fármacos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) representam outra causa importante de gastrite erosiva. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da enzima ciclo-oxigenase (COX-1), o que reduz a síntese de prostaglandinas, substâncias fundamentais para a manutenção da integridade da mucosa gástrica. Essa inibição diminui a produção de muco e bicarbonato, reduz o fluxo sanguíneo local e favorece o surgimento de erosões e úlceras, caracterizando a gastropatia induzida por AINEs.

Outros medicamentos também podem causar dano gástrico, como os comprimidos de ferro e as preparações orais de fosfato de sódio. Da mesma forma, agentes quimioterápicos e imunoterápicos podem provocar gastrite erosiva por mecanismos diversos, como toxicidade direta, imunomediação, vômitos repetidos ou imunossupressão.

Isquemia gástrica

A isquemia gástrica é outra causa relevante, observada em situações de vasoconstrição intensa, hipoperfusão ou choque circulatório. Além disso, o uso de drogas vasoconstritoras, como a cocaína, pode precipitar isquemia mesentérica severa, enquanto estados de hipovolemia, sepse ou trauma grave reduzem o fluxo sanguíneo esplâncnico, comprometendo a vitalidade da mucosa gástrica.

Estresse fisiológico

Ademais, em cenários de estresse fisiológico intenso, como queimaduras extensas, politraumatismos, infecções sistêmicas ou ventilação mecânica prolongada, é comum o desenvolvimento de gastrite erosiva, especialmente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva. Nesses casos, a liberação de catecolaminas, a hipóxia tecidual e a redução do fluxo sanguíneo esplâncnico contribuem para a formação das lesões.

Outros fatores

Por fim, outros fatores também podem desempenhar papel secundário, como refluxo biliar alcalino, exposição à radiação e ingestão de agentes corrosivos.

Quadro clínico da gastrite erosiva

A gastrite erosiva costuma apresentar um espectro clínico bastante variável. Nos casos leves, muitos pacientes permanecem assintomáticos, embora alguns relatem dispepsia, náuseas ou vômitos ocasionais.

Em situações mais graves, especialmente após um evento desencadeante, como estresse fisiológico intenso, uso de medicamentos irritantes ou infecções, o primeiro sinal pode ser o sangramento digestivo, manifestado por hematêmese, melena ou sangue aspirado por sonda nasogástrica, geralmente entre 2 a 5 dias após o fator causal.

O sangramento costuma ser leve a moderado, mas pode atingir intensidade elevada quando há úlceras mais profundas, como ocorre na gastrite aguda por estresse.

Em suma, entre os sintomas mais comuns, destacam-se:

  • Dor epigástrica ou abdominal;
  • Sensação de estufamento;
  • Má digestão;
  • Náuseas e vômitos com sangue;
  • Presença de sangue nas fezes.

Diagnóstico da gastrite erosiva

O diagnóstico da gastrite erosiva baseia-se principalmente em avaliação endoscópica e histopatológica.

Endoscopicamente, a gastrite erosiva geralmente apresenta-se como múltiplas erosões superficiais e pequenas áreas de hemorragia, de coloração vermelha ou negra. Além disso, a localização das lesões varia conforme a causa: as erosões induzidas por estresse, como as úlceras de Curling, predominam no fundo e corpo do estômago, enquanto as associadas a AINEs ou consumo de álcool podem envolver todo o estômago, sendo mais evidentes no antro.

A gastrite erosiva pode evoluir para úlceras gástricas ou duodenais. As úlceras associadas costumam ser múltiplas, superficiais, de 0,5 a 2 cm, localizadas principalmente no corpo e fundo do estômago.

O aspecto histológico varia conforme a idade da úlcera: lesões recentes mostram necrose epitelial, enquanto úlceras mais antigas apresentam inflamação, tecido de granulação e regeneração epitelial.

Dessa forma, para o diagnóstico preciso, é fundamental a documentação detalhada das lesões durante a endoscopia, incluindo erosões, alterações das pregas, áreas de mucosa de aparência anormal e possíveis massas ou pólipos.

O protocolo de biópsia recomendado inclui múltiplas amostras do corpo e antro gástrico, assim como da incisura angularis, mesmo de áreas de mucosa aparentemente normal, devido à falta de correlação entre aspecto endoscópico e inflamação histológica. Ademais, a análise histopatológica avalia o grau de inflamação, presença de metaplasia intestinal e a possível colonização por H. pylori, ajudando a determinar a etiologia da gastrite erosiva.

Em casos suspeitos de gastrite erosiva associada a H. pylori, podem ser realizados testes não invasivos, como teste respiratório de ureia ou antígeno fecal, com alta sensibilidade para detecção de infecção ativa.

Portanto, o diagnóstico da gastrite erosiva depende da integração entre achados endoscópicos, histológicos e laboratoriais, considerando a história clínica, fatores predisponentes e comorbidades.

Tratamento da gastrite erosiva

O manejo da gastrite erosiva depende da causa subjacente e da gravidade clínica.

A estratégia principal envolve identificação e remoção do agente causador, seguida do uso de medidas de supressão ácida, geralmente com inibidores da bomba de prótons (IBPs) em esquema curto. Na maioria dos casos, o sangramento é autolimitado e não requer intervenção agressiva.

Em situações em que medicamentos, como anticoagulantes, contribuem para o sangramento, sua suspensão temporária pode ser considerada, se clinicamente viável. Para episódios de hemorragia mais intensa, a terapia endoscópica pode ser necessária, incluindo técnicas como coagulação com plasma de argônio para controle do sangramento.

Além do tratamento ativo, há estratégias de prevenção, especialmente em pacientes de alto risco, como aqueles em unidade de terapia intensiva ou submetidos a quimioterapia. Nestes casos, o uso profilático de IBPs ou antagonistas dos receptores H2 ajuda a prevenir o surgimento de erosões e úlceras gástricas.

Em contextos específicos, como a gastrite erosiva induzida por imunoterapia, pode ser necessário o uso de glicocorticoides para controlar a inflamação da mucosa gástrica.

Assim, o tratamento da gastrite erosiva combina controle da causa, supressão ácida, intervenções endoscópicas quando indicadas e medidas preventivas em pacientes de risco elevado.

Seja referência no atendimento de urgência e emergência com a Sanar!

Você quer agir com rapidez, tomar decisões precisas e seguras, e estar preparado para salvar vidas em situações críticas todos os dias?

A Pós-Graduação em Medicina de Emergência da Sanar foi especialmente desenvolvida para capacitar médicos a enfrentarem qualquer cenário clínico, desde atendimentos de urgência em pronto-socorro até situações complexas de pacientes críticos, garantindo segurança, assertividade e excelência no cuidado.

Com um programa completo, atualizado e baseado em evidências, você vai dominar técnicas de avaliação rápida, manejo de traumas, emergências clínicas e suporte avançado de vida, tornando-se referência na linha de frente da Medicina de Emergência.

Referências

  • Azer SA, Awosika AO, Akhondi H. Gastrite. [Atualizado em 22 de junho de 2024]. Em: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing; jan. de 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK544250/
  • Jensen PJ. Acute hemorrhagic erosive gastropathy and reactive gastropathy. UpToDate, 2024.
  • Jensen PJ. Gastritis: Etiology and diagnosis. UpToDate, 2024.

Compartilhe este artigo:

Uma pós que te dá mais confiança para atuar.

Conheça os cursos de pós-graduação em medicina da Sanar e desenvolva sua carreira com especialistas.

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀