Fraturas: tudo o que você precisa saber para sua prática clínica!
O conceito de fraturas é a perda da continuidade óssea. Ou seja, qualquer perda de continuidade óssea, mesmo que não seja completa, é uma fratura.
Geralmente, as fraturas surgem através de traumas de alta energia. O osso, em condições normais, possui a habilidade de suportar cargas e absorver essa energia. Caso haja um grande nível de energia associado ao trauma, o osso não consegue suportar e acaba sofrendo uma fratura.
Quais os tipos de fratura?
Existem vários tipos diferentes de fraturas, e elas podem ser classificadas de acordo com várias características. Algumas das classificações mais comuns incluem:
- Fechadas: o osso quebrado não perfura a pele e permanece dentro do corpo.
- Abertas (ou expostas): ocorrem quando o osso quebrado atravessa a pele e fica exposto ao ambiente externo. Elas são mais suscetíveis a infecções
- Completas: o osso quebrado está completamente separado em duas ou mais partes
- Incompletas: o osso está rachado ou quebrado, mas ainda mantém alguma continuidade. Isso pode incluir fraturas em galho verde (comuns em crianças) e fraturas por compressão
- Simples: essas fraturas envolvem apenas um osso quebrado
- Múltiplas (ou complexas): envolve a quebra de dois ou mais ossos adjacentes.
As fraturas relacionadas a traumas de baixa energia devem acender um alerta sobre a possibilidade de fraturas patológicas, ou seja, associadas a doenças ósseas, entre outras que culminam com a fragilidade óssea, como por exemplo a Osteoporose ou Lesões Tumorais.
Como é feita essa classificação das fraturas?
Na ortopedia, existem diversos tipos de classificação para as fraturas. De uma maneira geral, elas podem ser classificadas por seu traço, pelo comprometimento articular e pelo comprometimento de partes moles.
De acordo com o traço da fratura observado radiograficamente, podemos classifica-la em simples, quando há apenas um traço, sendo uma lesão única que realiza a transfixação de todo o osso. Caso sejam observados dois traços de fratura formando uma cunha, considera-se a fratura como em cunha. Por fim, quando observam-se múltiplos traços de fratura, com o osso fraturado em vários seguimentos, podemos classificar esse tipo de fratura como cominutiva.
Quanto ao comprometimento articular da lesão, podemos ter fraturas intra-articulares ou extra-articulares. Na primeira, pode-se observar a invasão do traço da fratura até na articulação, e na segunda podemos verificar que o traço fraturário não acomete a articulação.
Na imagem abaixo é possível observar Incidência radiográfica (A) e reconstrução tomográfica (B) demonstrando fratura intra-articular, com fragmento ósseo desviado.
Por fim, de acordo com o comprometimento de partes moles, uma fratura pode ser classificada como aberta ou fechada. Fraturas abertas, também chamada de expostas, são aquelas em que há o contato do foco da fratura com o meio externo, podendo culminar desde em lesões puntiformes até fraturas extensas, como no esmagamento. As fraturas fechadas, por outro lado, são aquelas em que não há contato do foco da fratura com o meio externo.
SAIBA MAIS: A grande maioria das fraturas são fechadas, com um nível de gravidade associado menor que as fraturas abertas.
Localização das fraturas
As fraturas podem acometer a epífise do osso (região articular), metáfise ou na diáfise (corpo ósseo).
O osso longo em processo de crescimento finalizado é composto pela epífise, lâmina epifisial (onde existia a cartilagem epifisial ou placas de crescimento), metáfise e diáfise (ou corpo do osso).
Para cada tipo de energia aplicada ao osso, podemos observar tipos específicos de fratura relacionadas.
As Forças angulares implicam em:
- Fraturas transversas
- Oblíquas
As forças de torção implicam em fratura em espiral. As forças de tração implicam em fratura por avulsão. Já forças compressivas implicam em fraturas de compressão.
Como funciona a cicatrização das fraturas?
Inicialmente, devemos saber que a fratura gera um processo de cicatrização chamado de consolidação, que é um processo único e natural, ocorrendo de forma espontânea em conjunto com as ferramentas pertencentes ao organismo para tal.
Sendo assim, a consolidação é a capacidade de regeneração dependente da reindução das cascatas osteogênicas do período embrionário. Ou seja, durante a consolidação há necessidade que ocorra uma nova osteogênese, como se tivéssemos retornado para o período de formação óssea.
A estabilização dos fragmentos ósseos fraturados ocorre, portanto, de forma gradativa, através da reindução das cascatas osteogênicas, gerando uma dureza progressiva ao osso.
Toda vez que pensamos em consolidação, devemos ter em mente que o osso sofrerá um processo de reparação da lesão. Em seguida, em um período mais tardio, o osso passará por um período de remodelamento ósseo, para o retorno anatomofuncional. Para que a reparação e remodelamento ocorram, é necessário que haja a estabilidade, permitindo um retorno a função anterior à fratura.
Fatores que influenciam na consolidação
Existem alguns fatores que influenciam diretamente no processo de consolidação, sendo eles o fator mecânico e o fator biológico. Caso haja deficiência em um desses fatores, dificilmente ocorrerá a consolidação.
Fator mecânico
Para que o osso consolide, há a necessidade de estabilização do foco fraturário por imobilização. O osso não consolidará caso haja uma movimentação excessiva.
A principal célula responsável pelo processo de consolidação é o osteoblasto, o qual necessita de um espaço entre os fragmentos ósseos reduzido para que possa realizar a deposição óssea, o que explica a necessidade de estabilização.
Fator biológico
A consolidação óssea começa com uma resposta inflamatória à fratura. Células inflamatórias, como leucócitos, migram para a área da fratura e liberam substâncias químicas que estimulam a formação de um coágulo sanguíneo e a ativação de células envolvidas na cicatrização.
O calo ósseo é uma matriz de tecido que se forma na área da fratura e serve como um arcabouço para a regeneração óssea. As células osteogênicas (células que se transformam em células ósseas) migram para o local e começam a depositar novo osso.
Além disso, a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) na área da fratura é importante para fornecer oxigênio e nutrientes às células envolvidas na regeneração óssea.
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