Você já se perguntou como funciona a formação médica nos Estados Unidos e o que difere do modelo brasileiro? Neste artigo, trago as principais diferenças entre Brasil e EUA quando o assunto é graduação, residência, provas e até salários médicos.
Confira o comparativo completo abaixo e entenda o que muda em cada etapa da carreira.
Número de faculdades de medicina
Brasil
- 2002: 115 faculdades
- 2025: 423 faculdades (+267%)
- Há 292 novos pedidos de abertura no MEC.
Estados unidos
- 2002: 125 escolas médicas (MD Schools)
- 2025: 155 escolas (+24%)
- Apenas 3 pedidos de abertura no órgão regulador (LCME).
Formação médica: quando o médico pode começar a atuar?
Brasil
Com o diploma e o CRM, o médico já pode atuar.
Estados Unidos
É obrigatório completar a residência médica, obter licença estadual e manter o título de especialista atualizado.
Provas para nivelar o ensino
Brasil
- ENADE a cada 3 anos.
- Nem todas as turmas fazem e não há nota mínima.
Estados Unidos
- Shelf Exams durante os estágios clínicos.
- Impactam diretamente na escolha da residência.
- Reprovação pode levar à expulsão da escola médica.
Provas para obter a licença médica
Brasil
- Não há prova nacional obrigatória como a OAB
- O CRM é concedido na formatura
- Um projeto de lei para criar uma prova de proficiência foi aprovado em dezembro de 2024 e segue em tramitação.
Estados Unidos
- USMLE Steps: 4 dias de prova, 8-9h cada
- A licença médica depende da aprovação no USMLE e de pelo menos 1 ano de residência (ou mais, a depender do estado).
Provas de atualização profissional
Brasil
- Prova de título feita uma única vez
- O RQE (Registro de Qualificação de Especialista) é vitalício
- Debate atual sobre implementar provas periódicas de atualização.
Estados Unidos
- Exames obrigatórios de re-certificação a cada 5-10 anos
- Reprovação impede o médico de atuar na especialidade.
Tempo para se formar médico
Brasil
- 6 anos: 2 de básico, 2 de clínico, 2 de internato.
Estados Unidos
- 8 anos: 4 anos de graduação (com premed) + 4 anos de medicina.
- A graduação pode ser em qualquer área (engenharia, administração, cinema), desde que cumpra o currículo básico de ciências.
Custos da Faculdade de Medicina
Brasil
- Públicas: gratuitas.
- Particulares: mais de R$ 15 mil/mês. Algumas oferecem FIES e bolsas integrais (como o Einstein).
Estados Unidos
- Todas são pagas. Custos ultrapassam US$ 60 mil/ano.
- Algumas escolas com endowment funds oferecem bolsas integrais a todos os alunos (ex.: NYU, Hopkins).
Salário na residência médica
Brasil
- Bolsa do MEC: R$ 4.100/mês
- Muitos formados recorrem a pós-graduações não remuneradas para cumprir carga horária e obter título.
Estados Unidos
- Salário anual varia de US$ 56 mil a US$ 117 mil
- A remuneração aumenta a cada ano da residência.
Plantões médicos durante a residência
Brasil
- Comuns para complementar a renda.
- Média de R$ 40 a R$ 200/h como PJ.
Estados Unidos
- Moonlighting regulamentado por contrato.
- Média de US$ 100 a US$ 200/h.
Carga horária na residência
Brasil
- 60h/semana (na teoria), na prática a carga horária é muito maior.
Estados Unidos
- 80h/semana, monitoradas pelo ACGME
- Controle rígido de jornada, com penalizações para instituições que excedem o limite.
Vínculo empregatício e benefícios
Brasil
- Relação de ensino, sem vínculo empregatício.
- Direitos previstos por lei (férias, licença maternidade).
- Direito a auxílio moradia (30% da bolsa), embora nem sempre pago.
Estados Unidos
- Vínculo empregatício formal, com benefícios como:
- Seguro saúde e vida
- Malpractice e disability insurance
- Vale iPhone (usado como pager)
- Voucher para transporte
- US$ 12 mil/ano de auxílio moradia
- US$ 2.500/ano para congressos
- Creche para filhos
- US$ 30 mil para programas de fertilidade
- Contribuição para aposentadoria
Considerações finais
Este comparativo resume as principais diferenças que frequentemente me perguntam sobre a formação médica no Brasil e nos Estados Unidos.
Enquanto o Brasil apresenta um modelo mais acessível na graduação, o sistema norte-americano se destaca pela rigidez das provas, controle da jornada e benefícios trabalhistas já na residência. São dois caminhos distintos, com vantagens e desafios em cada fase.
Autoria
Por Fernanda Gushken – Médica e Engenheira