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Fluorose dentária em criança | Colunistas

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A fluorose dentária é decorrente da ingestão de flúor durante o período de mineralização e desenvolvimento dos dentes, sendo assim. É um efeito sistêmico que pode não só afetar a estética como também a função dentária da criança.

Onde o flúor é encontrado? Ele é encontrado principalmente nos cremes dentais (pasta de dente) e na água, mas além disso, alguns médicos ainda prescrevem inadequadamente o flúor para as crianças, aumentando, assim, a probabilidade dacriança desencadear fluorose no futuro. Entretanto, vale ressaltar que o flúor, quando utilizado de maneira adequada, é um aliado na prevenção de cáries e possui um baixo risco de desencadear a fluorose.

Fisiopatologia

Antes de falar sobre como o fluoreto atua, vamos falar um pouco sobre a cárie.

A cárie é provocada por bactérias que são naturais da boca de todos os indivíduos que irão se aderir e acumular-se nas superfícies dos dentes na forma de biofilmes (placa dental), além disso, a ingestão dos açúcares da dieta contribuem para o desenvolvimento da doença. Sendo assim, a cárie é uma doença biofilme-açúcar-dependente que irá provocar lesões de forma progressiva nos dentes devido aos ácidos que são produzidos pelos biofilmes dentais quando a criança ingere açúcar.

O que ocorre é uma diminuição do pH quando os açúcares da dieta (por exemplo sacarose, glicose, maltose, frutose) são ingeridos, uma vez que, ao penetrar no biofilme, eles são metabolizados em ácidos.

Dessa forma, o pH fica abaixo de 5,5 durante 20 a 40 minutos antes dele se normalizar. Nesse período em que o pH é inferior a 5,5 (Figuras 1 e 2), o dente perde os seus minerais na forma de íons de cálcio (Ca) e fosfato (Pi) para a boca, chamado de Desmineralização. Entretanto, quando o pH é maior do que 5,5, a saliva evita que os dentes sejam dissolvidos já que ela tende a repor os minerais perdidos, esse processo chama-se Remineralização.

Figura 1. Em ph maior que 5,5, a saliva evita que os dentes sejam dissolvidos já que ela tende a repor os minerais perdidos, exercendo sua propriedade remineralizante.
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017)
Figura 2. Ao ingerir açúcar e o ph ficar inferior a 5,5, a saliva não consegue proteger mais o esmalte devido à acidez, assim o dente perde os minerais para a cavidade bucal.
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017.)

Dessa forma, imagine esse processo acontecendo várias vezes ao dia e durante um longo período de tempo, o que levará a uma grande perda de minerais dos dentes, uma vez que a quantidade de resposta da remineralização é menor que a perdida pela desmineralização, gerando, consequentemente, as lesões da cárie.

E como o fluoreto atua?

Quando o fluoreto está presente na cavidade bucal, ele interfere nesses dois fenômenos (Desmineralização e Remineralização), reduzindo um e ativando o outro. Ou seja, quando o ph é inferior a 5,5 e o fluoreto está presente, o dente irá perder os minerais na forma de hidroxiapatita, contudo, parte dos íons Ca e Pi voltarão para o dente na forma de fluorapatita, consequentemente, há uma redução da Desmineralização.

Por outro lado, quando o pH fica acima de 5,5 e o fluoreto está presente, ele ativa entre 2 a 3 vezes a capacidade da saliva em repor os minerais que foram perdidos pelos dentes, dessa forma, ele ativa a Remineralização. Portanto o fluoreto contribui na redução da velocidade de progressão das lesões provocadas pela cárie (Figura 3).

Figura 3. Na presença de fluoreto, ocorrerá a redução do processo de desmineralização do dente, uma vez que apesar de haver perda do mineral na forma de hidroxiapatita, os íons cálcio e fosfato retornarão para o dente na forma de fluorapatita.
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017.)

E o que ocorre quando a criança ingere o fluoreto?

É importante relembrar que há uma célula que é responsável pela formação do esmalte dental chamada de ameloblasto. O ameloblasto secreta uma matriz contendo proteínas que serão reabsorvidas durante o processo de mineralização do esmalte.

Contudo, quando a criança ingere o fluoreto e ele é absorvido, ele irá inibir a reabsorção dessas proteínas, em decorrência disso, o esmalte dental formado será mais poroso e, clinicamente, refletirá em opacidades difusas.

Manifestações Clínicas

O quadro dependerá não apenas da dose ingerida (mg F/kg/dia), mas também da sua duração/tempo e ainda da resposta individual de cada criança, assim, a fluorose apresenta diferentes graus de gravidade, podemos dividir em casos leves, moderados e graves.

Nos casos leves observam-se linhas brancas finas, transversais e paralelas, que na maioria das vezes não são perceptíveis ou pouco perceptíveis na coroa dos dentes permanentes.

Nos casos moderados, essas linhas irão confluir-se e adquirirem um aspecto mais esbranquiçado no esmalte, tornando-se mais visíveis.

Já nos casos mais graves, o esmalte dental estará poroso e poderá adquirir pigmentações, nesse caso, o esmalte ficará acastanhado e escuro.

Diagnóstico e Tratamento

A escolha terapêutica depende da gravidade da fluorose dentária, ou seja, do aspecto clínico.

Assim, há várias formas de tratamento do esmalte comprometido por fluorose, indo desde técnicas menos invasivas, por exemplo, as técnicas de clareamento dental e microabrasão de esmalte até podendo recorrer a técnicas mais invasivas como as coroas protéticas e facetas estéticas.

É de suma importância orientar os pais a buscarem um odontopediatra para averiguar qual o melhor tratamento.

Profilaxia

De acordo com a Sociedade Brasileira de Odontopediatria, o flúor deve ser introduzido na higiene bucal da criança a partir do momento em que nasce os primeiros dentes decíduos.

Portanto é importante ressaltar que a higiene bucal da criança deve ser executada e/ou supervisionada pelo responsável, sempre incentivando a criança a cuspir após a escovação.

Além disso, a quantidade de pasta a ser utilizada deve estar de acordo com o número de dentes a serem escovados, colocando uma pequena quantidade de pasta (grão de ervilha ou grão de arroz), sendo que no Brasil é recomendado o uso de dentifrício fluoretado de no mínimo 1.000 ppm F de acordo com Ministério da Saúde, Associação Brasileira de Odontopediatria, Associação Brasileira de Odontologia de Promoção de Saúde (ABOPREV) e Sociedade Brasileira de Pediatria, como demonstrado nas figuras 4, 5 e 6.

Figura 4. Dentifrício fluoretado na quantidade de um grão de arroz.
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017)
Figura 5. Dentifrício fluoretado na quantidade de um grão de ervilha.
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017)
Figura 6. Relação da quantidade de dentifrício a ser utilizada na higiene bucal das crianças a depender do número de dentes. Uma quantidade menor do que 0,05 g é suficiente para a higienização de dois dentes (A). A quantidade de 0,1 g (“grão de arroz”) de dentifrício parece até́ demasiada considerando a área de dentes a ser higienizada (B).
(Fonte: Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole,2017.)

Outro fator a ser levado em consideração é o intervalo entre a ingestão de alimentos e a higiene bucal, uma vez que se o fluoreto for ingerido de estômago vazio, ele será 100% absorvido. Por outro lado, caso haja ingestão do fluoreto 15 minutos após a criança ter se alimentado, a absorção será reduzida de 30 a 40%.

Em suma, apesar da fluorose dental decorrente do uso do dentifrício não ser uma preocupação em termos de saúde pública, uma vez que ao comparar com a cárie dentária que é a doença crônica mais comum na infância e essa causar impacto negativo na qualidade de vida da criança, além de poder afetar até mesmo o desenvolvimento já que impossibilidade ou restringe a alimentação, ainda assim é necessário haver orientações sobre a maneira adequada de utilizar o flúor nas crianças, atentando-se não apenas na quantidade, mas também para evitar a ingestão e, consequentemente, reduzir as chances da criança desenvolver a fluorose dentária.

Autora: Erika Araújo dos Santos

Instagram: @erikamarcelly ou @sanar.residenciaunirv

Referências Bibliográficas

  1. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria, 4ª edição, Barueri, SP: Manole, 2017.
  2. Tratado de Pediatria, Nelson, 2017, 20ª edição.
  3. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019. 2 v.
  4. OLIVEIRA, Luísa Mara Xavier et al. Tratamento de fluorose dentária moderada com a técnica de microabrasão de esmalte com ácido clorídrico 6% e carbeto de silício: relato de caso clínico. Arquivos em Odontologia, v. 50, n. 3, 2014.​
  5. AGOSTINI, Mariângela. FLUOROSE DENTÁRIA: uma revisão da literatura. Universidade Federal de Minas Gerais, Campos Gerais – Minas Gerais. 2011.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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