A fenda oral (fissurados) é a malformação craniofacial congênita mais frequente no recém-nascido. As fissuras labiais, fissuras palatinas e fissuras labiais com fendas palatinas são os três tipos mais comuns.
Essas alterações, que atrapalham o desenvolvimento da face do indivíduo, estão associadas a diversas implicações sociais, estéticas e funcionais. Para entender o surgimento desse defeito, vamos começar relembrando um pouco da anatomia e embriologia da cavidade nasal e da cavidade oral.
Fissurados: anatomia da cavidade nasal e oral
A cavidade nasal corresponde a porção interna do nariz. Seu teto é formado pelas espinhas nasais dos ossos frontais, ossos nasais, lâmina cribiforme do osso etmoide e face anterior do osso esfenoide.
A parede medial é representada pelo septo nasal, que é composto pela sua cartilagem, osso vômer e lâmina perpendicular do osso etmoide, enquanto as paredes laterais são formadas por três estruturas ósseas: concha nasal superior, concha nasal média e concha nasal inferior.
Já o seu assoalho é formado pelas lâminas horizontais dos ossos palatinos e pelos processos palatinos da maxila, que, juntos, formam o palato duro.
Por sua vez, o assoalho da cavidade nasal, representado pelo palato duro, juntamente com o palato mole, uma extensão muscular posterior, formam o teto da cavidade oral. Enquanto isso, a região situada abaixo da parte móvel da língua e acima do músculo milo-hioideo corresponde ao seu assoalho. Assim, podemos perceber que a cavidade nasal é separada inferiormente da cavidade oral através do palato duro.

Imagem: Corte sagital mostrando as estruturas que compõe o teto da cavidade oral. Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed.

Imagem: Estruturas que compõe o teto cavidade oral e assoalho da cavidade nasal. Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed.
Fissurados: embriologia
As fendas orais surgem durante o processo de desenvolvimento do embrião, quando ocorre de forma inadequada. Entre a 4ª e 8ª semana de gestação, ocorre a migração e fusão dos processos faciais, mais especificamente dos processos nasais laterais, nasais mediais, proeminência maxilar e prateleiras palatinas.
Essas fusões são fundamentais para impedir a comunicação inadequada da cavidade oral com a cavidade nasal, permitindo assim, uma alimentação, fonação e audição adequadas. As fissuras labiopalatinas, portanto, surgem quando ocorre uma falha no processo de aproximação dessas estruturas, levando a alterações anatômicas importantes no terço médio da face.

Imagem: Fusão dos processos faciais para desenvolvimento da cavidade nasal e oral. Fonte: http://www.sanarflix.com.br
SAIBA MAIS: A fenda labial sozinha, geralmente, resulta de uma falha na aproximação dos processos nasais laterais, nasais mediais ou proeminência maxilar. Já a fenda palatina ocorre como consequência de um defeito na fusão das prateleiras palatinas na linha média. Apesar da fenda labial e da fenda palatina se apresentarem juntas em muitas situações, suas prevalências diferem, por exemplo, em relação ao sexo, raça e associação familiar.

Imagem: Fissura labial e fenda palatina. Fonte: Larsen Embriologia Humana – 5a Ed.
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