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Fisiologia da neuro-hipófise | Colunistas

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Introdução sobre a glândula hipofisária

A hipófise fica localizada inferiormente ao hipotálamo na sela turca, uma fosseta no osso esfenóide, e possui um papel endócrino, ou seja, secreta hormônios na corrente sanguínea. A glândula é dividida em duas partes, uma anterior e uma posterior, como podemos ver na imagem a seguir é possível visualizar a anatomia da glândula.

Figura 1. Anatomia da glândula hipófise (https://anatomia-papel-e-caneta.com/glandula-hipofise-pituitaria/)

A adeno-hipófise, ou hipófise anterior, tem origem embrionária do epitélio do estomodeu, a boca primitiva, e possui papel secretor de hormônios. O epitélio evagina formando a bolsa de Rathke que cresce em direção ao infundíbulo. Já a neuro-hipófise, ou hipófise posterior, não produz hormônios, apenas armazena e libera os que são produzidos pelo hipotálamo. A neuro-hipófise tem origem embriológica neural, onde o assoalho do diencéfalo invagina formando um infundíbulo, que cresce e fica intimamente ligado a adeno-hipófise.

A adeno-hipófise produz e libera GH, ACTH, TSH, LH, FSH e Prolactina. Enquanto A neuro-hipófise armazena dois hormônios, a vasopressina (ADH, ou hormônio anti-diurético) e a ocitocina, que serão descritos abaixo.

Síntese hormonal de ADH e ocitocina

A síntese ocorre nos núcleos do hipotálamo, no núcleo paraventricular e supra-óptico, e são produzidos como pré-pró-hormônios, ou seja, um complexo pró-hormônio + vasopressina/ocitocina + peptídeo (neurofisina 1 associado a vasopressina e neurofisina 2 associado à ocitocina) denominado pré-provasofisina ou  pré-pró-oxifisina. Durante o transporte ao retículo endoplasmático, o peptídeo N-terminal é clivado, armazenados em grânulos secretores no interior do retículo e, quando direcionados aos corpos de herring, precisam ser conduzidos pelos axônios, onde, nesse caminho, os pró-hormônios são clivados restando apenas o hormônio.

Na imagem abaixo é possível observar a parte anatômica da síntese hormonal.

Figura 2. Anatomia da produção hormonal da neuro-hipófise (BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.)

Vasopressina

            Hormônio peptídico conhecido também como ADH (hormônio anti-diurético), a vasopressina é um hormônio hipotalâmico que fica armazenada na neuro-hipófise nos corpos de Hering, que são prolongamentos fibrilares com a função armazenadora.

            A vasopressina interage com dois receptores, V1 presente nos vasos sanguíneos e V2 presente nos túbulos renais, a atuação do hormônio difere quanto a receptor que irá interagir.

Efeitos do ADH

O ADH pode agir no nosso organismo através de diferentes mecanismos de ação. Quando a vasopressina interage com os receptores V1 presentes nos vasos sanguíneos provoca a vasoconstrição por aumentar a concentração de cálcio intracelular favorecendo a contração da musculatura lisa, ou seja, diminui a luz das arteríolas. Quando interage com receptores V2 nos túbulos renais promove uma cascata de sinalização interna que resulta na inserção na membrana de vesículas contendo aquaporina, o que promove a absorção de água. Além disso, a ação do ADH nos túbulos renais promove o aumento da reabsorção de Na no ramo ascendente da alça de Henle.

Dessa forma, a permeabilidade do túbulo renal será aumentada e a urina produzida será mais concentrada, pois irá diminuir a quantidade de água presente.

Regulação da secreção de ADH

            A concentração de ADH nos líquidos orgânicos pode variar em poucos minutos. Existem alguns estímulos que regulam positivamente a secreção de ADH, como a queda da pressão sanguínea reconhecida por receptores presentes no átrio esquerdo, aumento da osmolaridade do plasma captada por osmoreceptores e queda na pressão sanguínea reconhecida pelos barorreceptores. Estimulará regulação negativa da secreção de ADH, a queda na osmolaridade do plasma e um aumento no volume e na pressão sanguínea.

Doenças relacionadas ao ADH

            As patologias ligadas ao ADH podem surgir pela falta de secreção do hormônio e de sua ação, ou pelo excesso da sua produção e resposta endócrina.

No primeiro caso, tem-se o exemplo da Diabetes insipidus (DI), onde a urina é eliminada com uma concentração baixa por não ocorrer a reabsorção de água nos túbulos renais. A DI pode ser apresentada de quatro formas: 1- Neurogênica, em que não ocorre a produção hipotalâmica do hormônio; 2- Nefrogênica, em que ocorre uma deficiência na resposta ou ausência de produção, podendo ser devido a causas genéticas; 3- Gestacional, devido a uma maior degradação de ADH; 4- Psicogênica devido a uma grande ingestão de água decorrentes de distúrbios psicológicos. Os quadros clínicos apresentados são: hipovolemia, desidratação, hipotensão arterial, polidipsia, poliúria e osmolaridade da urina menor que a do plasma. O tratamento varia entre as quatro formas apresentadas de DI, no caso da neurogênica é realizado pelo uso de desmopressina, no caso da nefrogênica, pode ser realizado com o uso de tiazídicos e com a diminuição da ingesta de sódio.

No segundo caso, ocorre a síndrome da secreção inapropriada de ADH, onde o corpo produz mais ADH que o necessário, geralmente causada por tumores hiper secretantes. O quadro clínico é representado por uma redução do débito urinário, urina muito concentrada, hiponatremia dilucional e aumento da pressão arterial. Nesse caso, o tratamento pode ser realizado por vaptanos (bloqueadores de receptores de ADH).

Ocitocina

Hormônio peptídico com ações relacionadas à gravidez e amamentação, pois tem ação no miométrio e nas células mioepiteliais das glândulas mamárias. A parte molecular é bem similar a vasopressina e difere estruturalmente apenas por dois aminoácidos.

Gravidez e hormônios

            Durante a gestação existe uma alta produção de estrogênio e progesterona, em torno da 40º semana ocorre uma queda nos níveis de progesterona enquanto o estrogênio continua elevado, levando a um aumento na expressão de receptores de ocitocina no miométrio. A tabela a seguir mostra alguns efeitos dos hormônios estrogênio e progesterona relacionados à ocitocina.

Progesterona Estrogênio
Diminui e deixa irregular a atividade uterina Aumenta receptores para ocitocina
Diminui a sensibilidade da célula miometrial ao estímulo de contração Sensibiliza o útero para a ação da ocitocina
Hiperpolariza a membrana e bloqueia a condução elétrica Aumenta as junções entre as células miometriais, o que aumenta a coordenação das contrações
Tabela 1 – Efeitos da progesterona e estrogênio.

Efeitos da ocitocina

            No útero, a ocitocina terá dois tipos de efeitos: os diretos, que promovem o aumento da contratilidade uterina por aumentar o cálcio intracelular; e os indiretos, que primeiro promovem o aumento da produção de estrogênio e prostaglandinas e por consequência aumentam a contratilidade e amolecem o colo uterino.

            No puerpério, a ocitocina ainda será produzida e terá novas funções, promovendo a ejeção do leite por agir nas células mioepiteliais na glândula mamaria, além de favorecer a involução uterina.

Regulação da secreção de ocitocina

            No início do parto, a distensão do colo uterino estimula o hipotálamo a produzir  ocitocina. Durante o parto, a contração uterina gerada retroalimenta positivamente a secreção do hormônio. Já no puerpério, a sucção do mamilo pelo recém-nascido estimula a produção e é importantíssimo para a manutenção das funções da ocitocina pós-parto.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

BERNE, Robert M.; LEVY, Matthew N. (Ed.). Fisiologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.

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