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Fibrose Cística: o que é, epidemiologia e mais!

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A Fibrose Cística (FC) ou mucoviscosidade, como pode ser chamada, é uma doença hereditária grave. É transmitida por um padrão de herança autossômico recessivo, isto é, para a doença ser expressa é preciso possuir mutação em ambos alelos do gene da doença. Isso ocorre quando uma pessoa herda os genes defeituosos tanto do pai quanto da mãe.

Ilustração Padrão de herança de doença autossômica recessiva, como a fibrose cística (FC).

Imagem: Padrão de herança de doença autossômica recessiva, como a fibrose cística (FC). Fonte: Adaptado de Nemours Chrildren’s Health System

No caso da fibrose cística, o gene em questão, aquele que se apresenta mutado, é o gene CFTR. Ele está localizado no braço longo do cromossomo 7 (7q) e codifica a proteína CFTR, a qual atua como um canal de cloro transmembrana. Tem-se mais de 2.200 mutações identificadas neste gene, algumas delas patogênicas e outras não. Para manifestar a fibrose cística, é preciso possuir mutações patogênicas em ambos alelos do gene CFTR. Trata-se, portanto, de uma doença genética.

Caracteriza-se, também, por ser uma doença crônica e progressiva, com prognóstico grave e para a qual ainda não há cura. Os seus sintomas e complicações decorrem da produção de um muco com viscosidade aumentada, o que ocasiona um processo obstrutivo, principalmente nos pulmões e no pâncreas. Além desses, ela afeta outros múltiplos órgãos, tais como os rins, o fígado, o aparelho digestivo e os seios da face.

Ilustração do acometimento pulmonar e pancreático na fibrose cística.

Imagem: Ilustração do acometimento pulmonar e pancreático na fibrose cística. Fonte: news-medical.net/

Epidemiologia da fibrose cística

A fibrose cística é uma doença incurável e que apresenta um alto índice de mortalidade. Entretanto, observa-se que o seu prognóstico vem melhorando bastante ao longo dos últimos anos, grande parte em consequência das evoluções no tratamento.

Enquanto há 30 anos a expectativa de vida de um paciente não ultrapassava os 15 anos de idade, atualmente quem nasce com a doença vê essa expectativa ultrapassando a faixa dos 30 anos. O prognóstico atual mostra índices de sobrevida de 75% até o final da adolescência e de 50% até a terceira década de vida. Estudos anteriores demonstravam que apenas 10% dos pacientes ultrapassavam os 30 anos de idade.

Gráfico Idade mediana predita de sobrevida, 1986-2009.

Imagem: Idade mediana predita de sobrevida, 1986-2009. Fonte: CFF Registry, 2009.

Gráfico Tendências em número de pacientes com fibrose cística (FC).

Imagem: Tendências em número de pacientes com fibrose cística (FC). Esse gráfico ilustra o motivo de a FC ser, muitas vezes, abordada com enfoque no campo da pediatria. Fonte: CFF Registry, 2009.

Essencialmente, é uma doença predominantemente de caucasianos, sendo relativamente frequente nos Estados Unidos e em países ao norte da Europa. Contudo, em países de grande miscigenação racial, como o Brasil, a doença pode se manifestar em todo tipo de população.

Não é observada variação de incidência em função do sexo. Dessa forma, afeta homens e mulheres igualmente, em uma incidência aproximada de um caso positivo a cada 10.000 indivíduos no Brasil.

Ilustração Incidência da fibrose cística pelo mundo.

Imagem: Incidência da fibrose cística pelo mundo. Fonte: OMS, 2004.

Fisiopatologia da Fibrose Cística

Como dito anteriormente, a fibrose cística tem origem genética. Ela é causada pela mutação no gene CFTR, que é responsável por codificar a proteína de mesmo nome. A proteína CFTR é, por sua vez, uma proteína-canal transmembrana que transporta íons cloreto (Cl-).

Como o gene CFTR foi clonado em 1989, mais de 1.300 mutações causadoras de doenças foram identificadas. Essas mutações podem ser classificadas como graves ou brandas, dependendo do fenótipo clínico: mutações graves estão associadas a perda completa da função da proteína CFTR, enquanto mutações brandas preservam alguma função residual. A mutação CFTR grave mais comum é uma deleção de três nucleotídeos que codificam para a fenilalanina na posição 508 do aminoácido (∆F508), causando dobramento defeituoso (misfolding) e perda total do CFTR. Em todo o mundo, a mutação ∆F508 é encontrada em aproximadamente 70% dos pacientes com FC.

Este canal, chamado de regulador de condutância transmembrana da fibrose cística – CFTR –, está presente nas células epiteliais, principalmente naquelas das vias aéreas, do pâncreas e das glândulas sudoríparas. Trata-se de um canal dependente de ligante, ou seja, se abre quando uma molécula de ATP se liga com a proteína-canal. Nos pulmões, quando aberto, o canal transporta cloreto para fora das células epiteliais, isto é, para dentro das vias aéreas.

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