Introdução
Atualmente, a fibromialgia é considerada uma das doenças reumatológicas mais comuns. Embora não seja a dor crônica de maior prevalência mundial ou brasileira, é foco de inúmeras pesquisas e estudos devido ao complexo quadro clínico e por ser onerosa ao Sistema Único de Saúde.
De acordo com dados secundários da Pesquisa de Prevalência de Situações de Dor Crônica no Brasil, e com dados do EpiFibro (Estudo Epidemiológico Brasileiro de Fibromialgia), a prevalência da síndrome fibromiálgica é alta e é estimada em 2,5% no país, com proporção de 1 homem para cada 5,5 mulheres.
Dentre os que foram diagnosticados, estima-se ainda que o aumento na aceitação do diagnóstico poderia influenciar diretamente no aumento dos valores indicados de prevalência.
Sabe-se que há, sim, uma influência de aspectos sociais, psicológicos e culturais na expressão clínica da doença, que a torna altamente variável de indivíduo para indivíduo. As dores crônicas são reconhecidas no Brasil como um problema de saúde pública.
Definição e Sintomas
A fibromialgia, também chamada de síndrome de fibromialgia ou síndrome fibromiálgica, é caracterizada por dores crônicas sem aparente causa orgânica constatável, fonte de sofrimento para pacientes e desafio para os médicos. Trata-se de uma patologia que se relaciona com o sistema nervoso central e o mecanismo de supressão da dor.
Pode-se dizer que é uma síndrome clínica que se manifesta, sobretudo, com dor generalizada (em todo o corpo), sendo muitas vezes difícil discernir se a dor é nos músculos ou nas articulações.
O paciente costuma referir que “não há nenhum lugar do corpo que não doa”, podendo referir, também, como sendo “dor nos ossos”, “nas juntas” ou “nas carnes”. Como os músculos estão presentes por todo o corpo, isso costuma gerar certa confusão.
Porém, como toda síndrome possui mais de um sintoma, juntamente à tal dor surgem outros sintomas, como fadiga, sono não reparador e alterações relacionadas a problemas de memória e concentração – advindos, provavelmente, desta irregularidade no ritmo circadiano –, ansiedade, dormências, formigamentos, cefaleias (dores de cabeça), possíveis tonturas e alterações intestinais.
A dor fibromiálgica muitas vezes é intensa e causa incapacitação nas atividades diárias do paciente, mas é importante ressaltar que não provoca inflamações e deformidades físicas relacionadas diretamente à fibromialgia; em caso de isso ocorrer, pode ser relacionada a outras situações reumatológicas ou patológicas, confundindo, deste modo, o diagnóstico.
Outra característica bastante relevante é que, além da dor espontânea, o paciente pode referir dor ao toque. A presença de pontos sensíveis (pontos dolorosos, conhecidos como “tender points”) na musculatura costuma ser comum, estando presente na maioria dos pacientes diagnosticados.
Causas
As causas de fibromialgia são ainda desconhecidas, porém, clinicamente, revela-se que a doença pode aparecer após eventos e situações graves que ocorrem na vida do indivíduo, podendo ser um trauma físico, psíquico ou infecções graves ou generalizadas.
Estudos do Centro de Neurotecnologia e Neurorrecuperação do Hospital Geral de Massachusetts demonstram que os pacientes apresentam maior sensibilidade à dor do que pessoas que não possuem fibromialgia, como se o cérebro do paciente possuísse uma espécie de “termostato” desregulado, que fosse capaz de ativar o sistema nervoso de forma exagerada.
Hoje, por meio de exames neurológicos e neuroimagem, é possível ver o funcionamento cerebral em tempo real e identificar que o paciente sente dores realmente, mesmo sem lesões.
Além disso, vale salientar que algumas situações podem piorar as crises álgicas, como excesso de esforço, estresses, infecções, exposição a baixas temperaturas, irregularidades no sono e traumas. Ademais, a ansiedade e a depressão podem influenciar de modo negativo na síndrome fibromiálgica, da mesma maneira que afetam em outras doenças, sendo frequentes nos pacientes, como se fossem interdependentes, ou seja, fibromialgia como causa da depressão, por exemplo, e a depressão como causa da fibromialgia.
A dor é interpretada pelo cérebro por meio de várias influências, sendo uma delas as emoções. Quando uma pessoa passa por emoções positivas, estas podem diminuir o desconforto da dor, enquanto as negativas podem aumentar o desconforto, o que pode ser explicado por meio da atividade dos neurotransmissores, como serotonina e noradrenalina.
Sabe-se que os níveis desses neurotransmissores são comumente mais baixos em pacientes fibromiálgicos, visto que variáveis psicológicas como a depressão e a ansiedade estão associadas à percepção de maior gravidade de doença e pior incapacidade funcional.
Tratamento
O tratamento da fibromialgia precisa ser tanto farmacológico quanto não farmacológico. Sabe-se que as medicações são utilizadas para reduzir sintomas e proporcionar condições adequadas para que os pacientes possam praticar exercícios.
O tratamento não medicamentoso tem função primordial na abordagem dos pacientes, sendo o exercício físico a estratégia mais respaldada na literatura internacional. Embora reconheça-se que são inúmeras as dificuldades para introduzir e executar atividade física na rotina dos pacientes fibromiálgicos, é de fundamental importância que sejam sugeridas condições para sua realização.
Autoria: Joana D’arc S. Menezes, graduanda em Medicina.
Instagram pessoal: @joanamenezess