Confira tudo que você precisa saber sobre fibromialgia, incluindo o que é, sintomas e informações de tamanha importância sobre o assunto.
A fibromialgia é uma síndrome álgica musculoesquelética crônica, de duração superior a 3 meses, generalizada, na qual existe um distúrbio do processamento dos centros aferentes, causando dor.
De natureza não autoimune e não inflamatória, sua etiologia permanece desconhecida. Porém a frequência na prática clínica é elevada, perdendo apenas para as osteoartrites nas queixas do aparelho locomotor.
Além disso, a fibromialgia possui grande impacto na qualidade de vida, o que torna o conhecimento sobre ela muito importante para a prática clínica. Embora seja muito frequente, seu diagnóstico permanece um desafio, demorando em média mais de 2 anos para o diagnóstico ser feito.
Sintomas da Fibromialgia
A fibromialgia se caracteriza por dor muscular difusa e crônica de duração maior que 3 meses, associadas frequentemente a queixas de fadiga, distúrbios do sono e baixa tolerância aos exercícios físicos. Adormecimentos, pontadas, queimação e cãibras também podem compor o quadro.
Outros sintomas vagos e inespecíficos da fibromialgia, como edema de membros, tontura, palpitações, alterações cognitivas, ansiedade e humor deprimido podem se apresentar. Por fim, portadores de fibromialgia podem ainda ter algumas síndromes disfuncionais que acarretam dores localizadas ou em órgãos específicos, a exemplo de dor de parede abdominal por cólon irritável, sintomas da síndrome uretral feminina e da cistite intersticial.
SAIBA MAIS: Em 2017, a cantora Lady Gaga entristeceu muitos fãs ao cancelar sua apresentação no Rock in Rio. Portadora de fibromialgia, ela teve uma crise durante a qual sofreu fortíssimas dores que impossibilitaram sua apresentação.
Na época, a cantora divulgou no instagram que “estava devastada” de não poder participar do Rock in Rio, mas que precisava cuidar da sua saúde. Muitos fãs se revoltaram, mas poucos conseguem compreender a redução da capacidade funcional e o quadro intenso de dor que a fibromialgia pode ocasionar.
Vamos entender agora o que é e como se manifesta essa doença que, além de prejudicar a funcionalidade de uma das maiores cantoras pop da atualidade, afeta a vida de 2% da população brasileira.
Epidemiologia da Fibromialgia
A fibromialgia é um dos distúrbios musculoesqueléticos mais prevalentes e constitui um dos principais diagnósticos nos consultórios de reumatologia.
Diferentes estudos apontam uma prevalência variando em torno de 0,7% a 5% da população, a depender do critério utilizado. A EULAR (Liga Europeia contra o Reumatismo) traz uma prevalência geral de 2% na população. Afeta com muito maior proporção o sexo feminino (8 mulheres afetadas para cada homem), e a idade mais frequente de diagnóstico varia entre 35 e 60 anos, embora exista a possibilidade de encontrar em outras faixas etárias.
No Brasil, estudos trazem uma prevalência de 2,5%, principalmente do sexo feminino e na faixa dos 35 aos 44 anos.
SE LIGA! Sintomas que se iniciam com mais de 55 a 60 anos devem gerar investigação de outras hipóteses que não a fibromialgia, como infecções e neoplasias.
Outro aspecto importante é que a fibromialgia pode coexistir com outras doenças reumatológicas, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, espondilite anquilosante, osteoartrite, etc; e que, portanto, não deve merece ter apenas um diagnóstico de exclusão.
Etiologia da Fibromialgia
A etiologia da fibromialgia ainda não é bem conhecida. Acredita-se que sua causa seja, essencialmente, multifatorial, com aspectos genéticos e psicológicos exercendo papel sobre o desenvolvimento da doença.
Dentre os aspectos psicológicos que contribuem para o desenvolvimento da doença, temos traços de personalidade (indivíduos perfeccionistas ou abnegados). Indivíduos que catastrofizam e têm:
- crenças negativas (a crença da dor não controlada);
- hipervigilantes;
- preocupação exagerada;
- transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
- depressão e ansiedade.
Como já foi citado, indivíduos do sexo feminino também possuem maior predisposição para a doença. Alterações do padrão do sono e da resposta neuro-endócrina ao estresse, bem como desregulação autonômica também são parte dos possíveis contribuidores.
Por fim, algumas heranças genéticas, como polimorfismos na enzima catecol-O-metiltransferase, em transportadores e receptores de serotonina, de genes dos receptores D4 da dopamina, de receptores opioides µ, transportadores de sódio voltagem-dependentes, GTP ciclohidrolase e em vias gabaérgicas tem sido implicados na etiologia da doença.
Ainda, estudos demonstram que parentes de primeiro grau de indivíduos afetados têm chances 8,5 vezes maiores de desenvolver a doença do que parentes de primeiro grau de portadores de artrite reumatoide.
Um estudo de perfil genômico sugeriu a existência de diferenças na expressão de 421 genes possivelmente envolvidos na fibromialgia, dos quais muitos são genes associados ao processamento da dor no sistema nervoso central.
SE LIGA! Alguns fatores ainda podem funcionar como “gatilho” para a doença, especialmente em indivíduos predispostos. São eles: traumas na infância, acidentes (especialmente os que envolveram o tronco), infecções virais (ex. HCV e EBV), apneia do sono, inflamação articular crônica, eventos psicologicamente estressantes e Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEP).
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