Liga de Anatomia Clinica e Cirúrgica da Bahia – LACCIB
História Clínica
Paciente relata que há duas semanas viajou à trabalho para a região do Vale do Mucuri- MG, passando por várias cidades do Estado, e hospedando-se na cidade de Ladainha. Relata que visitou cachoeiras e lugares de turismo local na mata, além de alimentar-se de algumas comidas típicas da região, como o feijão tropeiro.
Relata que fez uso de paracetamol (2 comprimidos de 500mg) no dia anterior por conta própria, para melhorar os sintomas de dor e febre. Nega uso de outros medicamentos.
Exame Físico
Paciente em bom estado geral, alerta, vigil, orientado em espaço e tempo. Refere fraqueza para deambulação, alegando mialgia e artralgia. Paciente aparenta palidez e leve icterícia ocular, turgor e elasticidade da pele diminuídos.
Sinais vitais
FC: 57 bpm; FR: 14 ipm; PA: 100 x 50 mmHg, Temperatura: 37,5ºC.
Cabeça e pescoço
Cefaleia de intensidade moderada (6/10), esclera ictéricas (++/4), linfonodos (submandibulares e submentonianos) discretamente palpáveis sem sinais de malignidade.
Sistema Nervoso
Nada digno de nota.
Sistema Respiratório
Tórax simétrico com expansibilidade preservada, frêmito toracovocal normal, som claro pulmonar à percução, murmúrio vesicular preservado sem roncos ou sibilos.
Sistema Cardiovascular
Tórax simétrico sem abaulamentos, ictus cordis palpável em 5º espaço intercostal linha médio-clavicular esquerda, bulhas rítmicas e normofonéticas em dois tempos sem sopros. Pulsos simétricos de amplitude normal.
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Abdome
Abdome plano, sem lesões de pele, cicatrizes, circulação colateral ou herniações. Pulsações arteriais e peristalse não identificáveis à palpação. Peristalse normal, presente nos quatro quadrantes e ausência de sopros em focos arteriais abdominais à ausculta.
Hepatimetria medindo cerca de 10 cm (lobo direito) e 6 cm (lobo esquerdo). Traube livre. Abdome timpânico. Fígado e baços palpáveis. Dor na região epigástrica graduada em 4/10, sem visceromegalias e sinais de irritação peritoneal.
Membros
Mialgia e artralgia(6/10), principalmente em grandes articulações.
Exames Complementares
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- Pontos de discussão
- ·Pela história da moléstia atual, exames físicos e exames complementares qual a suspeita de diagnóstico
- · Quais os diagnósticos diferenciais?
- · Quais os demais sinais e sintomas que o paciente pode apresentar?
- · Quais as fases que a determinada patologia pode se apresentar?
- · Qual o tratamento indicado para este paciente?
Discussão
O diagnóstico do paciente A.C.R.S. é dado pelos exames laboratoriais, nos quais são observados leucopenia, linfocitose e plaquetopenia acentuadas nas formas graves, porém em casos assintomáticos ou oligossíntomáticos o hemograma pode ser normal. Além desses achados, observam-se taxas elevadas das aminotransferases, alterações nos fatores de coagulação (principalmente protrombina, fator VII e tromboplastina), diante disto, o paciente apresenta tempo de coagulação alterado, logo, uma maior vulnerabilidade a hemorragias. Além do hemograma, a análise urinária pode apresentar bilirrunúnia, evidenciando a insuficiência hepática; hematúria; proteinúria acentuada, com valores acima de 500 mg/100mL de urina. A manifestação dos sinais e sintomas não é motivo suficiente para se desconfiar diretamente de Febre amarela, logo, temos como diagnósticos diferenciais a leptospirose, malária, hepatites virais, febre tifoide, mononuclease infecciosa, septicemias, púrpura trombocitopênica e acidentes por animais peçonhentos.
O paciente que se encontra com esta afecção, pode apresentar-se com congestão conjuntival, astenia, episódios hemorrágicos como epistaxe, hematêmese e melena, insuficiência hepatorrenal e o sinal de Ferget, que é a diminuição da pulsão acompanhada do aumento da temperatura.
A febre amarela pode se manifestar em 5 formas: Assintomática, leve, moderada, grave e maligna. Na forma leve, o paciente apresenta um quadro clínico autolimitado com febre e cefaleia com duração de dois dias; na fase moderada, os sintomas duram de dois a quatro dias, com febre, cefaleia, mialgia e artralgia, congestão conjuntival, náuseas, astenia e alguns fenômenos hemorrágicos como a epistaxe, podendo haver ainda a subicterícia; a forma grave apresenta seus sinais e sintomas se manifestam após 5 a 6 dias de incubação de forma abrupta, perdurando cerca de 4-5 dias com febre alta, sinal de Farget, cefaleia intensa, mialgia acentuada, icterícia, epistaxe, dor epigástrica, hematêmese e melena; a última forma de manifestação da febre amarela é a maligna, em que ocorre a toxemia abrupta, encefalopatia e os demais sintomas da forma grave. Após 5 a 7 dias a insuficiência hepatorrenal e a coagulação intravascular disseminada instalam-se, na forma maligna.
Não existem medicamentos específicos para o tratamento da febre amarela. Não devem ser utilizados anti-inflamatórios e nem ácido acetilsalicílico (AAS). Em casos graves, o paciente deve ser tratado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para a realização da hidratação endovenosa e reposição do sangue perdido nas hemorragias, além da realização da diálise, em casos de insuficiência hepatorrenal.
Objetivos de aprendizado
· Reconhecer achados clínicos que evidenciam o diagnóstico
· Identificar diagnósticos diferenciais para o paciente
· Entender quais métodos de diagnóstico e tratamento para a doença
· Demonstrar medidas profiláticas