
Imagem: Faringe. Fonte: Netter 6ª edição
A Faringe é um órgão tubular com formato de cone invertido, localizado na região cervical, com extensão de 12 – 15 cm. Apresenta notável importância, devido a sua participação em dois sistemas vitais, sendo um órgão que participa da constituição tanto do sistema respiratório, quanto do sistema digestório, além de contar com o anel linfático da faringe, pertencente ao sistema linfático.
Para melhor entendimento do funcionamento deste órgão, é necessário entender suas relações anatômicas, propriedades histológicas e desenvolvimento embriológico. A partir de tal arcabouço básico, poderemos entender processos mais complexos, como o processo de deglutição e algumas patologias relacionadas ao órgão.
Embriologia da Faringe

Imagem: Embriologia da faringe. Fonte: Langman 13ª edição.
No que tange a embriologia do órgão, a faringe é originada do intestino primitivo, especificamente da porção inicial do intestino anterior, sendo conhecido como intestino faríngeo, se estendendo da membrana orofaríngea até o divertículo respiratório. Seu desenvolvimento se faz a partir de estruturas denominadas arcos faríngeos, que aparecem a partir da 4ª ou 5ª semana do desenvolvimento embriológico.
Estes arcos se tratam, inicialmente, de travessas de tecido mesenquimal, separadas por septos conhecidos como fendas faríngeas. Conforme tais arcos e fendas se desenvolvem, surgem evaginações ao longo da faringe, nomeadas bolsas faríngeas, que se projetam externamente, sem comunicações com o mesênquima externo.
Anomalias Esofágicas

Imagem: Anomalias esofágicas. Fonte: Langman 13ª edição.
Uma das possíveis anomalias esofágicas diz respeito a atresia esofágica e fístula esofágica. Tais quadros resultam de um desvio posterior do septo traqueoesofágico ou de algum fator mecânico que traz anteriormente a parede dorsal do intestino anterior.
Decorrente desta conformação, a porção proximal do esôfago termina em fundo cego, ocasionando a atresia esofágica, e a porção distal se conecta com a traqueia por um canal estreito, ocasionando a fístula traqueoesofágica. Sua forma mais comum, presente em 90% das anomalias, está representada na imagem acima.

Imagem: Embriologia craniana e cervical. Fonte: Moore (Embriologia) 8ª edição
Os arcos faríngeos, apesar de sua nomenclatura, não apenas originam estruturas faríngeas, como também estruturas cervicais e cranianas. Cada arco é composto por um cerne de tecido mesenquimal, coberto externamente por ectoderma superficial e internamente por epitélio de origem endodérmica, que origina a musculatura de face e pescoço, cuja inervação e vascularização é individualizada.
Os componentes musculares da faringe são derivados do III arco faríngeo ao VI arco faríngeo. O músculo estilofaríngeo, um dos componentes do grupo longitudinal interno, tem sua origem no III arco, com inervação feita pelo nervo glossofaríngeo (NC IX).
Enquanto todos os outros músculos, tanto da camada longitudinal interna, quanto da camada circular externa são derivados do IV ao VI arcos faríngeos, com inervação realizada pelo nervo vago (NC X), por meio de seus ramos laríngeo superior (músculos extrínsecos da faringe) e laríngeo recorrente (restante dos músculos intrínsecos: salpingofaríngeo e palatofaríngeo.)

Imagem: Inervação dos arcos faríngeos. Fonte: Langman 13ª edição
Enquanto isso, as fendas faríngeas, em número de 4, contribuem com a formação de apenas uma estrutura final definitiva do embrião, por meio da penetração da I fenda no mesênquima subjacente, para origem do meato acústico externo. Além disso, o revestimento epitelial da I fenda contribui para formação do tímpano, enquanto as outras fendas são sobrepostas pela II fenda faríngea, até que haja fusão com a crista epicárdica.





