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Fake news na medicina: um desserviço à sociedade | Colunistas

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INTRODUÇÃO

Nos
últimos anos, muito tem sido discutido sobre a disseminação de inverdades na
Internet. Apesar de serem um fenômeno bastante antigo, as fakes news estão
em evidência devido à velocidade de distribuição e ao alcance que as mídias
digitais propiciam às informações, notadamente as falsas, o que é preocupante.
Nesse contexto, a medicina, infelizmente, transformou-se num alvo recorrente de
muitas notícias sem embasamento científico, capazes de provocar sérios prejuízos
para a sociedade em geral. É provável que você, assim como acontece comigo,
receba nos grupos de WhatsApp ou veja em redes sociais mensagens falsas acerca
de assuntos relacionados à saúde. Essa situação torna-se cada vez mais comum em
decorrência, sobretudo, do teor sedutor de algumas informações que nem sempre
vão ao encontro da validade científica. Muitas pessoas, seja pelo medo, seja
pelo desejo incessante de encontrar curas para suas doenças, deixam-se iludir
pelo conteúdo apelativo e alarmante dessas mensagens. Assim, as redes sociais,
de grupo em grupo, possibilitam, praticamente numa exponencial, a divulgação de
tais boatos, causando um desserviço a todos.

NOTÍCIAS FALSAS E SEUS IMPACTOS NA MEDICINA

Recentemente,
a epidemia do novo coronavírus foi o epicentro de vários boatos na internet,
como os que destacavam ser possível combater o vírus em questão utilizando
cocaína. Já não bastasse a preocupação a qual recai sobre o assunto em si, as
pessoas ainda são expostas a essas inverdades que, acredite, disseminam-se bem
mais rápido que o próprio patógeno. Outros exemplos comuns são aquelas notícias
que anunciam procedimentos estéticos milagrosos, dietas mirabolantes e curas
imediatas para doenças muito complexas, como o câncer. Por envolverem o
emocional de várias pessoas, os impactos disso são extremamente nocivos.

Você
certamente deve ter um parente ou um amigo que não costuma ir ao médico porque acredita
que, se for, vai “achar’’ alguma doença e, por isso, prefere se guiar por
consultas caseiras com o “Dr. Google”. Tais indivíduos são ainda mais
vulneráveis aos efeitos danosos dos boatos que são divulgados, o que os faz
buscar em fontes geralmente duvidosas e optar por soluções, por vezes
questionáveis, como remédios caseiros ou plantas ditas medicinais cujos efeitos
nem sempre possuem respaldo científico. Isso agrava um outro problema já
bastante grave no País, qual seja: a automedicação. Vê-se, pois, as sérias implicações
que uma problemática acarreta em outra.

Ademais,
os programas de imunização, lamentavelmente, também são afetados pelas fake news.
Muitas mentiras são irresponsavelmente disseminadas sobre as vacinas, como a
capacidade de causar doenças e de provocar mortes. Em consequência desse
absurdo, os índices de vacinação caíram significativamente no Brasil, colocando
em risco a vida de muitas pessoas, pois doenças que outrora estavam erradicas –
tais quais sarampo e poliomielite – voltaram a assombrar a sociedade. É
inadmissível que vários pais, amedrontados por inverdades e por desinformação,
negligenciem a vacinação de seus filhos e os tornem vulneráveis a doenças
lastimáveis. Aderir às vacinas é um exercício de cidadania e de
responsabilidade social.

FATO x FAKE: A IMPORTÂNCIA DO COMBATE À DESINFORMAÇÃO

São
nítidos os prejuízos decorrentes das notícias falsas, especialmente na saúde.
Certas informações são tão controversas que confundem, inclusive, acadêmicos e
profissionais da área, razão pela qual devemos estar em constante vigilância no
tocante à veracidade dessas notícias. Para tanto, o Ministério da Saúde já
disponibiliza um canal de checagem a fim de combater as fake news relacionadas
a tal área. Quando você receber algo nesse contexto, antes de compartilhar de
modo inconsequente, entre em contato com número (61) 99289-4640. No entanto, como o próprio site do Ministério da Saúde destaca, “o canal
não será um SAC ou tira dúvidas
 dos usuários, mas um espaço
exclusivo para receber informações virais,
que serão
apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou
mentira’’. Você, acadêmico, profissional, além de fazer isso, deve divulgar esse
canal nas redes sociais a fim de estimular outras pessoas a procederem de mesmo
modo, evitando ao máximo a proliferação de mentiras na internet. Agindo assim,
é possível ultrapassar os limites das salas de aulas e dos centros de saúde e
potencializar, no sentido mais amplo, a promoção de saúde. Para os médicos, em
especial, o marketing de conteúdo é outra poderosa ferramenta no combate
às notícias falsas. Fazer postagens confiáveis em redes sociais, sempre com uma
linguagem didática, mas sem perder o rigor das informações, fideliza e
tranquila muitas pessoas, as quais passam a ter uma “fonte segura’’. As mesmas
redes sociais que endossam os efeitos negativos nas fake news são, e
devem ser, aliadas essenciais na divulgação de conhecimento. A informação é o
melhor antídoto contra a desinformação. Até a próxima leitura!

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